Viagens

A Wind Family está de volta a Portugal — e trouxe memórias incríveis da viagem

Partiram de Cascais há mais de 400 dias e visitaram 15 destinos. De lá trazem histórias incríveis e uma união singular.
Tudo começou como um sonho.

Largarmos tudo e partirmos à descoberta do mundo é, para muitos de nós, um sonho — e disso não passa. No entanto, há pessoas que o tornam realidade, como a Wind Family.

Há um ano e dois meses Inês e João Saldanha Pisco, de 47 e 44 anos, juntamente com os quatro filhos, embarcaram numa viagem que os levaria a descobrir culturas e destinos longínquos. O nome escolhido para este projeto familiar está ligado à forma como pensam e veem estas deambulações. “Vamos ao sabor do vento. Isto quer dizer que vamos ao sabor daquilo que nos faz sentido na altura. Claro que sei qual é o destino, e onde vamos dormir, mas tudo de uma forma muito leve. Não saímos de cá com tudo planeado ao pormenor. Vamos e quando nos apetecer voltar, regressamos para matar saudades.”

A ideia de partirem à descoberta do mundo surgiu de um dos projetos de vida do casal. “O sonho do meu marido sempre foi fazer a travessia do Atlântico de veleiro com os nossos quatro filhos e o meu sempre foi viajar pelo mundo. Juntámos os dois sonhos, organizámos a vida de forma a que pudéssemos parar e sermos viajantes a tempo inteiro durante um, dois, três anos — durante um período indeterminado.”

A última vez que a NiT falou com esta família de Cascais estavam num destino paradisíaco, Martinica. Agora, regressaram a Portugal, e trouxeram consigo memórias de mais de 400 dias de viagem. “Viemos passar a época natalícia. Vamos um bocadinho ao Douro, mas a ideia de vir aqui é mesmo descansar, estar com o resto da família. Sabe muito bem parar um bocadinho”, conta Inês Saldanha Pisco à NiT. 

Antes de regressarem ao país de origem, o casal passou por 15 destinos diferentes. Mais recentemente, estiveram na Nicarágua, onde viveram uma experiência inesquecível. “É um país muito autêntico. Para pessoas que já viajam há muitos anos e que não vão na cantiga em qualquer destino, é preciso muito para as surpreender, e este país surpreendeu. As pessoas são muito puras.”

Além da Nicarágua, conseguem destacar outros destinos, como Bonair (uma pequena ilha nas Caraíbas, ao largo da Venezuela), “onde a água é mesmo incrível”, Colômbia, “que é um destino que todos deviam visitar porque é fantástico.” “Porto Santo que é mesmo aqui ao lado, Cabo Verde e Martinica” são outras das viagens que ficaram marcadas na memória.

Mas se alguns países se tornaram em pontos de eleição, há outros que não deixaram uma marca positiva na Wind Family, como é o caso da Costa Rica. Embora muitos de nós idealizem aquela região como uma viagem de sonho, as expectativas que a família criou não foram correspondidas. “Não é um destino muito wow. É espetacular e há animais por todo o lado, mas não me surpreendeu como a Nicarágua”, confessa Inês Saldanha Pisco.

A segunda casa da Wind Family está atualmente atrelada no Panamá à espera que o riso dos miúdos a volte a encher. A espera acaba já em janeiro, quando vão partir para um sítio muito especial. “Já sabemos para onde vamos, mas não digo. Vai ser mesmo surpresa. Está toda a gente muito entusiasmada com a segunda temporada, especialmente nas nossas redes sociais, onde são muitos queridos. A única coisa que posso dizer é que apanharemos um avião e chegaremos a algum lugar”, diz Inês Saldanha Pisco a rir.

Os 15 destinos que já visitaram, têm sempre uma coisa em comum: a abordagem. As viagens da Wind Family nunca são planeadas até ao último detalhe, e a experiência torna-se verdadeiramente enriquecedora graças à ajuda dos locais. “Chego lá, e primeiro gosto de conhecer o país e as pessoas. Gosto muito de falar com os locais,  perceber o que é giro ali, onde é que se come bem, o que é diferente. Aprecio ir um pouco à descoberta, muito mais do que ter tudo preparadinho”, explica-nos.

As diferentes culturas e países que podemos conhecer são as grandes atrações quando pensamos em fazer as malas e partir rumo ao desconhecido, mas no caso da Wind Family, também a ligação familiar os mudou completamente. “Ganhámos uma união familiar incrível. Estivemos sempre lá para os miúdos. Viajar a tempo inteiro deu-nos uma agilidade emocional e uma grande resiliência. Estamos sempre uns com os outros e conhecemo-nos muito bem, lidamos com o mau humor de um ou outro, sabemos respeitar o espaço de todos. O que evoluímos enquanto família foi mesmo o maior ganho. Tenho quatro filhos que estão unidos de uma forma que não acredito que aqui [em Portugal] fosse possível estarem.”

Os laços que estreitaram partilham o primeiro lugar do aspeto favorito de viajar,  com aquilo que sente. “A minha parte favorita de viajar é sentir-me viva. Viver intensamente, para o bem e para o mal, é uma sensação ótima. É aquilo que me dá o propósito de viajar — sentir-me viva.

Ao comparar-se com a Inês de há pouco mais de um ano atrás, refere que vê bastantes mudanças. “Sinto-me uma pessoa completamente diferente, muito mais calma e ponderada. Ao viajar acabei por perceber que o tempo traz coisas muito boas à nossa vida”, acrescenta. Também os filhos regressaram a Cascais mais maduros. “Em pouco mais de um ano, a Alice e o Manel, que são os mais velhos, 11 anos e 9 anos, falam perfeitamente espanhol. É impressionante. Num ano arranham também muito bem o inglês. Quando conheces pessoas e amigos de outras línguas, desenvolvemos os idiomas de uma maneira que em nenhuma escola em Portugal se consegue fazer”, conta a mãe.

Após uma curta pausa para passar a quadra natalícia em casa, a família voltará ao mar. Segundo Inês Salda Pisco nos revela, esperam apenas regressar por volta do Natal de 2022, para matarem, mais uma vez, as saudades da família. “Já percebi que passado um ano preciso mesmo de voltar à base, de ter as minhas coisas, ver as minhas pessoas.” 

 

 

 

 

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