Viagens

Agência portuguesa de viagens vegetarianas está de volta com uma incrível aventura

Roteiro espiritual ao Sri Lanka marca o regresso da Macro Viagens depois da pandemia. E têm mais experiências em vista.
Uma experiência única.

Estiveram quase 20 meses em stand by devido à pandemia. Uma pausa, não uma paragem. Na verdade, durante este tempo Diana Chiu Baptista, natural do Porto, fundadora da primeira agência de viagens vegetarianas do País, não esteve propriamente sossegada. “Aproveitámos para praticar, estudar, reorganizar a nossa vida e… mudámos para o campo. Antes disso, vivíamos no Porto, mesmo no centro da cidade”, começa por contar à NiT.

Diana e o marido, o co-fundador da Macro Viagens Igor Chiu Soares, foram viver para o interior do Alentejo em dezembro 2020 e abriram por lá uma homestay, o Monte do Almo, a funcionar há um mês.

“É um projeto em sintonia com os valores da Macro Viagens, de turismo responsável. Recebemos hóspedes em casa para uma experiência intimista e familiar, de contacto com os ritmos da natureza, com prática de meditação, com pequeno-almoço macrobiótico vegan, caminhadas, e muito mais. Já tínhamos a intenção de mudar para o campo antes da pandemia, mas tudo isto fez-nos ter ainda mais vontade de viver com outro ritmo — mais próximos da natureza, com mais liberdade”, conta a empresária.

Esta não é a única novidade. Com o mundo a regressar progressivamente à atividade, embora ainda condicionada pela Covid-19, a agência portuguesa vegetariana de turismo responsável também está de regresso. E acabou de anunciar a sua primeira viagem — ao Sri Lanka, de 16 a 28 janeiro 2022 — um “recomeço a partir de onde parámos em março de 2020”, recorda Diana.

O programa é, como o mote, diferente das tours convencionais. Durante 13 dias, um grupo de cerca de 14 viajantes vai poder ter uma experiência profunda do Sri Lanka, com meditação e contacto próximo com a tradição budista Theravada: uma imersão na cultura local, na gastronomia e na natureza (que é deslumbrante).

Uma das magníficas paisagens do Sri Lanka.

Diana adianta alguns detalhes. “No local onde se encontra um excerto da mais antiga raiz da “Bodhi Tree” — junto à qual se diz que Siddhartha Gautama atingiu a iluminação (na árvore original, na Índia), vamos fazer oferendas, entoar cânticos e orações, como os locais, e olhar para dentro… Noutros momentos, vamos ter a oportunidade de exteriorizar todo o nosso entusiasmo por estarmos nesta ilha mágica!”, conta. Tudo é, frisa, diferente do convencional.  

Durante esta viagem os dias vão ser passados entre visitas a locais sagrados budistas, caminhadas na natureza, praia e meditação. “Isto quando o grupo não estiver nos mosteiros budistas Theravada a participar dos rituais diários com os monges, a receber ensinamentos e a servir refeições à comunidade monástica que nesta tradição é mendicante ou até a fazer karma yoga (que significa trabalho abnegado)”, refere a fundadora.

As refeições são, como em todos os programas da Macro Viagens exclusivamente vegetarianas, de comida tradicional local. “Por motivos de compaixão, saúde e ambientais. Uma medida em linha com a política de turismo responsável da agência”, adianta a jovem.

O programa, já disponível para consulta no site da Macro Viagens, tem o valor total de 2.190€, com tudo incluído no destino. De fora ficam os voos internacionais, seguro de viagem, visto e despesas pessoais.

Para quem tenha a vacinação Covid-19 completa, para entrar no país necessita de passaporte, visto, seguro, teste PCR e documentação enviada pela agência. A Macro Viagens dá apoio em todas as etapas, incluindo antes da viagem para que todos os viajantes levam toda a documentação em ordem.

Além deste programa ao Sri Lanka, a empresa lançou também uma viagem ao Nepal para fevereiro 2022. E promete mais novidades para breve.

A NiT já lhe contou tudo sobre a agência de viagens de autor, certificada pela BIOSPHERE Responsible Tourism. Fundada em 2017 por Diana Chiu Baptista e Igor Chiu Soares (casal que segue o Dharma de Buda e os preceitos da macrobiótica), a empresa oferece programas de viagem em grupo diferentes dos programas habituais. Os percursos privilegiam o contacto com diferentes tradições espirituais (especialmente com o Budismo) e com experiências mais realistas do que turísticas, de proximidade com à cultura e população locais.

A icónica viagem de comboio.

Na única agência portuguesa a comercializar viagens exclusivamente vegetarianas já viajaram desde 2017 mais de 200 pessoas, em diferentes grupos, para destinos como Índia, Himalaias, Sri Lanka, Nepal e Butão.

Segundo os fundadores da Macro Viagens à NiT, a agência e o seu tema são mesmo uma questão de fé e estilo de vida, mais do que apenas da alimentação. Os grupos são sempre pequenos, entre 10 a 18 pessoas.

Sobre a paragem deste ano e a nova aventura já programada e que promete ser mais espiritual que nunca, Igor Chiu Soares lembra que as restrições motivadas pela pandemia, vieram expor com maior intensidade alguns problemas que estavam latentes. “Como por exemplo, a solidão, a ansiedade ou o medo da incerteza”.

“O facto disto ter acontecido pode ter um grande potencial de transformação, se o soubermos usar a nosso favor. A tomada de consciência deste sentimento de fragilidade, de que a nossa mente, em grande medida, não está preparada para enfrentar alterações deste género, deve servir-nos de alerta. E de motivação para fortalecer a nossa capacidade de lidar com as emoções e cultivar uma mente com fundações fortes nas nossas qualidades interiores”, adianta.

Igor Chiu Soares refere-se a características como, por exemplo, a lucidez, a serenidade, a paciência, a compaixão e a resiliência, que podem ser desenvolvidas através de práticas contemplativas, como a meditação, nas tradições espirituais de países como a Sri Lanka, o Nepal, a Índia ou o Tibete.

Além disso, frisa, “conhecer culturas tão diferentes da nossa, com formas de ver a vida por vezes opostas àquelas a que estamos habituados, podem colocar em perspetiva as nossas crenças, a nossa forma de ver o mundo e até aqueles que consideramos serem os nossos problemas.”

Mesmo do ponto de vista da sustentabilidade social e ambiental, “não há nada mais eficiente do que cultivar uma mente que abandone visões associadas ao materialismo e às necessidades de consumismo exacerbado, mas que encontre dentro de si os recursos necessários para ter uma vida plena e realizada”, conta. “Isto traduz um pouco daquilo que é a nossa motivação quando organizamos estes programas: levar as pessoas a uma viagem sobretudo interior.”

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