Milhares de pessoas têm o sonho de viajar até ao espaço para conhecer a lua ou simplesmente ver o planeta na melhor perspetiva possível. A viagem não pode ser realizada por qualquer pessoa, mas há uma empresa que se dedica a levar os mortos num último passeio espacial. Contudo, nem tudo correu bem na última missão.
No final de junho, a cápsula Nyx Mission Possible, que transportava as cinzas de 166 pessoas, foi lançada ao espaço para orbitar o planeta duas vezes e regressar à Terra. No entanto, assim que voltou a entrar na atmosfera terrestre, perdeu o contacto com a The Exploration Company (TEC), a empresa responsável pela missão.
“A partir de uma altitude orbital de 550 quilómetros, a cápsula reentrou com sucesso de forma controlada, com a comunicação restabelecida após o aquecimento máximo”, começou por escrever esta terça-feira, 8 de julho, a empresa no seu perfil de LinkedIn. “No entanto, as comunicações foram perdidas a 26 quilómetros de altitude, pouco antes da fase que antecede a abertura dos paraquedas.”
A empresa acrescentou: “Agradecemos às nossas equipas pelo trabalho árduo e pela dedicação ao sucesso. Temos desafiado os limites em tempo e custo recordes. Este sucesso parcial reflecte tanto a ambição como os riscos inerentes à inovação. Aproveitando os marcos técnicos alcançados ontem e as lições que iremos retirar da nossa investigação em curso, preparar-nos-emos para retomar o voo o mais rapidamente possível.”
A TEC teve a confirmação de que o módulo caiu no Oceano Pacífico, depois de ter perdido a comunicação durante a fase final da sua reentrada.
A missão foi realizada pela TEC para a empresa norte-americana Celestis, que disponibiliza voos memoriais ao espaço. Muitas famílias contratam estes serviços para homenagearem familiares que perderam a vida. Depois da viagem, o procedimento habitual é que o módulo regresse à Terra e as cinzas sejam devolvidas aos parentes.
Charles Chafer, presidente da Celestis, revelou que devido ao mais recente acidente, provavelmente não será possível recuperar ou devolver as cápsulas de voo. “Partilhamos da decepção das famílias e oferecemos a nossa mais sincera gratidão pela confiança. Esperamos que as famílias encontrem algum conforto ao saber que os seus entes queridos fizeram parte de uma jornada histórica. Lançados ao espaço, orbitaram a Terra, e agora descansam na vastidão do Pacífico, semelhante a um tradicional e honroso espalhamento no mar.”
Além das cinzas, o módulo transportava sementes de canábis. O objetivo era investigar os efeitos da microgravidade no cultivo da planta.
Os valores das viagens realizadas pela Celestis variam entre os três mil e os 42 mil euros. A empresa permite também que qualquer pessoa envie o seu ADN até ao espaço.

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