Viagens

António quer ser o “português mais jovem de sempre” a conhecer todos os países do mundo

O jovem, natural de Espinho, pretende passar por todos antes dos 25 anos. Está a partilhar tudo nas redes sociais.

Há cerca de dois anos, António Loureiro sentiu “uma urgência” em começar a viajar. O objetivo não era ter apenas uma ou outra aventura, mas sim percorrer o mundo, com uma condição: tinha que ser antes de completar 25 anos.

“Comecei a viajar por uma necessidade de compreender que o mundo está a mudar muito rápido e afligia-me o facto de não o conhecer como está atualmente”, explica à NiT o fotógrafo de 22 anos. “Fui também motivado por uma busca pessoal de não me conformar com aquilo que era a vida académica e profissional.”

Desde 2024, já conseguiu conhecer 30 países. No entanto, foi apenas em janeiro deste ano que decidiu criar uma página de Instagram para começar a documentar algumas das aventuras. À NiT, revela que, nos últimos dois anos, já se perdeu no Deserto de Atacama (Chile), dormiu na rua no Luxemburgo e fez voluntariado em 13 países diferentes — afinal, foi precisamente assim que tudo começou.

Desde o início do projeto, António queria viajar sem gastar muito e foi desta forma que começou a pesquisar os voluntariados da plataforma Worldpackers. “Faço essencialmente trabalhos ligados a animais de quinta, porque é onde tenho mais experiência”, refere. Em troca do trabalho, recebe alojamento, três refeições por dia e transporte. Nos tempos livres, consegue conhecer outras regiões dos países onde se encontra.

A primeira viagem que fez neste registo foi à Croácia, em janeiro de 2024. Ali, esteve num rancho de cavalos em Labin, uma zona rural que adorou conhecer. “Foi uma das melhores viagens que fiz, sem dúvidas”, revela. “Lembro-me também que fiz uma viagem à República Checa e a única coisa que paguei foram os voos de ida e volta. Lá, não gastei um cêntimo”. 

Já conheceu 30 países.

“Viajar não é barato e acessível. É um privilégio”

Em 2026, o objetivo de António é riscar mais 50 países da lista. As viagens, por norma, acontecem sempre nos períodos de férias do curso de Teatro que está a tirar na Escola Superior de Música e Artes de Espetáculo, no Porto. 

Quando está em Portugal, também aproveita para fazer trabalhos ligados à fotografia. É com o dinheiro que ganha que depois consegue viajar pelo mundo. Agora, por exemplo, está a atravessar o Sudeste Asiático e diz que tem a sorte de o Euro, quando convertido, valer mais nessas regiões. 

“Faço a gestão tendo sempre em conta que o poder de um trabalho feito na Europa, por exemplo, consegue sustentar 40 dias de viagem no Sudeste Asiático, na América Latina ou na África”, explica. Além disso, diz ter a consciência do privilégio que tem em ter um passaporte português, considerado um dos mais poderosos do mundo.

“Muita gente não tem noção do privilégio que isso é. Uma coisa que não quero trazer para o meu projeto é aquela ideia que viajar é barato e acessível porque não é”, frisa. “É um privilégio que muito pouca gente tem e temos que ter noção que grande parte da população mundial sobrevive com menos de 7 dólares por dia. Portanto, quando falamos que um hostel é barato porque custa só 7 dólares, é barato numa visão europeia, não é a realidade da maior parte do mundo.”

 
 
 
 
 
View this post on Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A post shared by António Loureiro (@antonio.uncharted)

Depois do Sudoeste Asiático, o português pretende terminar os países que ainda faltam na Europa, sobretudo aqueles no leste europeu. “Mais tarde, vou terminar as Américas todas e voltar para o Médio Oriente e para o norte de África. Por fim, vou conhecer as ilhas do Pacífico, que são as mais distantes.”

O jovem português também pretende percorrer países em conflito. Um dos sonhos que tem é, aliás, tornar-se fotojornalista e documentar “zonas de crise e grandes emergências humanas”. 

“Independentemente da situação política ou social de um determinado país, quero conhecê-la e documentá-la, acima de tudo”, garante, acrescentando que já tem uma viagem marcada para a Nigéria, que enfrenta atualmente uma das crises de segurança mais graves das últimas décadas. 

Durante a viagem pelo Sudoeste Asiático, também pretende passar pela Tailândia e o Camboja, cujos conflitos na fronteira intensificaram no verão passado. 

Por outro lado, um dos países que mais está animado para conhecer é a China, por considerar uma região que “nos pode dizer muito sobre o futuro.” Logo atrás, estão os do Médio Oriente. “Acho que existem muitos tabus e muito preconceito relacionados a estas zonas. Quero visitá-los e desmitificar alguns mitos, para aproximar-me mais deles e conhecer a realidade mais de perto”.

A aventura pelo globo deverá chegar ao fim em 2028, quando completar os 25 anos. “Não há muitos portugueses que já visitaram todos os países do mundo, muito menos antes dos 25. Portanto, quero ser o português mais jovem de sempre a conseguir isso. É o que me motiva ainda mais.”

Carregue na galeria para ver algumas fotografias das viagens que António já fez nos últimos dois anos.

ARTIGOS RECOMENDADOS