Casas de pedra com telhados partidos, estradas quase destruídas e um silêncio absoluto. É este o ambiente de uma aldeia nas Astúrias, em Espanha, completamente esquecida. Álvaro é o único responsável pelas casas deixadas para trás e herdou o amor pela terra da sua família, que cresceu ali.
“Foi nesta aldeia que a minha avó cresceu. O meu pai contava-me muitas histórias de quando vinha cá no verão, quando era criança”, contou o espanhol, de 39 anos, ao canal de YouTube “Hilux Aventura”. “Um dos meus principais objetivos é preservar a aldeia — garantir, pelo menos, que o acesso pela estrada está em boas condições, que há água e que as pessoas possam aproveitar o local quando visitam.”
Desde 2018, quando o pai morreu, Álvaro assumiu a responsabilidade de cuidar do território. Atualmente, a única construção preservada é uma casa renovada pela família do espanhol. As restantes estão destruídas, com telhados partidos e lixo no interior.
Uma das casas em ruínas chegou a acolher a única escola da aldeia. Durante anos, o estabelecimento serviu não só aquela região, mas outras povoações nos arredores. Mas hoje não resta “praticamente nada” no seu interior.
Álvaro mudou-se para as Astúrias há cerca de seis anos, por motivos profissionais. Aproveitou a proximidade com a aldeia da família para começar a preservar a sua história. Quando era miúdo, chegou a visitar os avós alguns dias no verão e era sempre uma aventura chegar até à propriedade nas montanhas.
“Tínhamos de deixar o carro mais acima e descíamos para a aldeia a pé, com as mochilas, o fogão portátil a gás e os mantimentos para cerca de 15 dias. Era uma aventura”, partilhou.
O principal motivo do abandono foi o despovoamento rural e o isolamento. A aldeia fica numa região rodeada de montanhas e não tem qualquer tipo de serviço ou infraestrutura. Com o passar dos anos, as famílias foram deixando a região à procura de melhores condições de vida noutras zonas.
Hoje, tudo o que resta são memórias e uma aldeia esquecida no meio das montanhas. No interior de algumas casas, ainda existem objetos deixados para trás. Uma das construções, inclusive, tem um documento que remonta a 1794, tendo sido este o ano em que a residência foi feita.
Outras residências contam com quadros, fotografias, móveis antigos, camas de ferro, entre outros objetos esquecidos, que ainda recordam a vida dos antigos residentes.
Leia o artigo da NiT sobre a historia de Maria, a portuguesa que também está a preservar a história de uma aldeia esquecida.








