Viagens

Aos 33 anos, comprou uma mota. Agora organiza viagens de mototurismo só para mulheres

Juliana Rocha sempre disse que iria ter um veículo de duas rodas, mas nunca imaginou que iria lançar a Road for Women.
É só para mulheres.

Aos 33 anos, Juliana Rocha adquiriu a sua primeira mota, uma FB Mondial HPS 125cc. Apesar de não ter nenhuma ligação ao mundo do motociclismo, sempre soube que iria ter um destes veículos de duas rodas. Embora viajasse sozinha desde os 19, só passou a encarar o mundo de uma forma diferente há quatro anos.

“Comecei a fazer parte da paisagem. Percebi que podia parar facilmente onde quisesse, sem me preocupar com a falta de lugares disponíveis. Podia explorar locais inacessíveis de carro, o que proporciona uma sensação de liberdade incrível”, conta a arquiteta, atualmente com 37 anos, à NiT. Juliana já não se lembra da última vez que viajou de avião.

Volvidos dois meses sobre a compra da FB Mondial HPS 125cc, que inicialmente era utilizada apenas para passeios curtos, aventurou-se a percorrer a Estrada Nacional 2. Após essa experiência, decidiu partir sozinha rumo à Alemanha, a primeira vez que saiu de Portugal num veículo de duas rodas. A partir dai, começou “a ganhar-lhe o gosto”.

Quando adotou o novo estilo de vida, decidiu criar uma conta no Instagram onde partilhava conteúdos sobre as suas aventuras em duas rodas. Inicialmente, era apenas para se divertir, mas a partilha nas redes sociais acabou por abrir portas a um projeto que nunca imaginou concretizar. E se, ao invés de viajar sozinha, pudesse fazê-lo com outras mulheres que também têm o desejo de descobrir o mundo?

“A página começou a ter muitas seguidoras, que ficavam admiradas por fazer viagens tão longas sozinha. Muitas não se sentiam confortáveis, nem a viajar com grupos mistos”, explica.

 
 
 
 
 
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Uma publicação partilhada por Road For Women – 1a organização de MotoTours no Feminino 🇵🇹 (@road.for.women)

A inspiração para avançar com a “Road for Women” surgiu durante uma viagem que fez com amigas a Marrocos, em junho de 2023. Naquele momento, percebeu que poderia ser uma experiência a repetir com mulheres que não conhecesse.

Apesar de ter sido num registo mais friendly, sentia-me responsável porque organizei quase tudo. Aí percebi que podia dar o salto e planear outro tipo de percursos”, adianta. É verdade que existem muitas agências para moto turistas, mas nenhuma delas era dedicada apenas a mulheres. 

“Há muitas que não se sentem confortáveis em inscrever-se numa viagem em que mais de metade das motas são conduzidas por homens, que têm veículos com mais cilindrada e outro tipo de postura na estrada”, explica. Para Juliana, o importante é que as mulheres deixassem de “ser penduras” e que perdessem o receio de fazer longas viagens com os veículos de duas rodas.

Com isto em mente, criou então a “Road for Women”, a primeira organização de grandes viagens de mototurismo direcionadas para o público feminino, cuja primeira aventura aconteceu em outubro passado. Ao lançar o projeto, decidiu comprar uma Honda África Twin CRF1000, mais adaptada a percursos longos.

Depois de Marrocos, fez a primeira viagem de grupo para a Serra da Estrela e aldeias históricas. Já foi a Sardenha durante 12 dias, aos Picos da Europa no mês de junho e, em outubro, voltarão ao destino onde tudo começou: Marrocos. “É uma dinâmica completamente diferente, fazemos tudo ao mesmo ritmo. Se por preciso ir a 30 ou 40 quilómetros porque uma das participantes se sente mais desconfortável, vamos. Se quisermos parar para tirar 50 fotografias, paramos”, sublinha.

A tour pelo país do Norte de África vai acontecer entre 7 e 19 de outubro e, juntas, vão percorrer os pontos-chave do destino, sempre em estrada. Será uma média de 200 a 250 quilómetros por dia. 

Ao longo de 13 dias, após apanharem o ferry para Marrocos, vão passar por Rabat, Fez, Chefchaouen, Casablanca, Merzouga (onde vão passar uma noite no deserto), Tinghir, Ifrane, Marraquexe, Todra Gorges e Cascatas de Ouzoud. A viagem custa 1.500€ e inclui a estadia em hotéis de três e quatro estrelas, refeições, moto 4 pelas dunas e três entradas turísticas definidas no programa. As inscrições podem ser feitas através das redes sociais.

A tour acontece com sete mulheres no máximo, um número que Juliana pretende reduzir no próximo ano. “É mais intimista assim. Regressamos a saber o nome de toda a gente”, adianta.

Para 2025, já tem algumas datas definidas. As viagens pelos Picos da Europa e Sardenha vão voltar a acontecer, mas também tem planos para aumentar a oferta a outros destinos

Carregue na galeria para ver algumas fotografias das tours da “Road for Women”.

 

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