Viagens

A moda dos voos para lado nenhum cresceu — e agora surgem voos para algum lugar

As saudades do que considerávamos normal e rotineiro estão a criar fenómenos novos em todo o mundo.
Em nome das saudades.

Parece uma loucura, mas tanta coisa neste ano de 2020 o parece por vezes. Primeiro, vieram os voos para lado nenhum: isso mesmo, voos que saem e regressam ao mesmo lugar, sem nunca parar, marcando o início de uma nova e crescente tendência nascida para apaziguar o desejo de viagens. Numa altura em que há restrições e fronteiras fechadas, porque não simplesmente voar, pensaram algumas companhias? E a adesão foi impressionante. 

Depois, chegaram os cafés com comida de avião: como a NiT já noticiou, falamos de vários espaços que estão a abrir e onde se come dentro de aviões antigos ou espaços recriados como tal. O objetivo? O mesmo, utilizar as saudades que muitos têm do ritual de viajar como um negócio em tempo de crise, juntando o útil ao agradável.

Mas há mais: em outubro, foram anunciados os primeiros cruzeiros para lugar nenhum. É o mesmo principio dos voos — se o problema são as restrições, as fronteiras, a segurança das entradas e saídas, simplesmente começou a fazer-se idas e voltas ao mesmo porto, pelo simples prazer da viagem.

E agora chegaram os voos para algum lugar. Pode parecer uma loucura ainda maior, já que voos para algum lugar eram, pensa a maioria das pessoas, o que praticamente todos fazíamos antes deste surreal ano. Certo? Errado. Segundo a “CNN“, estes são voos mais próximos dos tão bem sucedidos para lugar nenhum; mas com o twist de terem um destino pelo meio.

A ideia é da australiana Qantas, a mesma companhia que esgotou as centenas de bilhetes caríssimos de um voo sem destino em menos de uma hora. Depois deste enorme sucesso, a empresa lançou uma oferta ainda maior: com a aviação praticamente interrompida em todo o mundo e muitas fronteiras nacionais fechadas, pensou numa viagem para viajantes australianos que não podem deixar o país, mas ainda querem sair e passar férias.

O programa é uma fuga de 24 horas de Sydney a Uluru, com passeios turísticos e estadia em hotel incluídos. Vai acontecer de 5 a 6 de dezembro. Um comunicado da Qantas explica o programa: os viajantes deixarão Sydney às oito horas, rumo a norte. Assim que chegarem a Uluru, poderão experimentar a exibição do Campo de Luz à noite, comer uma refeição de três pratos sob as estrelas e ouvir os membros da comunidade indígena sobre a história e o significado de Uluru.

Naquela noite, os hóspedes ficarão no Sails in the Desert, um resort de luxo nas proximidades. Depois, assistem ao nascer do sol sobre Uluru, tomam um brunch antes de voltar ao avião e regressam a Sydney. O avião irá voar o mais baixo possível, dando aos passageiros vistas aéreas de alguns famosos marcos australianos. Os bilhetes começam nos 1500€.

Entretanto, e comprovando o sucesso dos voos para lugar nenhum — e a ânsia das pessoas em viajar —, um grupo do Facebook uniu-se esta semana para fretar um Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, para uma viagem destas.

O grupo, que consiste em passageiros frequentes da japonesa All Nippon Airways (ANA) e tem 22 mil membros, abordou a companhia aérea para solicitar uma viagem turística de 90 minutos, de ida e volta sem paragens, e a companhia aérea concordou, adianta o “The Independent”.

O voo descolará e pousará no Aeroporto de Narita, Tóquio. Os passageiros a bordo receberão bebidas e um certificado especial de participação.

 

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