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A estação mais bonita do mundo fica em Espanha — e vai ser finalmente recuperada

Um descarrilamento ditou o abandono da incrível Canfranc, há quase 50 anos. Agora vem aí um hotel. E uma nova estação.
Linda sem paralelo.

É um “monumento à cultura aragonensa”, diz o presidente do governo de Aragão. Mas é muito mais do que isso: é um marco da história mundial, com contos feitos de guerras, acidentes, espionagem e contrabando de ouro. Conhecida como a “Titanic das Montanhas”, a Estação Internacional da Canfranc, em Espanha, tem um passado incrível mas é um caso de abandono há mais de 50 anos. Aqui, o estar parada nunca foi sinónimo de esquecimento — mesmo perdida no tempo, continuou a ser visitada por turistas — mas só agora está a chegar a desejada recuperação.

Canfranc, no vale do rio Aragão em Espanha, perto da fronteira com França, é uma das mais importantes estações de comboio do mundo. E continua a ser uma das mais bonitas, apesar de estar abandonada. Ocupada durante a Segunda Guerra Mundial foi, antes disso, a partir dela que muitos judeus fugiram para Lisboa. E nem foi a guerra que ditou o seu fim: mas sim um descarrilamento.

Num artigo do ano passado, a NiT contou-lhe toda a história desta estação, conhecida pela sua imponente arquitetura Art Nouveau: desde a inauguração, com enorme festa e a presença do Rei de Espanha e do Presidente francês em 1928; até ao fecho inesperado, em 1970.

Durante todos estes anos, foi uma das principais ligações entre França e Espanha, um dos pontos ferroviários fulcrais na Europa. Antes da ocupação pelos nazis, foi daquela estação que vários judeus, entre eles os pintores Max Ernst e Marc Chagall, escaparam aos soldados alemães em direção a Lisboa. Daqui, iriam para os Estados Unidos.

Ainda nessa altura era usada como ponto de espionagem pelos Aliados, mas tudo acabou quando, em novembro de 1942, os nazis ocuparam Canfrac. Este passou a ser o único município espanhol ocupado pelos nazis, e portanto um ponto estratégico para Hitler.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Canfranc era, por isso, “uma colmeia de atividades e intrigas, testemunhando prisões, espionagem e tráfico de ouro”, escreve a “CNN Travel” num artigo sobre o monumento, atualizado esta segunda-feira, 4 de fevereiro.

Com tudo isto, a linha conseguiu manter-se em funcionamento até aos anos 70, e ficou mesmo imortalizada no cinema quando ali foram gravadas, em 1965, algumas das cenas mais icónicas do filme “Doutor Jivago”. 

No entanto, em março de 1970, o descarrilamento de uma locomotiva a vapor, que acabou por saltar dos carris, destruiu por completo uma ponte do lado francês da fronteira. O governo de França optou então por não recuperar os estragos, o que levou ao fecho da estação.

Hoje, quase 50 anos depois, mesmo quase em ruínas a estação nunca parou de trazer visitantes, contou o autarca de Canfranc, Fernando Sánchez Morales, à “CNN”. A cidade agora sobrevive do turismo devido ao esqui e aos atrativos do monumento abandonado.

Agora, começam finalmente a avançar os planos para recuperar o monumento, que passam pela construção de um hotel e pela reabilitação da função de estação, ainda que em tamanho menor.

Atualmente propriedade do governo local de Aragão, é a este que compete o “enorme programa de regeneração que mudará Canfranc”, adianta Sánchez Morales. 

Além do hotel que se espera luxuoso, os planos incluem a recuperação de todos o edifícios históricos e infra-estruturas que não são utilizados desde 1970. A linha deverá mesmo ser aberta a viagens internacionais “em breve”, conclui o governante, lembrando o enorme impacto esperado no turismo.

Carregue na galeria para ver mais imagens desta estação incrível perdida em Espanha.

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