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Caminho dos Faróis: o majestoso trilho de 200 quilómetros para descobrir a Galiza

É uma rota ainda não homologada, mas que esconde escarpas selvagens, faróis centenários e paisagens únicas.
As paisagens são incríveis

Umas são de Ouro, outras são do Sol. As costas recebem sempre nomes que seduzem os visitantes. Não é o caso da Costa da Morte, o litoral agreste, selvagem e despovoado no norte da Galiza onde em 2012 nasceu um trilho único.

Mais conhecida pelo tempo ríspido — e por ser uma das costas com menos poluição luminosa e, portanto, cenário ideal para ver as estrelas — a costa rochosa da região mais portuguesa de Espanha está pejada de faróis de todas as formas e feitios. São eles que inspiram o trilho que serve de pretexto para visitar praias e dunas, falésias e estuários, montes graníticos, pequenas vilas piscatórias e pores do sol únicos. O Caminho dos Faróis começa em Malpica e prolonga-se por precisamente 203,5 quilómetros até à Finisterra.

Foi esse o trajeto feito em 2012 por um grupo de amigos que haveriam de se denominar trasnos, os duendes e figuras mitológicas da Galiza, e que acabaram por criar a Associação do Caminho dos Faróis, que hoje organiza as caminhadas feitas em várias etapas (e dias, claro).

O percurso não é, de todo, um passeio. É um trilho duro na orla do mar com subidas e descidas com declive elevado, pisos difíceis e condições meteorológicas adversas. Mas vale bem a pena o esforço.

Foram necessários quase 20 dias para conseguir unir os pontos de partida e de chegada — e escolher os caminhos ideais que agora são percorridos em oito etapas. A mais curta percorre 18 quilómetros, a mais longa chega aos 32. Uma por dia. O objetivo da associação passa por tornar o caminho numa rota oficial e atrair o maior número de visitantes, sempre “com o maior respeito pela natureza”.

Pelo caminho há muito por descobrir, com destaque para o Farol de Finisterra, o primeiro a ser construído em 1953. Mais desafiantes são as escarpas selvagens, mais irregulares, complicadas de escalar e descer, mas que oferecem as paisagens mais bonitas do percurso. Ao longo dos 200 quilómetros há também vários miradouros — artificiais e naturais —, monumentos rochosos, rios e pequenos paraísos ornitológicos.

O Caminho dos Faróis ainda não está homologado e, por isso, quem sabe recomenda que a rota seja feita nos eventos oficiais da Associação, que já organizou nove edições. Contudo, é possível fazê-lo a solo — estão disponíveis mapas detalhados da rota no site oficial —, mas será necessário ter alguns cuidados.

Vai ter que treinar antes de ir

Desde logo, levar calçado de trekking para contornar melhor os caminhos rochosos e evitar as sapatilhas. Outro equipamento obrigatório: calças largas e protetor solar.

“Não é uma rota fácil”, aponta a associação no site. “Tem vários pontos de dificuldade, um terreno irregular num constante sobe e desce que se pode definir como um percurso de montanha ao nível do mar.” Quem não quer seguir os percursos de 20 e 30 quilómetros diários, recomendam que sejam divididos em dois, alargando a duração da rota para os 14 dias. Outra advertência importante: muito cuidado com as ondas e as marés violentas, já que quase todo o percurso é feito junto ao mar.

Caso prefira conhecer a rota com a segurança dos guias da Associação — e com pacotes que incluem alojamento e transporte — pode optar peça versão de oito etapas, com tempo total de dez dias e nove noites e um preço de 595€ por pessoa. Se preferir pode fazer apenas metade da rota em cinco noites, com um custo de 350€.

Carregue na galeria para conhecer algumas das paisagens incríveis do percurso.

 

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