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Bela e assustadora: uma das piscinas mais fundas do mundo tem água termal a 34 graus

O Terme Millepini, a poucos quilómetros de Pádua, integra o maior e mais antigo complexo termal da Europa.

Em Itália, as termas são uma verdadeira instituição. O costume remonta à época dos romanos, responsáveis pela construção dos primeiros balneários nas várias nascentes de águas termais espalhadas pelo país.

Um dos destinos termais transalpinos mais famosos e concorridos é a Bacia Termal Euganee, situado nos arredores de Pádua, na região do Veneto, no norte da Itália. Compreende uma área de 36 quilómetros quadrados no sopé das Colinas Euganen e abrange cinco cidades: Abano, Montegrotto, Galzignano, Battaglia e Monteortone di Teolo.

Com mais de 110 estações termais especializadas em tratamentos com lamas, o Terme Euganee é o maior e mais antigo complexo termal da Europa. As águas meteóricas hipertérmicas brotam à superfície de forma espontânea a uma temperatura média de 75 graus e com picos de aproximadamente 86 graus. Apresentam radioatividade residual e um elevado teor de sais minerais provenientes da erosão das rochas (cloro, sódio, potássio, magnésio, enxofre, brometo, iodo e dióxido de silício).

As propriedades terapêuticas destas águas são conhecidas há mais de dois mil anos. A história das fontes de Montegrotto remonta ao culto de Aponus, antigo deus romano das fontes termais, que deu origem ao nome da cidade de Abano.

O imperador Augusto mandou construir várias piscinas luxuosas na região, revestidas com mosaicos e estuques, que foram também frequentadas por Plutarco e Tito Lívio. Atualmente, a bacia termal recebe milhares de turistas por ano, que ali chegam em busca dos famosos tratamentos com lamas dos diversos spas termais da região.

Um dos empreendimentos mais concorridos é o Hotel Terme Millepini, em Montegrotto Terme (a 11 quilómetros de Pádua e a 45 de Veneza). Dispõe de 100 quartos de várias tipologias, três piscinas termais a diferentes temperaturas, jacuzzis, gruta termal, campo de ténis, spa e wellness center, centro de conferências e salas de reuniões.

Fundado em 1978 pelo pintor e poeta Giuseppe Boaretto, está instalado num “acolhedor e silencioso parque privado de mais de três hectares” que alberga também o maior atrativo do empreendimento. A Y-40 Deep Joy, uma piscina cilíndrica com 42,15 metros de profundidade (o equivalente à altura de um edifício de 14 andares) tem cavernas em vários níveis. A estrutura pensada para iniciantes ao mergulho possui ainda várias saliências, painéis de visualização subaquáticos e um túnel transparente onde é possível “caminhar debaixo de água”.

Millepini Hotel Terme & Y-40
O túnel onde é possível “caminhar debaixo de água”.

Projetada pelo renomado arquiteto Emanuele Boaretto e inaugurada a 5 junho de 2014, foi reconhecida pelo Guinness World Records como a piscina mais profunda do mundo. A Y-40 deteve o recorde até 2020, sendo atualmente a terceira mais profunda do mundo, atrás da Deepspot (com 45 metros de profundidade, na Polónia) e pela Deep Dive Dubai (com 60 metros de profundidade, nos Emirados Árabes Unidos).

A estrutura italiana continua a ser a piscina mais profunda do mundo com água termal — tem capacidade para uns impressionantes 4.300 metros cúbicos, que são mantidos a uma temperatura entre os 32 e os 34 graus. Ou seja, ao contrário do que acontece com os mergulhadores de águas profundas, os exploradores da Y-40 não precisam usar fatos de neoprene — podem mergulhar e nadar de fato de banho.

Este “grande aquário humano”, como também é conhecido, pode ser frequentado gratuitamente, de terça a sexta-feira, das dez às 22h00; e aos sábados e domingos das nove às 18h00.

Os hóspedes podem nadar livremente na Y-40 (sem acompanhamento de um instrutor de mergulho e em determinados horários) na área reservada para o efeito, a uma profundidade de 1,3 metros e mediante pedido na receção do hotel. No Bar Bistrot, com vista para as cavernas subaquáticas, é possível tomar o pequeno-almoço ou cocktails durante todo o dia.

O spa termal com mil metros quadrados é o ponto nevrálgico do hotel e “um oásis regenerador de tranquilidade que predispõe ao bem-estar e ao relaxamento”, lê-se no site. “O objetivo é restaurar o equilíbrio psicofísico recorrendo a elementos e técnicas conhecidas desde a época romana e à água salgada bromo-iodada da bacia termal do Euganee.”

Terapia de lama, balneoterapia, tratamentos de inalação, fisioterapia e hidrocinesioterapia são algumas das propostas disponíveis. A lama utilizada é composta por argila e água termal e atua como relaxante muscular, analgésico e ajuda na prevenção da inflamação artro-reumática.

Os banhos de lama só são realizados após um check-up médico, onde é delineado o plano de tratamento adequado. Os preços variam consoante o programa a realizar, mas existem pacotes de cinco noites com cinco tratamentos a partir dos 575€ por pessoa.

O spa inclui ainda uma gruta termal Ninfea que combina vapores térmicos com duches e banheiras de água fria revigorantes; biossauna húmida a 60 graus, sauna finlandesa a 90 graus; cascata cervical; caverna “Gea” com cromoterapia e hidromassagens na piscina externa, com ligação direta à interna.

Quanto à estadia no Terme Millepini, os preços começam nos 130€ (por noite, para dois adultos, num quarto standard, sem pequeno-almoço nem tratamentos). A solução mais vantajosa é optar por um dos vários pacotes disponíveis, que incluem várias noites, diversas terapias e acesso à Y-40. As reservas podem ser feitas online.

Como lá chegar

A melhor forma de chegar a Montegrotto Terme é voar diretamente para o aeroporto de Veneza. Se partir de Lisboa poderá viajar com a Ryanair (ida e volta) a partir de 106€. Quando aterrar, a opção mais rápida é alugar um carro até ao hotel, a cerca de 75 quilómetros (uma viagem de aproximadamente uma hora).

Carregue na galeria e veja algumas imagens do hotel e também da incrível piscina Y-40, com 42 metros de profundidade.

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