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A NiT foi à Expo 2020 Dubai — e estes são os pavilhões de que mais (e menos) gostámos

A exposição vai estar aberta até 31 de março de 2022. O repórter da NiT, Rui Barros, conta-lhe tudo o que precisa de saber.
O Pavilhão da Mobilidade.

“Junte-se à construção de um novo mundo na maior vitrine de brilhantismo e conquistas humanas”. É assim que a Expo 2020 a decorrer no Dubai se apresenta aos visitantes no seu site. A exposição dispõe-se a tentar antecipar o que será o mundo daqui a uns anos, e divide-se em três distritos — sustentabilidade, mobilidade e oportunidade — com 200 pavilhões.

Como seria de esperar, as visões futuristas diferem bastante de país para país. Na visita ao distrito da mobilidade percebemos que todas as previsões vão no sentido do crescimento populacional, e do aumento das deslocações entre países.

Visitámos o super interessante pavilhão da Emirates, onde se adivinha um mundo muito mais ligado à inteligência artificial, quase um cenário de “Black Mirror”. Iremos viver rodeados de reconhecimento facial que nos fará evitar demoradas filas em aeroportos, robots que nos fazem check ups e nos recomendam uma certa refeição consoante o diagnóstico e aviões que vão ser muito mais rápidos e ecológicos — ou seja, caminhamos cada vez mais para o Big Data. Seremos monitorizados constantemente, supostamente para melhorar a nossa qualidade de vida, mas claro, tudo isto é música para os ouvidos dos fãs das teorias da conspiração.

Somos convidados a experimentar como será um voo daqui a 50 anos, com uso de óculos de realidade virtual, onde nos pintam um mundo super verde e digital, com viagens rápidas e zen. Não sendo um pavilhão de um país, nem um dos temáticos da feira mas sim de uma companhia aérea, é um dos mais divertidos de se visitar, e recomendamos uma passagem por lá.

O pavilhão da mobilidade — o ALIF criado pelos arquitetos da Foster +Partners — leva-nos a descobrir os veículos do futuro, os novos desenvolvimentos na exploração espacial, e apresenta-nos a missão a Marte dos Emirados. Comparando figuras antepassadas (representadas por uns impressionantes e realistas bonecos gigantes de nove metros de altura) que inovaram para nos permitir navegar pelo mundo, com as evoluções tecnológicas que nos vão permitir explorar o espaço.

Um dos destaques do pavilhão é o maior elevador do mundo, que transporta 160 pessoas. Cada uma das três formas deste edifício contém uma galeria com uma exposição envolvente projetada pela consultoria de design baseada em Londres, a MET Studio.

Entrando no distrito da sustentabilidade, desligamos a vertente futurista de idas ao espaço, e descemos ao planeta Terra. Aqui o discurso é sobre como vamos proteger e preservar a nossa casa, claro, com o auxílio da tecnologia. A energia solar e a água estão em destaque.

O pavilhão Sustentabilidade — Terra foi projetado para gerar toda a sua própria água e energia. Dividido em duas áreas distintas para visitar, a floresta e o oceano, é uma interessante experiência interativa onde somos convidados a tomar opções que podem ou não tornar o nosso planeta mais sustentável.

O pavilhão da sustentabilidade na Expo 2020 no Dubai.

Certamente um dos pavilhões imperdíveis e um dos mais emblemáticos da feira, pois o projeto elaborado pelo estúdio britânico Grimshaw cobriu o pavilhão com painéis solares de 135 metros de largura, um autêntico cenário extraterrestre.

Neste distrito, estão os três pavilhões que, claramente, são os mais populares e visitados da feira. O estúdio WOHA de Singapura criou um pavilhão repleto de plantas para o espaço do país na exposição. Descrito pelo estúdio como um “jardim tridimensional”, o prédio tem uma série de passarelas elevadas que envolvem três cones cobertos de plantas — uma lindíssima floresta tropical alimentada por um ecossistema auto-sustentável.

A Alemanha batizou o seu espaço de Campus Pavillion, onde parece que estamos a visitar uma universidade cuja aprendizagem e pesquisa visa criar um futuro cheio de otimismo e, claro, sustentável. Ao longo do percurso mostra-nos a visão alemã nesta área (muito menos high tech que a dos Emirados).

Divertido e surpreendente, especialmente na parte final, onde somos convidados a andar de baloiço para criar energia e contagiar os outros visitantes a seguir o nosso exemplo, passando a mensagem de que cada um pode e deve ser o exemplo para um futuro melhor.

Por fim, destaque para o pavilhão dos Países Baixos, com uma arquitetura extraordinária e todo ele feito de material reciclado. Foi montado com um sistema inovador de forma a ser uma quinta vertical, que produz água, energia e comida. No meio, está aquele que é provavelmente o mais original vídeo mapping da feira — a todos os visitantes é dado um chapéu de chuva que serve de tela para as projeções. Uma visita rápida, mas inesquecível.

O distrito da oportunidade parte do conceito de que as nossas vidas e ações estão interligadas, e que é através da interação entre todos nós que vão surgir novas ideias que terão impacto na forma como vamos viver no futuro.

O grande destaque desta zona é o pavilhão do Reino Unido — uma estrutura de madeira laminada cruzada em forma de cone criado pela cenógrafa britânica Es Devlin, e que foi projetado para exibir um poema gerado por inteligência artificial na sua fachada (inspirado por Stephen Hawking), com base em palavras ou frases que os visitantes deixam na sua passagem por lá.

O pavilhão temático desta área é o “Mission Possible”, onde se passa a mensagem aos visitantes de que mesmo a mais pequena ação pode ter um impacto brutal e ser inspiradora para um melhor futuro para todos.

Por último, o destaque vai para aquele que é o mais espantoso pavilhão da Expo— na zona de Al Forsan encontra o pavilhão dos Emirados Árabes Unidos — sob o lema “The land of dreamers who do”, que conta um pouco da história de todo o desenvolvimento que transformou radicalmente os Emirados nos últimos anos, em especial o Dubai.

O Pavilhão dos Emirados Árabes Unidos.

Desenhado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o pavilhão da nação anfitriã foi inspirado pelo formato da asa de um falcão. O edifício é coberto por 28 “asas” de fibra de carbono que podem ser fechadas para abrigar os painéis solares do telhado.

Dependendo da hora do dia, pode ver-se o edifício de asas abertas ou fechadas. Mais do que o interesse na visita em si — a maior parte do espaço está cheio de areia do deserto e inclui a apresentação de um filme pouco cativante — a principal atração deste pavilhão é, de facto, o fabuloso trabalho arquitetónico.

A Expo 2020 no Dubai vai estar aberta até 31 de março de 2022. Desde que abriu, a 1 de outubro de 2021, já teve cerca de 3 milhões de visitas. A NiT já lhe contou também tudo sobre o Pavilhão de Portugal, e como este acabou por ser uma deceção para quem o visitou.

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