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Companhia alega que Teresa foi expulsa de avião por vestir “roupa obscena ou ofensiva”

Portuguesa de 34 anos viveu uma “situação vergonhosa” com a companhia Spirit Airlines na passada sexta-feira, 4 de outubro.

O que deveria ser um simples fim de semana para comemorar o aniversário de uma amiga transformou-se num verdadeiro pesadelo. Teresa Araújo dirigiu-se ao aeroporto de Los Angeles, na passada sexta-feira, 4 de outubro, para apanhar um voo para Nova Orleães, sem saber o que a aguardava.

Habituada a viajar e a voar com diversas companhias aéreas, nunca, nos seus 34 anos de vida, passou por uma “situação tão vergonhosa” como a que aconteceu com a low cost Spirit Airlines. Conhecida nas redes sociais como Teresa Around The Worlduma página criada quando decidiu dar uma volta ao mundo, em 2016 a portuguesa, que vive nos EUA há cinco anos, e a amiga, Tara Kehidi, foram expulsas do avião. O motivo? Tinham crop tops vestidos.

“Fui apanhada totalmente desprevenida, jamais pensei que isto pudesse acontecer. Já viajei imenso, ainda agora estive um mês na Europa e apanhei uns sete voos e nunca na minha vida me tinha acontecido isto”, conta à NiT Teresa Araújo, que trabalha numa empresa de software na Califórnia.

Quando chegaram ao aeroporto ao final de manhã para apanhar o avião às 13 horas, tudo decorreu normalmente. Tranquilas, foram beber um café, passaram pela porta de embarque e entraram no avião, onde foram recebidas por três tripulantes de cabine que lhes deram as boas-vindas.

“Ninguém fez qualquer referência à forma como estávamos vestidas, mas quando estávamos a ir para o nosso lugar, um comissário de bordo, chamado Jay, olha para mim e manda-me vestir o casaco”, recorda a portuguesa. Inicialmente, não percebeu o motivo da solicitação. Ainda equacionou a possibilidade de ter a ver com o facto de se tratar de uma companhia low cost e não permitir que levasse o casaco à cintura, mas estava enganada. 

 
 
 
 
 
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“Pensei que se dirigia só a mim, então sentei-me e coloquei o casaco. Já estava um pouco nervosa porque ele foi bastante abrupto. Depois veio pedir à minha amiga, que também estava com um crop top, para ela fazer o mesmo. Aí começámos a ficar realmente confusas”, relata.

Desconcertada, Teresa decidiu procurar informações sobre o dress code da Spirit Airlines na Internet, mas não encontrou nada. “Perguntei-lhe se me podia mostrar-me o código de vestuário da companhia, mas ele respondeu que não. Disse que ia chamar a supervisora para discutirmos. Isso deixou-me ainda mais nervosa, pois não queria entrar em conflito com ninguém”, recorda.

Os outros passageiros começaram a perceber a situação e reagiram como as duas amigas: “estavam completamente chocados”. Uma passageira que estava sentada no banco à frente delas, com uma filha de três anos, também estava com um crop top e decidiu tirar o casaco.

“Toda a gente estava do nosso lado até à chegada da supervisora, que nos pediu para vestirmos uma camisola. Quando perguntei se estávamos a ofender alguém, ela respondeu que não, mas que, dado que o comissário de bordo tinha um problema com a nossa roupa, decidiu que tínhamos de sair. A situação escalou rapidamente”, recorda.

A preparação para a descolagem já tinha começado, mas o avião voltou para trás. “Todos os passageiros protestaram, afirmando que ele não podia fazer aquilo e que ninguém se sentia incomodado. Não conseguíamos acreditar no que estava a acontecer”, partilha Teresa.

Quando a supervisora se aproximou novamente, fez uma ameaça: se não saíssem do avião, chamaria a polícia. “Pedimos para ficar, a dizer que vestíamos a camisola, mas não quis saber de nós. Alegou que nos marcaria um novo voo, mas era tudo mentira”, afirma.

Relutantes, acabaram por deixar o avião, ainda na esperança de um reembolso ou nova marcação, mas descobriram que não havia forma de remarcar ou receber compensação em caso de expulsão. Além de Teresa e Tara, a mulher com a filha de três anos também foi obrigada a sair.

O incidente custou-lhes mais mil dólares (cerca de 900€ a cada uma) para viajarem com a Delta Airlines, seis horas depois. “Não recebemos qualquer explicação e passámos por uma situação humilhante. Nem nos disseram o sobrenome do comissário de bordo”, admite.

Sabem apenas o nome próprio dele, e também que desrespeitou outras pessoas durante o voo. “Um passageiro chegou mesmo a ameaçar sair do avião devido ao absurdo da situação, mas outra comissária tentou acalmá-lo. O tal Jay disse-lhe que seria melhor sair, pois teria de olhar para a cara dele mais três horas. É incompreensível”, recorda.

Teresa decidiu expor a situação nas redes sociais e está a tentar contactar advogados para ser feita justiça. “O nosso contrato de transporte, com o qual todos os passageiros concordam ao fazer uma reserva connosco, inclui determinados padrões de vestuário para todos os que viajam connosco”, lê-se num comunicado enviado por um porta-voz da Spirit Airline ao “USA Today”.

A companhia aérea adiantou ainda que está a investigar o assunto. Segundo o documento, disponível online, a empresa pode negar o embarque de um passageiro ou exigir que este saia se estiver “descalço ou vestido inadequadamente ou se as suas roupas forem de natureza obscena ou ofensiva”. Contudo, não há qualquer indicação sobre o tipo de peças consideradas inadequadas, o que significa que não existe qualquer referência a crop tops. 

Antes do voo.

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