No início de 2025, Luciana Aleixo foi até Rovaniemi, na Finlândia, com um objetivo: ver as auroras boreais. A portuguesa, natural do Carvoeiro, já tinha tentado várias vezes na Noruega, mas nunca tinha tido sorte. Foi na Lapónia que o céu decidiu colaborar.
O espetáculo de cores acabou por despertar sensações nostálgicas em Luciana, que ficou logo emocionada. “Era como se tivesse voltado a sentir aquele encantamento que temos quando somos crianças e vemos uma coisa extraordinária”, recorda à NiT.
Naquela altura, a portuguesa, de 39 anos, foi influenciada pelo marido, André Aleixo, de 41, a criar um projeto dedicado àquela sensação. Mas havia um obstáculo: trabalhava na área de gestão e não tinha qualquer experiência na área.
“Já estava um bocadinho cansada da rotina, da parte de gestão, e já tinha comentado várias vezes que qualquer dia, quando me aparecesse uma oportunidade de fazer algo diferente, era isso que iria fazer. E foi assim do nada”, confessa.
Naquele mesmo ano, meses depois de vários estudos sobre a região, Luciana decidiu arrancar com o projeto Lucy in Lapland, focado em experiências para ver as auroras boreais. Em outubro de 2025, começou a fazer as primeiras visitas na Lapónia.
“Estava decidida a ir morar para Rovaniemi, mas na altura não foi possível porque a minha família está no Algarve, os meus filhos estudam em Portugal e não há ainda uma escola internacional naquela zona”, explica a fundadora, que pratica desportos de inverno há vários anos. “Portanto, vivo três semanas cá e três semanas lá.”
A fundadora explica que o fenómeno começa a ser visto com mais intensidade no final de agosto, com a época alta a acontecer entre dezembro e janeiro. Um dos fatores diferenciadores do Lucy in Lapland é que as atividades nunca têm um percurso fixo.
“Todos os dias, analisamos a meteorologia porque o grande problema que temos são sempre nuvens”, explica. “Portanto, o trabalho diário que nós fazemos é perceber onde é que conseguimos ir para conseguirmos encontrar locais sem nuvens.”
Os tours, por norma, têm início entre as 14 e as 18 horas. Na manhã daquele dia, os clientes são sempre avisados sobre o horário em que vão ser apanhados. “Depende sempre do quão longe temos que ir”, refere a fundadora. “Podemos ter que fazer até 800 quilómetros de ida e volta para conseguir ver a aurora boreal. Não acontece todas as noites, mas acontece com frequência.”

Apesar de no final de agosto já ser possível ver o fenómeno, Luciana explica que a atividade começa a arrancar com mais precisão em outubro. Nesta altura, os grupos são de até oito pessoas. Na época alta, porém, chegam a 16 participantes.
Nos próximos meses, o Lucy in Lapland vai ter uma novidade: experiências de três a quatro dias para conhecer a região. A atividade vai ser direcionada aos povos lusófonos, com as tours a serem feitas exclusivamente em português.
“Optámos por fazer desta forma por termos logísticos. É mais fácil que, durante quatro dias, a pessoa fale uma só língua, para criar uma proximidade maior com os clientes.”
O objetivo das novas expedições é dar a conhecer a história da região, com visitas a aldeias e outros pontos turísticos. E o melhor é que, dentro de dias, André, que é proprietário do restaurante algarvio O Percador Benagil, até vai cozinhar para os clientes.
“O meu marido vem comigo também durante estas expedições”, aponta. “Como é chef e tem um restaurante em Benagil, também vai cozinhar em algumas das noites que sejam possíveis para os nossos clientes.”
Os tours diários para ver as auroras boreais rondam os 149€ por pessoa. Já as expedições de vários dias, têm um preço médio de 1400€. As reservas podem ser feitas através do site do Lucy in Lapland.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias das auroras boreais captadas pelo Lucy in Lapland.








