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Conheceu 5 continentes e ajudou órfãos após um tsunami. Agora tem uma agência de viagens

Gonçalo Figueiredo, fundador da Vagabond, pretende realizar experiências reais e intimistas, com grupos mais pequenos.

Em 2009, cinco anos depois de um tsunami ter devastado o Sri Lanka, Gonçalo Figueiredo rumou até ao país para trabalhar ao lado dos miúdos órfãos da tragédia. O português passou dois meses na região a dar aulas de inglês e fotografia.

“O diretor de projeto recebia os voluntários, sabia quais seriam as suas valências e depois distribuía pelas várias áreas”, recorda à NiT o fotógrafo natural de Aveiro, com 49 anos. Durante aquela jornada no Sri Lanka, acabou por passar por três setores diferentes.

No início, Gonçalo começou por ensinar inglês aos miúdos, num mosteiro budista. No entanto, tudo mudou depois de um dos monges ter sugerido que também falasse com os jovens fotógrafos da região sobre a sua própria profissão.

Naquela altura, os moradores estavam habituados a utilizar máquinas fotográficas analógicas e o viajante já tinha uma versão digital. “O monge falou com o diretor do projeto para ver se ele não podia deixar-nos ensinar fotografia, para também melhorarem os conhecimentos e fazerem uma espécie de upgrade”, partilha.

O Skir Lanka continua a ser uma país em que os homens têm mais oportunidades de prosseguir as carreiras e hobbies que escolhem do que as mulheres. Para tentar dar a volta ao problema, pelo menos no microcosmo que controlava, Gonçalo ia de propósito às escolas secundárias exclusivas para raparigas e ensinava-lhes os princípios básicos da fotografia.

“Quando acabam a secundária, infelizmente e em muitos casos, ficam em casa e não têm muitas oportunidades para fazer qualquer coisa mais técnica”, refere. “Portanto, também tive a trabalhar com raparigas, Foi giríssimo, gostei imenso. Elas eram super curiosas e interessadas no tema.”

Esta experiência alterou a forma como o fotógrafo olhava para as viagens. É verdade que, desde os cinco anos, se recorda de viajar pela Europa com a família, mas só naquele momento é que teve uma verdadeira epifania.

Certo dia no Sri Lanka, um dos seus alunos de fotografia levou-o até uma ponte ferroviária abandonada, onde Gonçalo tirou uma fotografia de uma mulher idosa a lavar a roupa no rio. A força daquela imagem fez com que o ganhasse, em 2011, o prémio principal do concurso Explore Photo Contest: um safari no Quénia — que teve o bónus de de fazê-lo apaixonar-se perdidamente pelo continente africano. 

Em 2019, Gonçalo decidiu dedicar-se por inteiro ao mundo das viagens. Por isso, além da fotografia, tornou-se guia turístico. Viajou pelo mundo com vários grupos de pessoas diferentes até que, no final de 2025, deu um novo passo nesta jornada pessoal: criou a própria agência. 

A imagem que o fez ganhar o concurso.

A Vagabond foi oficialmente criada em agosto passado, mas a primeira viagem só vai acontecer em março, para as Filipinas. Desde o início da empresa que o fundador tem um único objetivo: criar uma experiência intimista, com um máximo de oito pessoas por grupo. 

O nome do novo projeto não foi escolhido ao acaso. Gonçalo inspirou-se no livro “The Vagabond Way”, de Rolf Potts. “Nós normalmente associamos o nome Vagabond [vagabundo, em tradução livre] ao estado depreciativo, que é alguém que não tem casa, nem dinheiro e anda a vaguear”, reflete.

O princípio da obra, segundo o viajante, é dar a entender que o termo se refere a uma pessoa que “vagueia livremente no sentido em que não está agarrada à sua realidade”. “Um dos aspetos mais importantes de viajar é desligarmos da nossa realidade, do sítio onde vivemos, dos nossos preconceitos, das nossas rotinas e de tudo aquilo que trazemos do nosso espaço.” 

Por esta razão, decidiu escolher este nome para a nova agência. Através das viagens, Gonçalo pretende oferecer aos outros viajantes a oportunidade de conhecer não só os pontos turísticos, mas também proporcionar momentos de descanso e aventura.

“As viagens que eu fiz foram sempre muito contemplativas e tinha sempre esse cuidado de tentar conhecer as culturas. Não é simplesmente passar, tirar fotografias e ir-me embora, passava muito tempo nos sítios e queria trazer este conceito para esta nova agência”, frisa à NiT.

Por isso mesmo, decidiu focar-se em grupos pequenos. “Com o máximo oito pessoas, por exemplo, conseguimos sentar à volta de uma mesa e estar ali a conversar. Com muitos participantes, é habitual que se criem grupos diferentes e não é este o nosso conceito.”

 
 
 
 
 
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O viajante pretende que a sua agência seja disruptiva no mercado pelo próprio programa. Gonçalo refere que é habitual as agências de viagens partilharem todas as atividades antes da aventura começar, no entanto, sente que isso acaba por estragar a experiência.

“Há pessoas que lêem mesmo o programa a fundo e sabem exatamente o que vão fazer em todos os dias. Portanto, não há expetativa nenhuma”, sublinha. Para contornar este problema, decidiu criar o conceito de atividade mistério, em que os participantes não sabem o que vão fazer até o dia chegar.

A Vagabond revela todos os detalhes do programa, com exceção da atividade mistério, que pode ser uma experiência, uma visita a um sítio histórico diferente, ou outra atração, dependendo do destino.

“Só no dia em que vão participar nessa atividade, no briefing de manhã, é que sabem o que vão fazer. Assim conseguem escolher a melhor roupa para a ocasião”, explica. “Isso acaba por ser uma surpresa porque vão fazer algo que não estavam à espera.”

Por fim, tomou a decisão de não acrescentar os dias que os participantes passam no avião no roteiro — uma prática bastante comuns noutras agências, sobretudo para destinos longíquos. “As pessoas efetivamente quando estão no avião não estão a fazer programa nenhum, portanto conto os dias a partir do momento que chegamos mesmo ao destino”. 

A primeira aventura da Vagabond acontece entre 28 de março e 11 de abril, nas Filipinas. Os viajantes são convidados a explorar algumas das melhores ilhas da região, como Bohol, Coron, Siargao e Palawan. Estão também incluídas atividades como snorkeling no meio de tubarões-baleia, passeios de barco, visitas a monumentos e bairros históricos, entre outras.

A viagem tem um custo de 2400€. A ainda vai a tempo de reservá-la online.

Para este ano, a agência tem ainda experiências marcadas para Sardenha, Namíbia e Botsuana, Açores, Croácia, África do Sul, entre outros programas. O calendário completo pode ser consultado online

Carregue na galeria para ver algumas fotografias das viagens de Gonçalo Figueiredo. 

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