Viagens

A “mulher de negócios” que se mudou para a Tailândia para abrir uma guest house

Cristina é apaixonada por viagens e "não consegue estar muito tempo no mesmo sítio". Agora, aventurou-se no mundo da hotelaria.
Abriu a 1 de fevereiro.

Cristina Guimarães nasceu em Chaves e é uma verdadeira cidadã do mundo. Não gosta de ficar muito tempo no mesmo sítio e já perdeu a conta aos países onde viveu e aos projetos que desenvolveu além-fronteiras, seja de design ou marketing. 

Sem medo de arriscar, corre atrás daquilo que quer sem pensar duas vezes — e foi isso que a levou à Tailândia. “Faço simplesmente as malas e vou”, começa por contar à NiT a empreendedora de 45 anos.

Sempre adorou viajar e considera-se “aventureira desde que nasceu”. Já passou temporadas em países como o Brasil, Inglaterra ou Espanha, a trabalhar em diferentes tipos de projetos. Descreve-se como “uma mulher de negócios” que gosta de investir em vários negócios, “se a oportunidade for boa”.

Porém, nunca se tinha aventurado no mundo da hotelaria. Tudo mudou em agosto do ano passado, quando partiu à descoberta de um país que ainda não tinha visitado: a Tailândia.

“Acordei um dia de manhã e vi uns vídeos no Tik Tok que mostravam paisagens incríveis e decidi ir” conta Cristina. Quatro meses depois, já estava de malas feitas para embarcar para o outro lado do mundo com o filho Cristiano, de 17 anos.

O choque foi imediato. “Nunca tinha sentido tanto calor na vida”, mas rapidamente se habituou às pessoas, à cultura e à gastronomia. Os insetos, por outro lado, continuam a aterrorizá-la — nunca se deu muito bem com baratas e aranhas. 

“Sinto que todos os dias descubro pequenos pormenores da Tailândia. Um novo inseto ou uma flor. Os macacos que aparecem na rua e obrigam os carros a parar na estrada, os lagartos gigantescos que já encontrei. É tudo surreal, mas o que me deixa mais encantada são os mercados com frutas exóticas e lulas gigantes”, confessa.

O primeiro destino foi Bangkok, mas a amizade que travou com Ana Anjos, portuguesa que mora na Tailândia há cerca de dois anos, levou-a até à ilha de Koh Lanta. “Antes de ir comecei a pesquisar um pouco sobre o destino e foi aí que descobri a Ana. Percebi que tinha um resort e marquei estadia por um mês”, conta.

Não tinha grandes planos, sabia apenas que “queria fazer algo diferente”. Por ser um destino “extremamente turístico”, pensou que podia apostar na área da hotelaria. Já tinha feito trabalhos de remodelação, mas esta era “uma aventura completamente nova”.

“Quando percebi que a Ana tinha um resort achei o conceito interessante, mas não é para mim. Queria uma coisa mais pequena, com um ambiente mais acolhedor”, adianta. Não andou propriamente à procura, mas a oportunidade surgiu-lhe mesmo no momento certo.

Após um mês a viver num dos quartos do alojamento da amiga, sentiu que “precisava de algo maior” e encontrou um apartamento para alugar, na mesma ilha. Não o adorava, mas estava “localizado numa zona de interesse”, já que ficava a cinco minutos a pé da praia.

“O espaço tinha mais dois apartamentos com dois quartos, tinha um potencial enorme, mas estavam muito mal tratados”, confessa. Em conversa com os senhorios tailandeses — com quem se deu bem desde o início e viviam mesmo ao lado —, descobriu que o casal tinha tentado vender o edifício recentemente.

Cristina, por outro lado, contou-lhes que gostava de abrir um alojamento na Tailândia. “Quiseram fazer negócio comigo e aluguei o espaço por 15 anos.” Depois, foi só uma questão de “arregaçar as mangas” e começar a renovar os apartamentos e a piscina, “que parecia um lago verde”.

Após várias obras, a guesthouse Acqualanta abriu portas no dia 1 de fevereiro. Alberga dois apartamentos, cada um com dois quartos, uma sala com sofá-cama e uma kitchenette. Com 65 metros quadrados e um pátio privativo, acomoda um total de cinco hóspedes.

Todos os detalhes foram “pensados ao pormenor” e Cristina acabou por se inspirar nas “vibes da Grécia”. “Fiz uma mistura entre os dois países, mas privilegiei os azuis e brancos suaves”, destaca. 

No exterior, os hóspedes podem aproveitar o deck para apanhar sol e mergulhar na piscina. A portuguesa retirou ainda os dois jacuzzis que os antigos proprietários tinham, por achar que “não faz sentido num país como este”, e optou por criar ali uma zona de lazer, com puffs enormes. 

Com uma localização privilegiada, mesmo ao pé de vários restaurantes e lojas 7-Eleven, este refúgio perto da praia é “tranquilo”, com uma simplicidade que se entrelaça perfeitamente com o fascínio tropical da Tailândia. 

O valor da estadia ronda os 200€ por noite, para cinco pessoas. As reservas podem ser feitas online.

Cristina confessa que gostava de continuar a investir na Tailândia e abrir mais guest houses. Afinal, “tem um espírito aventureiro e empreendedor” — e não consegue ficar parada.

Como lá chegar

Para chegar ao alojamento, primeiro terá de voar até Krabi, na Tailândia. Se partir de Lisboa, encontra bilhetes de ida e volta desde 948€, com duas escalas. A ilha de Koh Lanta não tem nenhum aeroporto, por isso terá de apanhar um barco quando aterrar em Krabi. O percurso demora cerca de uma hora.

Carregue na galeria para ver mais imagens do Acqualanta.

 

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