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Análise à múmia misteriosa de um Faraó revela que este foi executado numa cerimónia

Seqenenre Tao II governou há 3.600 anos mas a sua morte só agora foi esclarecida.
Mistério desfeito.

Entre múmias, lendas, deuses antropomórficos, costumes invulgares e construções que desafiaram o tempo, o Egito continua a ser terreno fértil e fascinante de investigação. E a verdade é que as melhorias tecnológicas e novos olhares têm permitido redescobrir histórias que pareciam já resolvidas.

É um pouco o que aconteceu com Seqenenre Tao II, faraó de cognome “o Bravo” que governou o Antigo Egito há 3.600 anos, num tempo em que a civilização se via a braços com guerras contra um povo asiático invasor, os Hicsos.

Pensa-se que Seqenenre Tao II, que foi casado com a irmã, Aotepe I (com quem teve dois filhos), teria 30 anos quando morreu. A sua múmia foi descoberta 1881 pelo egiptólogo francês Gaston Maspero. Já nos anos 1960, uma análise raio x permitiu descobrir lesões no crânio que tinham sido escondidas com o processo de embalsamento.

Explica o “The Guardian” que a múmia estava já em avançado estado de decomposição. Dado o tipo de lesão, ficou estabelecido que o faraó teria morrido em combate, com o seu corpo a ser conservado para a posteridade após ter sido recolhido do campo de batalha.

O arqueologista Zahi Hawass e o professor de radiologia Sahar Salim, da Universidade do Cairo, voltaram a debruçar-se sobre o tema. Análises TAC levadas a cabo e a reprodução de imagens 3D “revelaram detalhes das lesões cranianas, incluindo lesões que não teriam sido descobertas em exames anteriores”, explica um comunicado do ministério das Antiguidades do Egito.

Mais uma vez, destacou-se o incrível trabalho feito há milhares de anos de quem embalsamou o corpo. Mas não foram apenas as lesões cranianas que se destacaram. Os investigadores também compararam as lesões com as lâminas de diferentes armas usadas naquele tempo pelos Hicsos, além de se terem debruçado sobre as mãos da múmia. No estudo publicado na revista “Frontiers of Medicine”, os investigadores concluíram que as mãos do faraó tinham lesões consentâneas com as de alguém que estava “com as mãos amarradas atrás das costas e não se podia defender”.

Mais de três mil anos após a morte, mais de um século após a descoberta da múmia e décadas após as primeiras análises, estes investigadores concluíram que Seqenenre Tao II terá sido capturado no campo de batalha e vítima de uma execução cerimonial. Pelo meio, descobriram através de análises aos ossos que o faraó teria afinal cerca de 40 anos quando morreu, um pouco mais do que a idade que se estimava que tivesse.

Detalhe das mãos ajudou.

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