Viagens

Ana Sena começou por descascar batatas, agora é uma estrela da inovação mundial

Duas emigrações, uma licenciatura, um mestrado e vários empregos depois, a portuguesa foi considerada uma das jovens mais promissoras pela "Forbes".
É natural de Vila Franca de Xira.

Aos 18 anos, Ana Sena conseguiu o seu primeiro emprego num pub britânico, numa tentativa de aliviar as despesas que estudar no estrangeiro implica. Como não tinha os conhecimentos necessários para trabalhar no atendimento ao público, cargo que almejava inicialmente, acabou como assistente de cozinha.

Descascar batatas, carregar sacos e lavar tudo o que fosse preciso foram algumas das tarefas pelas quais ficou responsável na altura. Doze anos depois, aos 29, lidera a estratégia de conteúdo e desenvolvimento de canais da Twitch, uma das maiores empresas de live stream, e integra a lista “30 Under 30”, da “Forbes”, que, anualmente, distingue os 30 jovens mais promissores com menos de 30 anos em várias categorias. Ana destaca-se na dos videojogos. Em entrevista à NiT, via Zoom, conta como chegou até aqui.

Natural de Vila Franca de Xira, mas criada em Alverca, Ana cresceu a responder à questão sobre o que queria ser quando fosse grande sem as certezas absolutas típicas das crianças. “Eu tentava arranjar uma posição. Via os outros a responder com algo concreto e procurava alguma coisa que me fascinasse ou interessasse mais, mas tinha a ideia de que, muito possivelmente, viria a mudar de opinião”, explica.

Certo é que, desde nova, sempre possuiu uma imensa curiosidade, que a levava a querer saber tudo sobre todas as coisas e a fazer muitas perguntas. Explorou, por isso, várias opções. Com uma mãe médica, contudo, não é de estranhar que surgisse uma inclinação para as ciências, até porque foi incentivada, mas eram as artes que mais a apaixonavam. Este segundo apreço era também estimulado pela mãe, para o qual muito contribuiu com o que chamava de “dia de museu”.

“Todos os domingos, a minha mãe acordava-me a mim e ao meu irmão muito cedo e dizia que era ‘dia de museu’. Íamos a um diferente a cada semana”, recorda, nostálgica. “Como os que escolhia eram todos relacionados com arte, música ou teatro, acho que, sem querer, enquanto nos tentava influenciar para o mundo das ciências, nos dava a conhecer muito sobre o das artes”. A atividade, o gosto por séries e filmes com que ocupava os tempos livres, assim como as idas ao cinema em família, levaram-na a juntar as peças e a entender que, se calhar, era esta área que mais a atraía.

Depois de concluir o secundário na Escola Artística António Arroio, fez as malas e, sozinha, partiu à descoberta de Inglaterra, onde estudou Produção de Cinema e Televisão na London College of Communication.

Rumo ao Reino Unido

“Uma coisa que os meus pais sempre me explicaram era que se gostasse de fazer alguma coisa, de uma profissão, devia tentar ser a melhor nessa área e dar o máximo de mim. Então, percebi que se ia estudar produção de cinema e televisão, e os meus conteúdos preferidos eram produzidos em inglês, talvez tivesse que estudar com os que eu considerava serem os melhores na época, mesmo que estivessem noutros países”, começa por dizer sobre a escolha da universidade. O saber falar a língua, que aprendeu desde os seis anos, era outro incentivo.

Os pais apoiaram, embora houvesse uma hesitação presente. “Não duvidavam que fosse capaz. Talvez pensassem que eu a qualquer momento ia querer voltar ou, mesmo que me licenciasse, ia regressar a Portugal. Além disso, perceberam rapidamente que a escola era mais cara noutros países”.

As incertezas não impediram Ana de se mudar e o arrependimento nunca chegou, mesmo com as dificuldades. “Não conhecia ninguém. Fui sozinha. Tinha um colega meu que ia para Inglaterra ao mesmo tempo, mas para outra escola e dormitório. Acabou por estar muito presente, conhecemo-nos melhor e ficamos melhores amigos, mas estava sozinha no dormitório e longe da casa e escola dele. Ainda assim, permanecemos bons amigos até à data de hoje”. 

Para se sentir incluída, tratou de conhecer o máximo de pessoas possível e de estabelecer amizades desde o início. “Não foi fácil, porém, sentia-me feliz por estar num país diferente. Cada vez que acordava, saía de casa e precisava de falar com as pessoas em inglês, no supermercado ou na escola, achava surreal. Parecia que estava num sonho. Era muito estranho falar em inglês em vez de português”, partilha.

Nos primeiros tempos, conta que se perdia muitas vezes. “Tinha de andar de metro. Depois, para poupar dinheiro, comprei uma bicicleta e deslocava-me com ela. Era uma hora para chegar à escola. Outra para voltar. Apesar de tentar orientar-me o melhor possível, acabava por me perder, independentemente do transporte”.

O mais complicado de administrar, contudo, era o lado emocional. “Acho que ao princípio tudo era uma aventura que não me parecia tão definitiva, pelo que era mais fácil tomar decisões, mas o tempo ia passando e as coisas foram ficando mais sérias. Pensava ‘ok, se calhar não vou voltar a Portugal e a minha vida vai ser diferente do que imaginei’, o que me levava a ter mais saudades de casa, da família. Passo a passo, tudo se tornava um pouquinho mais difícil”.

Surge a necessidade de conciliar a vontade de ser a melhor na sua área com o desejo de estar com os pais, o irmão, a família, pelo menos aos fins de semana, explica emocionada. “É algo que sempre acontece”.

Todo este processo e as descobertas decorreram enquanto tentava poupar o máximo de dinheiro possível e arranjar emprego para ter mais. Quando viu que as pessoas que lhe eram próximas estavam a concorrer a um trabalho num pub — ou já trabalhavam lá — resolveu arriscar. Pediu uma entrevista e foi uma vez servir bebidas à experiência. “Foi terrível”, diz categórica. “Não percebia nada do que os ingleses diziam, achava o sotaque muito difícil e eles tinham marcas de cerveja diferentes, sobre as quais não sabia nada. Disseram-me logo que nem pensar, que não podia trabalhar ali”.

Por sorte, precisavam de um assistente na cozinha. Se não estava preparada para lidar com o público, o trabalho pesado a carregar sacos, limpar tudo o que fosse preciso, lidar com as grandes máquinas industriais de lavar loiça e descascar batatas não a assustou. Era a possibilidade de cobrir algumas das suas despesas.

Também limpava e apanhava os copos que ficavam em cima da mesa numa espécie de bar-discoteca onde não serviam comida. “Mais uma vez, não me qualificava para responder aos pedidos que os clientes faziam, então deram-me outras funções. Não ia ao ginásio, mas estava em muito boa forma física”, brinca. “Ainda aprendi muito sobre o valor do trabalho”.

Apesar de importantes, até porque ajudavam a pagar as contas, os empregos deixavam-na “exausta” e, muitas vezes, diz ter-se sentido sem forças para estudar. No entanto, fazia o mesmo de sempre: “Continuava a dar o meu melhor e sentia-me muito motivada com as pessoas que trabalhava, porque eram bastante criativas — talvez mais criativas do que eu. Destacava-me na área de organização, produção, negócios, coisas em que os meus colegas, eventualmente, não eram tão ágeis”.

“Nem sempre tinha tempo para completar todas as tarefas. Havia filmes que não tinha visto e, se calhar, não conseguia ver, então tentava aprender o mais rapidamente possível. Também havia conceitos e teorias que devia ter estudado mais profundamente, mas pela natureza do que estava a fazer não consegui. Fiz sempre o máximo que podia”. O empenho deu frutos e três anos depois da sua chegada a Londres, licenciou-se com distinção. 

Duas coisas que ajudaram foram o autoconhecimento e a capacidade de planeamento. Além de saber no que se sobressaía, dos “orçamentos à produção, logística e organização”, e de conhecer o que lhe causaria mais problemas, como as “aulas de estúdio, câmaras e edição de imagem”, era bastante focada. “Definia o objetivo final e depois andava para trás e pensava quantos passos seriam necessários para alcançá-lo. Essa habilidade surgia e era muito presente nos trabalhos que fazia e acabava por me destacar, talvez, por ser mais organizada que os meus colegas”, relata.

Atualmente, vive em Los Angeles.

O sonho americano

Quando fez a primeira emigração, Ana nem sequer imaginava uma segunda. A hipótese começou a formar-se quando uma colega de turma, natural da Califórnia, lhe disse que se tinha candidatado a um mestrado na Chapman University e perguntou se não queria fazer o mesmo. Não conhecia a universidade, mas tratou de informar-se e, ao perceber “que era uma das melhores escolas de entretenimento e ficava perto de Los Angeles, onde se produzia muito do conteúdo”, resolveu arriscar.

A segunda mudança devia ter sido menos complexa, visto que agora contava com companhia. “Já tinha emigrado uma vez, sabia que os primeiros tempos seriam difíceis enquanto tentamos fazer com que as coisas aconteçam — arranjar uma casa, uma forma de irmos para a escola, é construir uma vida desde o zero. Com essa colega, achei que seria mais fácil, mas acabou por não entrar na escola. Ainda viajei com ela, conheci a família e fiquei na sua casa umas noites, mas tive de ir para mais perto da faculdade. Ela estava a duas horas de distância de carro”, conta.

Iniciou-se a saga em busca de um sítio para se instalar, que não fora uma grande preocupação por a colega lhe ter dito que não morava longe da universidade. Com as listas de espera intermináveis para conseguir um dormitório, chegou a ficar umas semanas num motel até perceber onde ia morar.

Assim, o que julgou ser mais simples acabou por revelar-se bem complicado. “Eu tinha estudado inglês e os meus professores eram de Inglaterra. Sempre me ensinaram sobre a cultura, o modo de viver, o tempo, os programas televisivos, pelo que me parecia mais familiar por associação. Os EUA eram muito diferentes. Não tinham nada a ver com a minha vida em Portugal ou em Londres”, descreve.

Também não foi tão planeado, mas “mais impulsivo”, o que tornou o processo de começar novamente do ponto de partida, cerca de 36 meses depois, particularmente “duro”. Além disso, diz que a América nos parece próxima pelo que vemos nos filmes e na televisão, mas ao vivo e a cores “é bem diferente”. Sentia-se deslocada. “A escola era muito boa, achava que não devia estar ali, que não tinha os conhecimentos necessários e não ia conseguir ter boas notas, concluir o mestrado”. Todos pareciam saber mais do que ela, sobretudo em matemática, mas persistiu.

Ao fim do primeiro ano — são dois de mestrado — as coisas estavam mais calmas. Percebeu que, apesar de Economia, Finanças e Contabilidade não serem o seu ponto forte, “era muito boa a fazer apresentações, por exemplo, em PowerPoint, e na parte do Marketing e Estratégia”. Também conheceu Isaac, o amigo que se transformou em namorado e agora é marido, e trabalhou em vários departamentos da universidade. “Estava enquadrada, tinha amigos, conseguia sobressair”, resume.

“Ajudei alunos a criar as próprias empresas e colaborei com o professor Harry Ufland, que estava aposentado mas tinha agenciado nomes como Robert De Niro e Martin Scorsese“. Com ele, aprendeu que a forma tradicional de iniciar a carreira na indústria do entretenimento era ir para uma agência de talentos e auxiliar escritores, diretores e atores a procurar trabalho. Então foi o que fez quando acabou o mestrado.

Antes disso, realizou vários estágios, um deles na John Wayne Enterprises, que licencia o nome e a imagem do conhecido ator de filmes de cowboys, e outro na The Gersh Agency, onde trabalhou com o agente do Will Ferrell, a quem pediu um trabalho quando se licenciou. Este ofereceu-lhe o cargo de rececionista e Ana não hesitou. “Gostava de trabalhar naquela empresa e não tinha problema em começar por baixo. Enquanto isso, continuava a candidatar-me a grandes agências, a enviar emails em que dizia ser perfeita para a posição de assistente e que podia ajudar”.

Não a consideravam qualificada para tal mas, um dia, a Creative Artists Agency perguntou-lhe se queria trabalhar lá como rececionista. Mais uma vez, aceitou a proposta sem duvidar e foi assim que entrou numa das maiores agências de talentos, que representa atores, músicos, youtubers, realizadores e produtores. Rececionar estrelas como Will Smith, Meryl Streep e Angelina Jolie, ajudando-as no que precisassem, tornou-se assim comum no seu dia-a-dia.

De carregar caixas com Jackie Chan a pisar (quase) Eva Longoria

Muitos são os episódios inusitados que se vivem com este tipo de trabalho. “O mais interessante era dizer olá a muita gente conhecida e ter de me manter muito calma. Foi a parte da minha vida em que aprendi a ser o mais tranquila possível. Era muito extrovertida e estas empresas ensinaram-me que, não importa quem está a falar contigo, tens de permanecer serena e educada”.

Há situações que não esquece, como a vez em que estava na receção e um agente andava muito perdido, à procura de alguém para o ajudar. Disse que podia fazê-lo e ele então pediu-lhe que o acompanhasse até ao carro. Quando lá chegou o motorista veio cumprimentá-la e apertar-lhe a mão. Era ninguém menos do que o ator chinês Jackie Chan. “Tranquilamente disse ‘Muito prazer, vim ajudar'”. Juntos, carregaram umas quantas caixas.

Noutra ocasião, vinha de almoçar e estava tão distraída a conversar que, quando entrou no elevador, quase pisou a super estrela Eva Longoria. “Os meus colegas não disseram, mas pelos olhares entendi que algo estava errado. Alertavam baixinho ‘dá um passo para a frente, dá um passo para a frente’. Só percebi o que aconteceu quando saímos do elevador”, ri.

Os desafios eram mais que muitos. “Os meus chefes pediam que fizesse acontecer coisas que eram um pouco difíceis. Por exemplo, há restaurantes que são de difícil acesso, só consegue fazer reserva quem conhece o dono. Era preciso ser criativa”. Foi assim que resolveu o problema quando o superior lhe disse que a esposa estava grávida e a família vinha para celebrar com eles, razão pela qual queria marcar mesa num restaurante.

“Era um espaço muito conhecido e, na altura, todos sabíamos que era impossível fazer reservas, mas queria sempre fazer o melhor e decidi não lhe dizer que não sem tentar. Então mandei um email a todos os assistentes — há centenas nesta companhia —, onde dizia que quem me conseguisse uma reserva ganhava uma garrafa de vinho”, conta. A solicitação peculiar atraiu as atenções de muita gente e, entre os vários emails, chegou a resposta que ambicionava. “Alguém conhecia o dono, fez uma chamada, marcou e, assim, consegui mesa neste restaurante impossível de reservar no meio de Los Angeles. O meu chefe lá foi celebrar”.

Ao fim de seis meses, precisavam de assistentes no departamento de desenvolvimento de negócios, candidatou-se e, como já tinha as qualificações necessárias, conseguiu o cargo. Ficou na empresa durante dois anos, ao longo dos quais ajudou a lançar a CAA China e tentava encontrar opções de negócio que permitissem a expansão da agência.

“Conseguir implementar os conceitos que tinha aprendido na escola e vê-los acontecer na vida real era o que mais me entusiasmava. Já tinha ouvido falar, estudado e até equacionado soluções para alguns dos desafios que o meu chefe apresentava, mas agora era a minha primeira experiência de trabalho e onde podia utilizar o que sabia”.

Da Creative Artists Agency foi para a Warners Brothers. “Queria muito trabalhar num estúdio de cinema, era uma ambição desde Portugal. O mundo digital estava a desenvolver muito e havia uma chance para assistente nesse departamento da companhia”, explica. Agarrou-se a ela e foi aí que percebeu a vontade de “trabalhar mais de perto com os talentos e os atores do mundo digital”. Foi então para a VidCon, em 2018, que organiza um evento com youtubers do mundo inteiro.

Com a pandemia, o que vinha a seguir tornou-se incerto. “Comecei a questionar-me sobre o futuro de criar eventos ao vivo. Obviamente não desaparecem, mas achei que não era uma oportunidade de crescimento para o negócio e se este não ia crescer eu provavelmente também não. Passei a tentar aprender mais sobre outro tipo de plataformas e descobri a Twitch, que vem do mundo dos videojogos. Tinha muita experiência em áreas distintas, a trabalhar com criadores de todo o mundo e de diversas categorias. Penso que me contrataram porque tenho uma rede grande de contactos com produtores de conteúdo, além de, facilmente, poder ligar a um agente”, diz.

Integra a Twitch Women’s Alliance.

Da Twitch à distinção da “Forbes”

Na Twitch trabalha como strategic partner, um cargo desempenhado por várias pessoas que colaboram com diferentes conjunto de nomes, a certificar-se de que estão contentes com a plataforma e com o respetivo canal. Respondem às perguntas e procuram soluções. Ana ainda ajuda a Twitch a expandir categorias diferentes e a trabalhar com vários criadores, os de topo e os emergentes.

Como podem juntar-se a vários projetos, a portuguesa voluntariou-se para liderar o programa Twitch Women’s Alliance, que se debruça sobre a aquisição de criadores que se identificam como mulheres. Não foi contratada, mas acabou a exercer várias funções. Está também a desenvolver uma incubadora de conteúdo para criadores hispano-americanos, de modo a “aumentar a representação, visibilidade e inclusão entre os criadores da Twitch”. Arranja-lhes oportunidades para participarem em torneios e serem patrocinados pelas marcas, por exemplo.

Ter emigrado e colaborado com empresas que exigiam muito de si, além da mentalidade ter sido sempre a de “vou tentar fazer com que aconteça”, faz com que acredite que nada será difícil. Mas não nega que continua a sentir-se assustada se alguém lhe pergunta alguma coisa numa reunião ou quer saber a sua opinião e pede para tomar a liderança num projeto. Procura, porém, olhar para o medo como uma motivação.

O trabalho árduo trouxe os seus frutos e, em dezembro, foi reconhecido pela “Forbes”, publicação norte-americana de prestígio internacional, que a elegeu como uma das 30 jovens com menos de 30 anos mais promissoras na categoria de videojogos. Ana tinha-se candidatado, mas a distinção surgiu quando menos esperava. 

Depois de concorrer em outubro, quando entendeu que o pior que poderia acontecer era não ser escolhida, não ouviu dizer mais nada. “Tinha preenchido o formulário e pedido aos meus mentores que me recomendassem, depois enviaram um email com mais perguntas. Li cada palavrinha, corrigi tudo o que pude e respondi. Nunca mais comunicaram”. Tentou abstrair-se e agarrar-se à ideia de que “no news is good news”. “Achei que não valia a pena fazer-lhes perguntas e incomodá-los”.

No início de dezembro, uma colega publicou num fórum que têm a notícia e Ana ficou “profundamente emocionada”. Não sabia que os nomes seriam anunciados naquele dia, então foi apanhada de surpresa. A distinção faz com que se sinta mais próxima de Portugal. Por um lado, considera que o reconhecimento transmite à família e amigos que está a “fazer um bom trabalho” e a empenhar-se nos projetos a que se dedica e, por outro, acredita que consegue mostrar aos portugueses, e principalmente a outras mulheres, que podem chegar às mesmas distinções ou a ainda melhores.

“Penso ser importante para outras mulheres em Portugal verem uma mulher portuguesa a ser distinguida internacionalmente pelo seu esforço e trabalho”, diz. Até porque quando estudava e começou a trilhar o seu caminho, “gostava de ter visto mulheres de sucesso em listas como a que integro agora. Mostraria que o que poderia fazer não era assim tão impossível”.

A sua atenção para o papel das mulheres, sobretudo na área do entretenimento, surgiu quando estava na Creative Artists Agency. “Uma vez, a Geena Davis, que estuda o papel das mulheres na indústria disse ‘se lês um guião e a personagem é um homem, pergunta-te se mudava algo se fosse uma mulher. Se a resposta for não, então porque não estamos a escrever com mulheres?” “Talvez seja algo básico”, diz Ana, mas “chamou-me a atenção para os papéis das mulheres em guiões que estava a ler levou-me a pensar”.

Sobre o futuro, a jovem não tem muito a dizer, apenas espera continuar confiante e a dizer que sim a cada oportunidade que surgir e lhe interessar. Ao seu eu de 17 anos, que se preparava para a primeira emigração, ansiosa embora um pouco receosa, gostava de dizer que “os projetos não precisam ser perfeitos, mas desempenhados”. “O meu eu de 17 queria ser perfeito em tudo. Aprendi que não é possível, assim como também não o é aprender tudo sobre todas as áreas, e não há problema. Mais importante que tentar alcançar a perfeição é superar os desafios que aparecem”.

Ana gostava também de se lembrar da importância de questionar a si própria sobre o que faria se não tivesse medo e tentar agir de acordo. “Dizia para enfrentar esses desafios e pensar que se dá medo é porque é um desafio bom, que vai ajudar a crescer. E para quando olhar para os objetivos, não me sentir pressionada por serem grandes, mas pensar nos passos que preciso para os atingir. Se estou mais perto, há que continuar”, conclui.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT