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Cuba está a “compactar hóteis e a deslocar turistas” para lidar com crise energética

Havana implementou medidas que evocam a escassez dos anos 90 para reduzir os consumos energéticos no turismo.

Cuba parece estar a recuar mais de três décadas, ao chamado “Período Especial dos anos 1990”, quando enfrentou uma crise económica aguda, desencadeada pela queda da União Soviética. As medidas implementadas por Fidel Castro, na altura chefe de estado, incluíram racionamentos drásticos e incentivos à autosuficiência, como forma de minimizar o impacto da falta de energia.

Agora, o país está de novo asfixiado por uma crise energética e pela falta de combustível. Para fazer face à situação, o governo optou por fechar várias unidades hoteleiras e mitigar a escassez generalizada de eletricidade. Os encerramentos incidem prioritariamente em Varadero e nos Cayos do norte, adianta a agência EFE.

Os turistas alojados nos hotéis em causa estão a ser encaminhados para outros empreendimentos dos mesmos grupos, como as cadeias espanholas Meliá e Iberostar e a canadiana Blue Diamond. A desativação destas unidades não é apenas uma decisão logística, mas uma tentativa desesperada de salvar a rentabilidade de um setor que, em 2025, viveu o seu annus horribilis. Com apenas 1,8 milhões de entradas, o turismo no país regrediu a patamares de 2002, longe dos 4,7 milhões registados em 2018.

O mercado canadiano recuou 12,4 por cento (754.010 pessoas), enquanto o fluxo proveniente da Rússia desceu 29 por cento (131.882 indivíduos). Este abismo resulta de um cocktail crítico: o bloqueio norte-americano, as sequelas da pandemia de Covid-19, a debilidade financeira interna e a supressão de rotas aéreas.

A “compactação” da malha hoteleira, termo utilizado pelo vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga na televisão pública, implica o encerramento temporário de infraestruturas para concentrar recursos durante o pico da estação turística. 

O governante não detalhou como “o plano para reduzir os consumos energéticos no turismo” seria executado, mas a verdade é que os fluxos de visitantes estrangeiros estão a ser desviados para pólos com maior estabilidade operacional.

Para compensar a escassez de combustível, Havana avançou ainda com outras respostas internas, como limites ao abastecimento, incentivo ao teletrabalho e generalização de aulas em regime semipresencial. 

O presidente Miguel Díaz-Canel sublinhou que o atual plano de emergência retoma princípios do chamado “Período Especial dos anos 1990”, prevendo táticas de autossuficiência e cenários de racionamento extremo perante uma eventual “opção zero” no fornecimento de energia em Cuba. No terreno, o plano traduz-se em hotéis fantasma, onde a iluminação e a climatização são sacrificadas em prol da sobrevivência mínima da nação.

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