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A nova atração turística: tours de barco à volta dos “cruzeiros fantasma” da pandemia

Com a indústria de cruzeiros parada há meses, um capitão decidiu transformar os enormes navios parados na água numa atração.
Foto partilhada pela empresa.

Em tempos de pandemia e de crise económica, faz-se o que se pode com o que se tem. Que o diga um empresário britânico, Paul Derham, que de uma situação insólita criou um negócio: a nova atração turística deste verão no Canal da Mancha, passeios de barco à vota dos cruzeiros fantasma — ou navios vazios, por causa da pandemia.

Segundo a “CNN“, tudo começou com a situação inédita de haver vários navios de cruzeiro gigantescos, semi parados no Canal da Mancha, sem passageiros —entretanto retirados quando começou a pandemia — mas também sem se afastar muito da sua localização, provavelmente por não terem para onde ir, devido aos custos do atracamento.

Este horizonte tão diferente, com os navios vazios a parecerem barcos-fantasma, deu a ideia ao empresário local de criar a  sua própria mini indústria de turismo. Até porque este é uma área que lhe é muito familiar: Paul Derham trabalhou em navios de cruzeiro durante mais de 25 anos e é agora dono de uma pequena empresa de passeios de barco numa aldeia em Dorset, sul do Reino Unido.

De acordo com a CNN, ao perceber que alguns dos navios de cruzeiro mais famosos do mundo estavam ali parados, ainda para mais mesmo perto das rotas habituais dos seus passeios de ferry, Paul teve a ideia de génio: usar os ferries simplesmente para oferecer passeios aos enormes navios, dando um novo tema e levando os curiosos o mais perto possível das embarcações.

Tudo começou de forma tímida e caseira, através das redes sociais da empresa, mas em apenas dias veio o sucesso inesperado: todos queriam os passeios à volta dos “gigantes adormecidos”. 

Publicado por Louise Walsh em Domingo, 16 de agosto de 2020

Além do feedback nas redes sociais, os passeios são cada vez mais e constantemente esgotados — os dois barcos de Paul, os Mudeford Ferries, geralmente levam 80 pessoas cada, mas para garantir o distanciamento social, estão a transportar apenas 30 turistas à vez. Cada viagem custa cerca de 25€ cada adulto, 15€ os miúdos. 

Derham até recebeu contactos de fãs de cruzeiros em todo o mundo, entusiasmados com a ideia e a quererem saber detalhes ou, em alguns casos, dispostos a deslocarem-se até costa sul de Inglaterra para os passeios.

Muitos são pessoas, conta o empresário, que tinham estado em cruzeiros este ano, ou que tinham uma viagem planeada e a viram cancelada. Diz que até teve um casal que andou numa das ultimas viagens do Allure of the Seas no início de 2020; e que no “passeio aos cruzeiros fantasma” revelou que ainda tinha a palavra passe do wifi e que, com a proximidade, esta ainda funcionava.

Pela costa, os principiais atrativos da nova rota são os navios Anthem of the Seas da Royal Caribbean, o Jewel of the Seas, o Allure of the, o Carnival Valor e o Queen Mary 2. Os navios nem sempre ficam atracados no mesmo local, chegam a sair e voltar, mas mas Derham conhece alguns capitães que o informam da localização, ou em casos autorizam determinada proximidade e até fazem soar a característica buzina, para gáudio dos turistas.

Um dos barcos é alias o Aurora, onde o empresário trabalhou durante sua viagem inaugural de 2001, quando a embarcação participou de um resgate na costa do sul da China, salvando a vida de marinheiros que haviam naufragado. A magia do passeio não reside por isso só na proximidade incrível conseguida com os navios, muito acima do que é habitual, mas também com os detalhes técnicos, curiosidades e incríveis historias partilhadas por Paul nas rotas de duas horas e meia, ida e volta.

Os navios cruzeiro, que chegam a levar mais de três mil passageiros habitualmente, estão agora praticamente vazios, mas de noite ainda são iluminados e há quem relate também um aumento nas vendas de binóculos nas lojas locais. Todo um negócio temporário à volta de uma situação terrível: há por ali cruzeiros de empresas sem saber se têm sequer sustentabilidade para regressar, outras terão despedido milhares de funcionários.

Já dos passeios de Paul Derham, o feedback nas redes sociais, é de facto incrível: as pessoas seguem com avidez as marcações, os cancelamentos por mau tempo, e os que já participaram dizem ter vivido experiências inesquecíveis — algumas até já repetiram as Ghost Cruise Tours. 

Publicado por Kate Dingley em Quarta-feira, 22 de julho de 2020

 

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