Viagens

A designer de moda portuguesa que se tornou líder de viagens em São Tomé e Príncipe

Em 2017, Catarina Sequeira decidiu fazer as malas e mudar de país. Uma experiência que acabou por lhe mudar a vida.
Catarina Sequeira tem 47 anos.

A vida é feita de mudanças, isso é certo. Há quem se farte do cabelo e decida fazer um corte radical. Outros já não conseguem trabalhar num escritório e procuram um emprego numa área diferente. Outros são corajosos o suficiente para saírem completamente da sua zona de conforto e embarcarem numa aventura no outro lado do mundo. Uma dessas pessoas destemidas é Catarina Sequeira, de 47 anos.

Natural de Leiria, Catarina começou a interessar-se por moda desde muito cedo e, aos 17 anos, rumou até à cidade do Porto para estudar aquilo de que realmente gostava. Durante mais de 20 anos, foi designer e uma empreendedora de sucesso com a sua marca SayMyName, direcionada para o mercado internacional onde conquistou espaços como as galerias Lafayette e os armazéns Harvey Nichols, D-mop e Liger. Participou em várias edições da ModaLisboa, e chegou a vencer o Mediterranean Fashion Prize 2015.

“Trabalhava sobretudo com o mercado internacional, mas houve um período em que as coisas não estavam a correr tão bem porque a Ásia começou a rejeitar as marcas europeias por serem mais caras”, começa por contar à NiT a designer de moda. Em 2017 o negócio enfrentava grandes dificuldades e era preciso agir.

“Nessa altura tomei a decisão de encerrar a marca e mudar-me para África. Já tinha vivido um ano em Cabo Verde em 2014 e é um continente que adoro. Sempre gostei muito do espírito, da leveza, da tranquilidade. É um estilo de vida completamente diferente, mas que me faz sentir naturalmente bem”, confessa.

Quando decidiu pôr fim a algo que construiu pelas próprias mãos, sentiu necessidade de tirar um ano sabático, até porque a marca exigia bastante trabalho: “precisava descansar, sentia o meu corpo a ceder, quase a entrar em burnout e não valia insistir mais. Por isso, decidi seguir por outro caminho”. 

“A partir de uma certa idade, já não planeamos muito a nossa vida”, diz. E foi exatamente isso que aconteceu. Na altura, conhecia um amigo de um amigo que tinha família em São Tomé e Príncipe e, como ia para lá durante uns meses, acabou por convidá-la a ir também. Sem pensar muito no assunto, decidiu fazer as malas e partir.

“Pesquisei sobre o país e percebi que era bastante tranquilo, sem relatos de violência. Então pensei: porque não? Foi uma decisão muito rápida e não foi muito pensada, mas ainda bem que a tomei”, revela. Nessa altura não tinha trabalho e vivia da renda da casa que tinha alugada no Porto, mas rapidamente encontrou o seu próprio caminho.

Apesar de serem ilhas pequenas, há muita beleza natural para conhecer em São Tomé e Príncipe. “Comecei a viajar muito pelas ilhas, explorava cascatas, fazia trekkings e caminhadas com grupos de amigos e foi assim que comecei a ganhar gosto e a estar em contacto com os locais”, recorda a designer, que acabou por se tornar líder de viagens. 

Quando o visto caducou, foi obrigada a regressar a Portugal, mas não conseguiu encontrar emprego na área. Entretanto, começaram a surgir muitas perguntas de pessoas curiosas sobre São Tomé e Príncipe: como é o país? O que deviam visitar?

“A ideia surgiu assim um bocado do nada. Começaram a fazer-me estas perguntas e pensei: por que não levar estas pessoas até lá?”. E assim foi. Quando regressou novamente a São Tomé e Príncipe decidiu criar uma tour de raiz e abrir a sua própria empresa: Viaja com Wôdu. A ideia era dar início às atividades em fevereiro de 2020, mas a pandemia veio estragar os planos e o projeto teve de aguardar mais um ano para arrancar. Até que, em agosto de 2021, Catarina Siqueira foi, pela primeira vez, líder de uma viagem.

As tours da Viaja com Wôdu

Wôdu, no crioulo forro (uma das línguas de São Tomé e Príncipe), significa velha. “Para eles, velha é sinónimo de sabedoria, alguém com muita experiência de vida. Quando vim para aqui viver, as minhas amigas eram mais novas e vinham sempre aconselhar-se comigo. Chamavam-me a mãe grande e achei piada. De certa maneira, sentiam-se amparadas por mim e aqui também adquiri alguma sabedoria de vida”, explica Catarina.

A grande vantagem das tours da Viaja com Wôdu é que os clientes andam sempre acompanhados da guia, um modelo perfeito para aqueles que querem conhecer um determinado país, mas não têm companhia e não querem ir sozinhos. A próxima tour já tem data marcada e vai acontecer entre os dias 24 de novembro e 3 de dezembro.

São programas de 10 dias para conhecer o melhor de São Tomé e Príncipe. Apesar das ilhas serem pequenas, as estradas estão muito degradadas e pode demorar muito tempo a chegar a um determinado ponto. Por esse motivo, os viajantes ficarão hospedados em três alojamentos diferentes. 

“Tenho sempre cuidado em reservar espaços que estão dentro do turismo sustentável. Aqui não existem resorts e espero que nunca venham a existir. Isto não é um turismo de massas, mas sim um turismo de natureza”, reforça Catarina. 

Durante a tour, os viajantes vão conhecer locais idílicos das ilhas, como a praia Lagoa Azul, fazer um trekking pelo parque natural Ôbo, assistir à desova das tartarugas marinhas (consoante a época do ano), conhecer os macacos no meio dos mangais do rio Malanza e dar mergulhos nas incríveis praias de azul cristalino. A experiência não ficaria completa sem experimentar também o melhor da gastronomia local.

É importante que as pessoas venham de mente aberta, porque eu mostro a realidade de São Tomé e Príncipe. Mostro o lado bom e o mau, não faço desvios para que não se veja a miséria, porque ela existe. É um país com grandes carências e tento sempre sensibilizar e consciencializar os clientes”, diz a líder de viagens.

O programa completo da tour pode ser consultado online e o valor é de 1.280€. O preço inclui alojamento durante os dez dias, transportes, travessia para o Ilhéu das Rolas, as visitas ao parque natural Ôbo com guias locais, a subida do rio Malanza de barco, a visita à Roça Diogo Vaz e à Roça Agostinho Neto, os transferes de e para o aeroporto e algumas refeições. Os voos não estão incluídos.

De seguida, carregue na galeria para ver alguns dos locais desta tour da Viaja com Wôdu.

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