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Depois de sair do “Big Brother”, mudou-se para a Suíça e criou um projeto para fazer amigos

Ana Neto decidiu mudar de vida três meses depois de ter participado no programa da TVI, em 2025. Por lá, a psicóloga portuguesa fundou o Swiss Meet Up.

Quando terminou a licenciatura e o mestrado em Psicologia Clínica, na Faculdade de Psicologia do Porto, Ana Neto, de 27 anos, não sabia que caminho seguir. Apesar de, na altura, ter conseguido um estágio na área, sempre sentiu que podia ir mais além. 

Um dos grandes sonhos era tornar-se criadora de conteúdos e, nos últimos anos, começou a partilhar vídeos no Instagram e TikTok. Foi isso que a levou, em março passado, a ser anunciada como uma das concorrentes da edição de 2025 do reality show “Big Brother” da TVI.

O objetivo da jovem era dar-se a conhecer ao mundo e, no pouco tempo em que esteve na “casa mais vigiada do País” foi precisamente isso que fez. Duas semanas depois da estreia do programa, acabou por ser expulsa, com 38 por cento dos votos. 

Ainda assim, o tempo que esteve no programa foi suficiente para criar uma pequena comunidade nas redes sociais e dar o empurrão que precisava para mudar de vida. Passados três meses da saída do reality show, em julho passado, decidiu mudar de país. 

“Depois do ‘Big Brother’, senti-me um bocadinho perdida”, confessa à NiT. O namorado, Marco Pombo, de 26 anos, já tinha o sonho de se mudar para Suíça e, juntos, decidiram deixar Portugal para trás. Três meses depois de ter chegado a Grindelwald, onde viveram inicialmente, Ana começou a pensar num projeto que a ajudasse a adaptar-se e a integrar-se por lá. Foi assim que, em outubro, lançou o Swiss Meet Up. 

A iniciativa surgiu da necessidade da psicóloga em conhecer novas pessoas, sobretudo portugueses. Afinal, sempre teve consciência da grande comunidade portuguesa que vivia no país. “Quando cheguei, não tinha amigos e comecei a perceber que, apesar de existirem muitos portugueses cá, há sempre aquele preconceito de que ‘não se pode confiar'”, explica. “Sempre fui contra este pensamento, porque acho que se mantém precisamente para as pessoas estarem sempre com este receio.”

Antes de criar o projeto, Ana já estava habituada a partilhar o dia-a-dia na Suíça nas redes sociais e a conversar com outros imigrantes. “Uma das coisas que sempre me disseram é que a vida de imigrante era muito solitária, que era difícil estar longe dos amigos e da família, além de ser mais difícil conhecer pessoas novas. E também senti isso”, afirma.

Foi esta necessidade que a levou, de um dia para o outro, a organizar um brunch só para raparigas. No início de outubro, partilhou a ideia nas redes sociais e abriu as inscrições para as interessadas. “Fui perguntando nas stories e as pessoas começaram a dizer que era uma boa ideia.”

 
 
 
 
 
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O primeiro encontro da Swiss Meet Up aconteceu a 11 de outubro e o sucesso foi tanto, que a Ana começou a partilhar e a organizar mais atividades. Desde novembro que vive em Basileia com o namorado e tem levado o projeto cada vez mais longe.

“Como resultou bem o primeiro encontro, foi uma coisa que me começou a dar bastante prazer”, revela. Até à data, já realizou outros quatro eventos e para os próximos meses, tem mais três agendados — uma conversa e teste sobre maquilhagem (a 17 de janeiro), um encontro na Basileia (a 24 de janeiro) e um Baile Funk em Friburgo (a 28 de fevereiro).

“Já fizemos um arraial português, brunch, Pilates e ioga. Estamos a focar em diferentes tipos de públicos porque a nossa geração não é o único ‘problema'”, sublinha. “O meu objetivo é também ir diversificando as atividades.”

Além de possibilitar a criação de novas amizades, o Swiss Meet Up pretende dar oportunidade a novas pessoas — isto nada impede, claro, que os participantes estejam presentes em várias atividades organizadas pelo projeto, desde que existam vagas.

“O objetivo é dar esta oportunidade a várias pessoas porque também temos eventos limitados. Por exemplo, se o restaurante só tiver capacidade para 20 clientes, só posso abrir inscrições para 20 participantes. Por isso, acabam por ficar sempre pessoas de fora”, explica. “Os eventos mais pequenos são aqueles que penso que são mais produtivos para desenvolver ligações.”

Até à data, o projeto recebeu participantes de idades que variam entre os 20 e os 30 anos. Mas qualquer pessoa é bem-vinda para experimentar as atividades promovidas pelo projeto, que acontecem em vários pontos da Suíça.

Além do Swiss Meet Up, Ana já teve vários trabalhos no país — passou pelas limpezas, um supermercado e está agora a trabalhar na parte administrativa de um escritório. Nos tempos livres, organiza as atividades do projeto que está a crescer cada vez mais.

“Sempre gostei de puxar pela parte criativa, até no meu dia a dia profissional. Por isso também é que faço vídeos para as redes sociais, para alimentar um bocadinho isso”, partilha. “A minha parte preferida do Swiss Meet Up é perceber o que é que quero fazer a seguir e o que é que seria mais vantajoso para as pessoas.”

Ana explica que tem sempre em conta as tendências atuais. Um dos primeiros eventos, por exemplo, foi uma aula de Pilates, uma prática que tem se tornado viral em todo o mundo. “Organizar as atividades é das partes que mais gosto, para além de conhecer novas pessoas.”

As iniciativas do Swiss Meet Up tendem a variam entre os 50 e 100 francos suíços (cerca de 54€ e 108€, respetivamente). As inscrições podem ser feitas online

Carregue na galeria para ver algumas fotografias dos encontros do Swiss Meet Up.

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