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A nova vida de Paris é mais colorida e com esplanadas maiores

A cidade ainda não tem turistas, mas os cafés ao ar livre já estão cheios até à noite.
A cidade dos cafés.

Paris não é a mesma sem os seus cafés. Pelas ruas da cidade luz encontra milhares destes pontos de encontro incríveis, em prédios antigos e históricos, com as suas esplanadas espaçosas onde facilmente passa uma tarde a ler um livro, a apreciar as vistas, a conviver ou a apanhar sol. A cultura do café é enorme em França — e na sua capital é quase um destino em si.

Tudo isto acabou durante o pico da pandemia do novo coronavírus no território francês. Agora, o país está a voltar de forma progressiva e faseada à normalidade, mas tal como em outras cidades do mundo, o regresso é para uma realidade diferente. Em parte, para prevenir os contágios e novos surtos, mas noutra para tirar lições que o tempo de confinamento nos ensinou — nomeadamente em relação aos excessos e poluição.

Em primeiro lugar, e para prevenir o contágio, permitindo porém a reabertura dos seus icónicos cafés — e já a pensar no regresso de turistas —, as esplanadas de Paris vão aumentar. Enquanto for preciso, vão roubar mais espaço a passeios, a parques de estacionamento e a tudo o que for necessário para garantir o negócio e em simultâneo o distanciamento social.

Segundo a “Lonely Planet”, desde que os populares cafés em França foram autorizados a abrir a 2 de junho (pela primeira vez desde o início de março), os clientes regressaram com uma relativa normalidade: isto nas regiões geográficas que foram reconhecidas como áreas verdes, já que o governo fez um mapa por zonas, consoante as taxas de coronavírus.

Paris fica um pouco atrás do resto do país com uma “área laranja”, o que significa que as taxas do vírus são relativamente altas. Como tal, restaurantes e cafés só podem abrir áreas exteriores, mas para garantir o distanciamento social há a tal excepção: os proprietários têm permissão para montarem mesas em calçadas e lugares de estacionamento para permitir mais espaço entre os clientes.

A autarca de Paris, Anne Hidalgo, já explicou a vários meios de comunicação locais que existe um plano em curso para ajudar bares e restaurantes até pelo menos setembro — e que este inclui novas permissões.

Isto implica que várias ruas passem a ser pedestres e ocupadas por esplanadas — onde, por seu turno, todas as mesas devem estar espaçadas a pelo menos um metro. Os funcionários da cozinha e do restaurante devem usar máscaras, mesmo no exterior.

Na prática, os proprietários podem apropriar-se de espaço extra para permitir o distanciamento e, até agora, parece estar a resultar. Nas redes sociais elogia-se maioritariamente a medida, vêm-se fotos de esplanadas cheias (ainda que com distância) e há quem comente que a cidade parece ainda mais colorida e especial.

Só não tem é turistas — ainda. De acordo com as últimas informações, França planeia abrir as suas fronteiras a cidadãos da União Europeia a 15 de junho. Isto se a situação da pandemia, agora oficialmente “sob controle” no país, não piorar até lá.

A possibilidade de abrir as fronteiras para fins não essenciais a todos os cidadãos da UE e Schengen foi apresentada pelo primeiro-ministro francês Éduoard Philippe durante uma conferência de imprensa sobre a fase 2 do plano de saída de contenção do país, no passado dia 3 de junho. Em princípio, a quarentena não será obrigatória para viajantes da UE; podendo no entanto ser imposta como reciprocidade para os cidadãos de países que exigem que os cidadãos franceses passem pela quarentena, ou em casos de nações com surtos ainda bastante ativos.

Paris das bicicletas

No meio de tudo isto, Paris, como muitas cidades, quer regressar à nova vida mais verde. A capital anunciou recentemente um pacote de medidas para apostar nas bicicletas e se tornar mais amiga do ciclismo.

Estas incluem cerca de 50 quilómetros de ciclovias de emergência, apelidadas mesmo de ciclovias corona, para ajudar as pessoas a se deslocarem e se exercitarem, mantendo o distanciamento social. As ciclovias são marcadas de forma paralela às rotas das linhas ferroviárias do metro RER.

Estão também previstas mais ciclovias permanentes e apoios a quem compra bicicletas, entre outras medidas. Em toda a França, foi aprovado um pacote de vouchers de 50€ que é entregue pelo governo a quem precisar de reparar o seu equipamento, visando promover a generalização deste meio de transporte.

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