São dúvidas que correm na cabeça de pessoas em todo o mundo e às quais praticamente ninguém —nem governos, nem cientistas ou epidemiologistas — conseguem responder. “Poderemos ir à praia no verão?” Uma questão antes simples é, nesta altura em que o mundo vive uma pandemia contra um novo vírus, algo primordial e simbólico. Até porque a verdadeira dúvida é: até que ponto a vida estará em algum ponto de normalidade que permita tal concentração de pessoas, ainda que num espaço ao ar livre? E poderemos recuperar algo tão básico e natural como estar junto ao mar?
Os especialistas dividem-se, até porque uma das coisas que o novo coronavírus trouxe foi a incerteza e mudança constantes. A maioria dos países e seus responsáveis acredita que, enquanto não houver vacinas, também não haverá condições para aglomerados de pessoas, por motivos óbvios, de contágio fácil. Outros defendem que a vida deverá progressivamente regressar à normalidade possível, ainda que com cuidados extremos.
O debate tem ganhado força nos últimos dias em Itália. Aquele que é o pais da Europa mais fustigado pela Covid-19, é também dos mais dependentes do turismo, mesmo que seja o interno (muito provavelmente o único possível para este ano); e também com mais praias e uma maior costa. Ambas características que se aplicam a Portugal.
Segundo a “Forbes“, a Itália já está a planear como voltar à praia. Esta é, diz a revista, uma entre muitas preocupações que a emergência do coronavírus está causar no país, onde já se pensam formas de garantir que tal possa ser feito de maneira segura para turistas, trabalhadores e moradores locais das regiões balneares.
Embora o país ainda esteja em estado de emergência, pelo menos até ao início de maio, o governo já adiantou estar a trabalhar nesse sentido: de ser possível ir à praia este verão. Até porque apesar de, também aqui haver evidências insuficientes e contraditórias, há ainda esperança de que, quando o país entrar na estação quente, o aumento da temperatura e a vida ao ar livre possam enfraquecer de alguma maneira o vírus.
Em Itália são conhecidas então as intenções e esperanças mas nada ainda de concreto foi adiantado. Sabe-se já que, tal como em Portugal, o início de época balnear será sempre adiado; e o resto é uma incógnita. A revista cita um epidemiologista local, que acredita que, garantindo regras de distância e limitação, as praias possam ser reorganizadas.
Falam-se em várias ideias e possibilidades: sistemas de reservas para a praia, máscaras e luvas mesmo no areal e uma empresa até decidiu apresentar uma possível solução: muros de acrílico para dividir a areia e garantir distâncias seguras entre os banhistas.
Os novos designs foram criados pelo Nuova Neon Group Due, uma empresa da região de Modena, na Itália. Embora seu foco principal tenha sido a criação de telas de acrílico para farmácias e caixas bancárias em todo o país, a sua segunda fase incluiria usá-las na praia.
Os muros de dois metros de altura teriam 4,5 metros de largura, com espaço individual. No entanto, a ideia foi muito mal recebida na generalidade: alguns media locais chamam estes espaços de galinheiros e Mauro Vanni, presidente da cooperativa de nadadores-salvadores de Rimini, disse que as pessoas “morreriam de desidratação” se fossem usar estas cortinas de plástico durante o clima quente.
A ideia parece, numa primeira instância, ter sido rejeitada em toda a linha, mas tudo continua uma incógnita. Numa reportagem esta terça-feira, 21 de abril, a “Sky News” volta a destacar a possibilidade e lembra que poderia ser uma resposta para os banhos de sol mais seguros. No interior, lembra o canal, os cubículos têm espaço suficiente para duas espreguiçadeiras e um guarda-sol, bem como para qualquer criança brincar.
Este meio britânico cita ainda a presidente da Comissão da UE, Ursula Von Der Leyen, que tem pedido aos países para que comecem a imaginar “soluções inteligentes” para pôr em prática assim que a pandemia de coronavírus comece a desacelerar.








