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A árvore de Natal mais famosa do mundo já está montada em Nova Iorque

O abeto içado no Rockefeller Center tem 23 metros de altura e vai contar com 50 mil luzes. A inauguração acontece em dezembro.

É um dos pinheiros de Natal mais famosos do planeta. Mesmo quem nunca o viu ao vivo consegue identificá-lo graças às muitas aparições em filmes e séries populares. A árvore de Natal do Rockefeller Center, em Nova Iorque, tornou-se num símbolo da quadra e, todos os anos, é uma das principais atrações da cidade.

Já apareceu em clássicos como “Sozinho em Casa”, “Elf”, “When Harry Met Sally” e “Dash & Lily”. Este sábado, 8 de novembro, foi finalmente içado o abeto que vai marcar a temporada natalícia de 2024. Foram necessários dezenas de operários, guindastes e muita logística para transportar as 11 toneladas até ao centro da cidade.

O exemplar escolhido tem 23 metros de altura e foi trazido da cidade de East Greenbush, nos arredores de Albany, no estado de Nova Iorque. Como é tradição, será decorado com mais de 50 mil luzes LED e vai ostentar uma estrela Swarovski no topo, coberta com três milhões de cristais e avaliada em milhares de euros.

A cerimónia de inauguração da árvore está marcada para 3 de dezembro e será transmitida em direto na televisão. A estrutura permanecerá em exibição até janeiro de 2025. Quando as festividades terminarem, a madeira será doada à associação Habitat for Humanity, que a irá reaproveitar em projetos comunitários.

Como nasceu a árvore de Natal mais icónica do mundo

Tudo começou em dezembro de 1931, quando os trabalhadores do Rockefeller Center juntaram o dinheiro para comprar uma árvore de Natal. Os homens da construção civil que erguiam o empreendimento decoraram o abeto de apenas seis metros com grinaldas feitas à mão pelas próprias famílias, para trazerem um pouco de calor e magia ao local. Viviam-se tempos difíceis, em plena Grande Depressão.

A crise económica assolava os Estados Unidos, como recorda a “Culture Trip”. O país tentava sobreviver após a queda do mercado acionista em 1929, “quando cada centavo contava”, o grupo de trabalhadores da construção civil juntou (algum) dinheiro para fazer a compra simbólica.

“Não era comida, roupas nem combustível. Em vez disso, compraram uma árvore de Natal para ficar no local do Rockefeller Center, que estava apenas a começar a ser construído no centro de Manhattan”, lê-se na publicação. O abeto com as grinaldas feitas em casa serviu como um símbolo de esperança e otimismo durante aqueles tempos financeira e economicamente complicados.

Os trabalhadores acabaram por criar uma tradição monumental que se alastrou ao resto do mundo. Apenas dois anos depois, com a situação um pouco melhor, um publicitário do Rockefeller Center iniciou uma cerimónia de iluminação de árvores, que aconteceu na praça entre as ruas 48 e 51 e a Quinta e Sexta avenidas, desde então. O centro decidiu então tornar a árvore de Natal uma tradição anual: apadrinhou e assumiu a primeira cerimónia de iluminação do pinheiro nesse ano.

Em dezembro de 1936, já havia mais novidades e motivos para festejar: nesse ano, não uma, mas duas árvores foram erguidas no local, onde até aconteceu um concurso de patinagem, para assinalar a inauguração do famoso ringue.

Uns anos depois, voltaram os tempos mais difíceis: em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, quando a árvore já era um ícone, a decoração mudou para um tema mais patriótico, com decorações vermelhas, brancas e azuis e estrelas de madeira pintadas à mão. Nesse ano, não se podia usar ali nenhum material que pudesse fazer falta ao esforço de guerra, pelo que era uma versão minimalista.

É montada no local desde 1931

Dois anos mais tarde, o mundo continuava em guerra e o abeto foi erguido, mas sem luz, devido ao racionamento do consumo de energia imposto pela situação geopolítica. Algo que voltou a acontecer nos Natais seguintes. Quando o conflito terminou, em 1945, seis projetores de luz ultravioleta foram usados ​​para fazer parecer que os 700 globos fluorescentes da árvore brilhavam, compensando a escuridão dos anos anteriores.

Em 1951, a cadeia de televisão NBC passou a transmitir a cerimónia de iluminação da árvore de Natal do Rockefeller Center, o que ajudou a consolidar a mística associada ao famoso pinheiro. A inauguração realiza-se sempre na semana seguinte ao Dia de Ação de Graças, sendo um evento gratuito e aberto ao público, por ordem de chegada. O local acolhe milhões de visitantes durante a quadra natalícia e o Ano Novo, permanecendo em exibição na primeira semana de janeiro.

A partir dessa altura, com todo o país e o mundo a poderem admirar a árvore, tudo se tornou progressivamente mais elaborado e aprimorado. A decoração foi ficando cada vez mais detalhada e luxuosa e chegam a ser necessários 20 trabalhadores em andaimes, durante vários dias, para a decorar totalmente.

Em 1969 chegaram à árvore as também famosas figuras e anjos de arame da escultora Valerie Clarebout. Hoje em dia, com toda a decoração, a árvore — normalmente um abeto norueguês com mais ou menos 50 anos e 18 a 30 metros — chega a ser decorada com oito quilómetros de luzes LED.

Como se isto não bastasse, a partir de 2004 passou a ser adornada por uma estrela com milhões de cristais Swarovski, cada vez maior e mais luxuosa. A deste ano tem três milhões e pesa cerca de 408 quilos.

A tarefa de encontrar a árvore certa a cada novo ano também não é fácil e recai sempre sobre o jardineiro-chefe do Rockefeller Center, explica a “Culture Trip”. O responsável percorre os estados circundantes à procura do abeto ideal. E chega mesmo a fazer uma shortlist com meses de antecedência — vigia e trata os candidatos ao longo do ano e depois escolhe o vencedor. O abeto é sempre doado pelo proprietário, de bom grado.

Quando o Natal termina e as luzes se apagam, a árvore gigante já chegou a ser replantada (algo que se relevou infrutífero). Hoje em dia, acaba por ser cortada e a madeira é enviada para construção civil de grupos associados à caridade.

Até agora, o recorde em termos de altura foi registado em 1999, quando a árvore media 30 metros. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, foi decorada com o vermelho, branco e azul patrióticos, como acontecera durante a guerra, num símbolo de homenagem e patriotismo.

Carregue na galeria e veja algumas fotografias da árvore de 2024.

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