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Moradores das Ilhas Canárias fazem greve de fome contra o turismo

Manifestantes querem impedir construção de um hotel e resort balnear. Protestos vão continuar nas próximas semanas.
Em pleno Mediterrâneo.

As manifestações contra o turismo de massas vão-se somando. Há cada vez mais cidades (dentro e fora de Portugal) a cobrar taxas por dormida, destinos europeus a fechar portos para controlar os visitantes e não faltam exemplos de protestos. Málaga, por exemplo, foi atingida por uma onda de autocolantes contra os alojamentos locais no final de março.

Ao que parece, a revolta não se vai ficar por aqui.  Uma série de ativistas em Tenerife, a maior das ilhas Canárias espanholas, iniciaram uma greve de fome contra o turismo em massa.

Em causa está o pedido de suspensão da construção de um hotel e de um resort balnear no sul da ilha. Os revoltosos exigem ainda o atraso de todos os projetos de desenvolvimento turístico previstos para a ilha.

O grupo iniciou o protesto na noite de quinta-feira, 11 de abril, após o fim do prazo sugerido para as autoridades locais abordarem o assunto. A manifestação começou à frente de uma igreja em La Laguna, no norte da cidade, onde “o crescimento destrutivo do turismo” tem vindo a crescer a olhos vivos.

“Ou [as autoridades locais] ouvem, ou estas pessoas vão colocar as suas vidas em risco”, disse Rubén Pérez Flores, porta-voz do movimento Canarias Se Agota, citada pela BBC. O grupo tem procurado agir em todas as ilhas das Canárias.

Em 2023, o destino foi visitado por um total de 13,9 milhões de turistas, revelam os dados da câmara de comércio local. Isto equivale a um aumento de 13 por cento face ao ano anterior e corresponde a um número seis vezes superior aos 2,2 milhões de pessoas que ali habitam.

Por enquanto, a construção do hotel La Tejita e do resort Cuna del Alma também tem sido confrontada com questões jurídicas. Os trabalhos foram interrompidos devido a preocupações ambientais antes de serem retomados, mas tudo indica que a construção vai avançar.

Apesar dos protestos, o Congresso espanhol já votou pela não suspensão dos projetos. Face a isto, está a ser organizada uma série de protestos em todo o arquipélago este fim de semana, 13 e 14 de abril.

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