Viagens

Está instalado o caos: afinal, os britânicos podem ou não viajar e ir de férias em maio?

Depois de o governo levantar a esperança sobre o próximo mês, algumas agências reagiram ao contrário, devido à "incerteza".
Continuam algumas dúvidas.

O governo britânico pode estar a planear uma retoma progressiva dos seus cidadãos às viagens e ao turismo mais cedo do que esperado, seguindo um sistema de semáforos de destinos, algo que seria aparentemente uma boa notícia, depois de alguns avanços e retrocessos sobre este tema — mas que pareceu lançar ainda mais confusão no setor.

Recorde-se que, ainda há poucas semanas, foi noticiado que o governo britânico estaria a ponderar uma extensão da proibição de viagens não essenciais ao estrangeiro até julho, avaliando mesmo a possibilidade de multar quem não respeitasse esta regra. Ainda há dias, o executivo de Boris Johnson publicou um documento oficial que instava as pessoas “a não reservar as férias de verão no exterior até que a situação fique mais clara”.

No entanto, esta quinta-feira, 8 de abril, vários meios internacionais começaram a anunciar que os planos do governo estariam, afinal, a apontar no sentido de os viajantes de Inglaterra poderem tirar férias no exterior este verão, eventualmente já a partir de 17 de maio. Isto ainda que apenas para um pequeno número de países e tendo no entanto de pagar cerca de 100 libras, ou 115€, ao regressarem a casa, por um teste à Covid-19.

Segundo adiantou o “Financial Times” na quinta-feira, o secretário de transportes, Grant Shapps, iria anunciar esta sexta-feira os planos de um “sistema de semáforos” para viagens ao exterior, sendo que a opção envolveria sempre testes de PCR no regresso, topo de gama e pagos, para tentar controlar novas variantes do vírus. O dia 17 de maio continuava, adiantava o jornal, a ser a primeira data possível para a retoma das férias no estrangeiro, com as autoridades a pensarem limitar esta possibilidade a um pequeno número de destinos, consoante o seu nível de vacinação e a prevalência de novas variantes de Covid-19.

Os EUA, Israel, Dubai, Gibraltar e Malta poderiam estar entre os primeiros países de uma lista verde de destinos aprovados para viagens, com as nações a serem classificadas como verde, amarelo e vermelho. 

Mais tarde, nessa noite, o secretário de Transportes Grant Shapps confirmou à “Sky News” que as pessoas poderiam “começar a pensar” em reservar férias de verão no exterior. No entanto, o governo recusou-se a confirmar se as férias no exterior seriam permitidas já a partir de 17 de maio, e a que destinos os britânicos poderiam viajar sem se isolar no regresso.

Jet2 cancela pacotes

Com tanto avanços, retrocessos e incertezas, já esta sexta-feira, 9 de abril, o presidente-executivo da Jet2, uma das maiores empresas de viagens do Reino Unido, anunciou que a gigante do turismo iria suspender voos e pacotes de férias até pelo menos 23 de junho, devido às dúvidas sobre as propostas de viagens do governo.

Steve Heapy, o diretor da agência, disse, também à “Sky News“, que a sua empresa gostava de levar as pessoas de férias, mas precisava de “mais clareza” do governo para conseguir isso. O responsável mostrou-se “extremamente decepcionado com a falta de clareza e detalhes” nos planos anunciados na noite de quinta-feira. Até porque os testes PCR a 100 libras são, como acrescentou o presidente-executivo da EasyJet, Johan Lundgren, “um golpe para todos os viajantes”, arriscando-se a permitir que apenas voassem “os ricos”.

Depois de tudo isto, já ao final da manhã desta sexta-feira, Grant Shapps reiterou, desta vez à “BBC“, que as pessoas na Inglaterra podem mesmo “começar a pensar em reservar férias no exterior novamente este verão”.

Sobre as críticas ao custo dos testes da Covid-19 exigidos, o secretário de Transportes admitiu que este valor precisará de ser reduzido. O governante também deu mais detalhes sobre o sistema de semáforos, que verá os países avaliados quanto ao risco e frisou que os passageiros terão que fazer os testes antes de sair e ao regressar, mesmo que o destino seja um país na lista “verde”. Shapps voltou a admitir a possibilidade de maio como o mais cedo para restabelecer viagens e acrescentou que agora é “a primeira vez que posso dizer que não estou a desaconselhar a reserva de férias no exterior”.

A lista de destinos no verde, amarelo e vermelho só deverá ser conhecida no início de maio mas o governante aconselha a quem fizer reservas que tenha um bom seguro, e fala numa “luz ao fundo do túnel”, inclusive para o setor dos cruzeiros, com o apoio das vacinas e uma aposta clara nos testes.

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