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A aldeia de Menorca que parece Santorini está farta de turistas — e colocou restrições

Os moradores de Binibeca Vell estão cansados do lixo, do barulho e de ver estranhos a entrar nas suas casas. Agora fixaram um horário limite para as visitas.
Parece Santorini.

O aumento do turismo até pode ser bom para a economia do destino em questão, mas, para as pessoas que lá moram, ver as suas ruas rodeadas de pessoas pode não ser tão agradável. É precisamente isso que está a acontecer com Binibeca Vell, uma das aldeias mais famosas da ilha espanhol de Menorca.

Conhecida por ser a “Santorini espanhola”, pelas suas casas brancas e vielas estreitas, o local tornou-se quase tão popular como a própria ilha grega, com centenas de turistas a visitar o destino. Atualmente, o número de visitantes ronda os 800 mil por ano, com a maioria a chegar entre maio e outubro.

Os moradores da aldeia, contudo, estão cansados do lixo, do barulho e de ver estranhos a tentar entrar nas suas casas. Muitos queixam-se de episódios desagradáveis, em que os visitantes “sentam-se nas cadeiras, levam coisas, sobem aos muros ou fazem festas ao ar livre para beber”.

As reclamações têm sido feitas há anos, mas só recentemente é que começaram a ser implementadas medidas para combater os danos causados pelos turistas, como um incentivo de 15 mil euros dados aos residentes que ajudassem a limpar o lixo. Agora, durante o mês de maio, chegou uma nova medida para pôr termos à sobrelotação desta “Santorini espanhola”. 

Os proprietários das casas fixaram um horário limite para as visitas à aldeia, que agora só pode ser visitada entre as 11 e as 20 horas. “Queremos tomar o pequeno-almoço tranquilamente nos nossos terraços e dormir tranquilamente sem barulho”, afirmou ao “El Diario” Óscar Monge, representante dos 195 proprietários de imóveis da localidade.

O número de autocarros que circulam até Binibeca Vell também foi reduzido para metade. Quem não adorou estas novas restrições foram as lojas e os restaurantes do local. Apesar de perceberem a decisão, têm receio que possa causar prejuízos a nível financeiro.

O encerramento da aldeia já foi colocada em causa, mas é uma medida de último recurso, uma vez que pode prejudicar as cerca de 100 famílias da região, cujos hotéis, bares e lojas dependem do turismo local. Em declarações ao mesmo jornal, Begoña Mercadal, responsável pelo turismo do governo de Menorca, confirmou que os proprietários estão no seu direito de restringir as visitas. “Reconhecemos plenamente que se trata de uma propriedade privada e, portanto, se eles quiserem fechá-la, é um direito deles”, disse.

Apesar de parecer uma vila com muitos anos, a verdade é que foi construída em 1970 pelo arquiteto espanhol Antonio Sintes. Na altura, o objetivo inicial era atrair artistas e turistas e inspirá-los com uma criação idílica de uma vila de pescadores de Menorca. Assim foi construída uma vila labiríntica com 165 casas brancas com varandas de madeira.

Carregue na galeria para descobrir esta vila idílica na região das Baleares.

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