Viagens

A pandemia arruinou-lhe o negócio — e ela reinventou-se como influencer de viagens

Inês viu a sua empresa de tuk tuks ir à falência. Agarrou-se à sua paixão, arriscou e hoje o seu trabalho é viajar.
Da primeira viagem a Santorini saiu esta foto

Sempre foi uma empreendedora, mas a pandemia levou-a a um beco sem saída. Inês Pires geria uma empresa de animação turística com tuk tuks espalhados por Lisboa. Um cocktail de eventos dramáticos acabaram por levar o negócio à falência.

A fabricante dos tuk tuks elétricos encerrou e levantou o primeiro grande problema. “De repente, deixámos de conseguir comprar peças para os reparar. Tinham que ser mandadas fazer à medida. Custavam quase tanto como peças para um Porsche”, explica a portuguesa de 34 anos. A redução de turistas provocada pela pandemia e um acidente com um dos veículos foi o ponto final da City Expedition que criou em 2014.

“Fiquei desorientada”, recorda sobre o seu estado de espírito depois de tomar a decisão difícil de encerrar a empresa. O desespero deu origem, um ano depois, à alegria total. Atualmente apresenta-se como Inês On The Go, influencer de viagens e criadora de conteúdos com 190 mil seguidores no Instagram. As más notícias transformaram-se em boas, o fim de um negócio deu origem a um novo trabalho a full time a fazer precisamente aquilo que mais a apaixona: viajar.

Nascida e criada em Lisboa, viveu quase sempre em viagens entre Portugal e a Suíça, país de origem do pai — e do qual também tem passaporte. Estudou por cá e lançou-se num primeiro negócio aos 18 anos a revender objetos decorativos. Pelo meio tentou a osteopatia.

“Tinha um cliente que era osteopata do Benfica. Achei que era uma profissão interessante e acabei por tirar o curso, mas nunca exerci”, conta. “O negócio estava a correr bem.”

Correu até não correr mais. Os sites de venda direta na Internet ganharam popularidade e os clientes acabaram por desaparecer. Virou-se para o turismo quando a indústria estava em pleno boom. “Em 2019 a concorrência já começava a ser complicada e em 2020 a pandemia tornou tudo insustentável.”

 
 
 
 
 
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O fim da empresa coincidiu com o reacender de outra paixão. Inês não era propriamente uma novata nas redes sociais. Na conta pessoal com cerca de 40 mil seguidores ia partilhando fotos e vídeos das duas a três viagens que fazia questão de fazer por ano.

“Era uma coisa lúdica, publicava para aí uma foto por semana. Não ligava muito. Via-a como uma conta pessoal, era mais para mim e para os meus amigos mais chegados.” Não o foi por muito tempo.

Tinha um arquivo tão grande de imagens tiradas nas viagens que já fizera que começou a partilhá-las com uma frequência cada vez maior. No verão de 2020 começou a ler sobre redes, a apostar numa edição mais cuidada e, claro, a comunidade começou a crescer.

“Tendo em conta que não havia qualquer custo, pensei ‘porque não?’”, conta. Se a ideia era fazer da paixão por viagens um negócio, era preciso encontrar forma de rentabilizar o esforço.

Sem nada a perder, começou a enviar emails para hotéis. E rapidamente recebeu uma resposta. “Para minha surpresa, muitos aceitaram e isso deu-me força para continuar.” Fez as malas e viajou para Santorini, a primeira viagem que fez já como criadora de conteúdos.

“A partir daí percebi que era viável. Investi em cursos para perceber melhor o algoritmo, aprender a obter mais engagement, como chegar mais facilmente às pessoas. Investi para ter mais retorno e foi exatamente isso que aconteceu.”

 
 
 
 
 
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Em 2021, mesmo com todas as restrições pandémicas que obrigam a triplos saltos mortais logísticos de última hora, já conseguiu fazer oito viagens. E até ao fim do ano ainda tem mais duas marcadas. Destinos: Nova Iorque e Finlândia.

Não se pense que nesta vida pouco mais se faz do que beber mojitos fresquinhos com os pés na piscina. “As viagens exigem muita organização. É preciso acordar cedíssimo para poder fotografar e encontrar os locais sem ninguém”, explica. “Em Budapeste, quis fotografar o Fisherman’s Bastion e tive que acordar às seis da manhã — e mesmo assim, quando lá cheguei, já lá estavam vários fotógrafos.”

“Por vezes, existe a ideia de que é tudo maravilhoso, mas não. É preciso fazer muito sacrifício, dormir muito pouco, apanhar frio e, por consequência, uma ou outra gripe”, explica. Só ainda não apanhou Covid-19. E saudades dos tuk tuks? “Para já ainda não tenho.”

Ao contrário do turismo na cidade, para Inês, a pandemia até veio trazer novas oportunidades, à sua vida e à área de criação de conteúdos direcionados para o turismo. “Há hotéis de luxo e grandes cadeias que normalmente não precisariam de divulgação, e que agora percebem que é útil para mostrarmos que por lá, tudo é muito seguro.”­

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