A aldeia de Cívica quase passa despercebida a quem percorre a autoestrada CM-2011, na província Guadalajara, em Espanha. A região situa-se numa curva acentuada e para os olhares menos atentos, pode parecer apenas uma colina rochosa.
No entanto, quem olha com mais atenção, apercebe-se que a “montanha” conta com portas, caminhos e varandas bem delineados. E a verdade é que já chegou a albergar dezenas de habitantes — o número exato, porém, não é conhecido porque a aldeia não é um município reconhecido com estatísticas demográficas e está localizada entre as regiões de Masegoso de Tajuña e Brihuega.
Tudo começou nos anos 50, quando o padre Aurelio Pérez herdou as terras, que eram, na altura, apenas montanhas. Com a vontade de fazer algo diferente, decidiu começar a esculpir as rochas, com o objetivo de criar um complexo subterrâneo.
Durante os 20 anos seguintes, trabalhou arduamente para transformar Cívica numa aldeia. Sempre que saía da missa, ia até ao local esculpir as rochas com todo o cuidado. Muitos relatos dizem que o sonho do sacerdote era construir um santuário, mas isso nunca chegou a acontecer.
Embora Cívica nunca tenha tido uma população estável (e daí nunca ter participado dos censos), chegou a abrigar alguns residentes. O próprio padre e outros trabalhadores que ajudavam nas escavações, que eram pagos pelo próprio sacerdote, chegaram a habitar temporariamente o interior do complexo.
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Depois da morte do padre, a aldeia foi herdada pelos seus sobrinhos e começou a ficar desabitada nos anos 80. Hoje, está abandonada, mas recebe a visita de centenas de turistas curiosos todos os anos, que adoram explorar o seu interior.
Cívica fica a cerca de uma hora e meia de Madrid e é possível entrar no complexo rochoso para visitar as suas construções, desde casas a túneis e galerias. No entanto, continua a ser propriedade privada e é aconselhável não a explorar por conta própria, mas sim optar por visitas guiadas através de operadores turísticos.
Nos últimos anos, a construção, que é muitas vezes comparada à Capadócia por causa das rochas, também tem sido consumida pela natureza, com ervas daninhas a retomarem as passagens e escadarias esculpidas no calcário.
Além disso, os arredores da aldeia são também um dos pontos altos: há várias nascentes e infiltrações de água na zona, ligadas à bacia do rio Tajuña. Após chuvas intensas, por exemplo, acontece a formação de pequenas cascatas, que podem ser visitadas, sobretudo, no inverno.
Na aldeia mais próxima, a Yela, podem também aproveitar para visitar uma igreja românica que foi destruída durante a Guerra Civil Espanhola e reconstruída em 1950.
Como lá chegar
A aldeia está situada a uma hora e meia de carro de Madrid e a cerca de quatro horas e 20 minutos de Miranda do Douro. Pode optar por uma road trip ou apanhar um voo até Madrid e depois alugar um carro. A partir de Lisboa, encontra voos de ida e volta desde 32€ para os próximos meses.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Cívica.

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