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Árvore de Natal do Rockefeller vinha com uma coruja — a história tornou-se viral

A árvore é considerada um exemplo de 2020: pelo seu aspeto, mais desgrenhado, e pela aventura da coruja, sinal de esperança.
A coruja da árvore (Ravensbeard Wildlife Center).

Todos os anos, é notícia pelos mesmos motivos: a árvore de Natal do Rockefeller Center, no centro de Nova Iorque, normalmente percorre centenas ou milhares de quilómetros para chegar ao seu destino e por lá fica, no coração de Manhattan: linda, luminosa, gigante, presença certa nas redes sociais e feeds de todo o mundo, um verdadeiro sonho natalício.

Em 2020, o ano em que tudo é diferente, também a árvore chega aos media, Facebook e Instagram não pela sua beleza e imponência mas por dois fatores: um negativo e um positivo, polos que se tornam, acreditam muitos norte-americanos, extremamente simbólicos deste insólito ano.

O motivo negativo é a aparência: ou foi, melhor dizendo. Praticamente ninguém duvida que a árvore ficará incrível quando estiver toda decorada e iluminada; mas por coincidência, especialmente neste ano onde tudo está tão difícil e o Natal será praticamente cancelado, o abeto chegou a Nova Iorque com pior aspeto do que nunca: parecia desgrenhado, sem ramos suficientes, partido, com falhas na base. 

As reações e comentários não se fizeram esperar: “esta árvore parece 2020”, foi uma das frases mais proferidas nas redes sociais. “Se fosse uma bela árvore, teria sido surpreendente”, disse Emily Brandwin, uma podcaster citada pelo “New York Times“. “2020 é uma lata de lixo e é tipo, claro que não podemos ter coisas boas”.

A árvore vai ter as suas luzes ligadas no próximo dia 2 de dezembro, mas este ano não há cerimónia, público, concertos, transmissão televisiva, como de costume. Juntando essa informação ao seu ar abatido, a reação dos norte-americanos foi esmagadoramente desolada.

Muitos disseram que era, simplesmente, uma metáfora do que temos passado: outros compararam com a árvore fina do filme da Peanuts de 1965, “A Charlie Brown Christmas”. Os responsáveis garantem que ela estará incrível quando pronta e muitos lembram que, também neste filme, os amigos de Charlie Brown transformam a árvore triste em algo muito mais alegre, o que pode ser um sinal.

Falando em sinais, com 25 metros de altura, 15 metros de largura e 11 toneladas, o abeto da Noruega veio de Oneonta, mas eis que de repente a notícia do seu aspeto foi substituída por outra: desta vez, positiva e de esperança.

É que, na viagem da cidade de Oneonta à capital do estado, de quase 300 quilómetros, terá havido um convidado inesperado: uma coruja. O animal poderá ter estado três dias sem água ou alimento, sendo descoberto no desembalamento da árvore e entregue a um centro de reabilitação de animais, para depois ser devolvido à natureza.

A notícia foi avançada por este centro de acolhimento de animais, o Ravensbeard Wildlife Center, que conta a história do segredo da árvore de Natal no seu Facebook.

“Estamos animados para compartilhar uma rara história de Natal”, começam por contar. Explicam que receberam um telefonema, da esposa de um homem que trabalha para a empresa que transporta e guarda a árvore de Natal no Rockefeller Center.

“Ela morava a cerca de uma hora para sul, então encontrámos-nos a meio caminho para fazer a transferência”, diz a publicação. “Uma vez seguro, pegámos na caixa e vimos um rostinho a olhar para nós. Ele ou ela era uma pequena coruja afiada, as menores corujas que temos no nordeste. Todos os bebés corujas nascem na primavera, pelo que a ideia de que havia um bebé coruja em novembro não fazia sentido”, continua o centro.

De volta ao Ravensbeard Wildlife Center, os responsáveis deram líquidos à coruja e alimentaram-na “com todos os ratos que conseguiu comer”, já que parecia ter estado três dias sem comida ou água.

“Até agora tudo bem, os seus olhos estão brilhantes e parece relativamente em boas condições com tudo o que passou. Assim que for ao veterinário e receber um atestado de saúde, será libertado para continuar a sua jornada selvagem e maravilhosa”.

A única dúvida nesta história é se a coruja terá viajado do ponto de origem, sempre na árvore, que supostamente seria verificada antes de embalada; ou entrado já em Nova Iorque, e ficado presa nos seus ramos.

Posted by Ravensbeard Wildlife Center on Tuesday, November 17, 2020

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