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Esta ilha europeia celebra o Ano Novo quase 2 semanas depois do resto do continente

A localidade com menos de 40 habitantes ainda nem chegou ao Natal. Tudo acontece nas primeiras semanas janeiro.

Quando o relógio marca a meia-noite de 31 de dezembro, quase todo o continente europeu é invadido por espetáculos de fogo de artifício. Mas se para toda a regra existe uma exceção, neste caso, ela é uma localidade remota, na Escócia, onde nada acontece na última noite do ano — afinal, é um dia como outro qualquer.

Falamos da Ilha de Foula, localizada no arquipélago das Shetland. A região assume-se como a mais remota do Reino Unido e os últimos dados, citados em 2021 pela BBC, revelaram que vivem apenas 35 moradores nesta localidade.

Por ali, os residentes nunca adotaram o calendário gregoriano moderno, preferindo seguir algumas das tradições do calendário juliano. Por esta razão, celebram o Natal e a Passagem de Ano a 6 e 13 de janeiro, respetivamente, em vez dos habituais 25 e 31 de dezembro.

O calendário gregoriano foi introduzido no século XVI, com o objetivo de alinhar o ano civil com os equinócios solares. Desde então, as datas foram alteradas na maioria do globo. Por isso, como consequência, o Natal e o Ano Novo foram antecipados.

Em 1752, todo o Reino Unido já tinha adotado as datas como hoje as conhecemos, com exceção de Foula, que continuou a seguir o calendário juliano. “Sempre o fizemos desta forma”, revelou Robert Smith, um residente de 27 anos de Foula, à BBC, durante uma entrevista realizada este ano.

A pequena ilha tem apenas oito quilómetros de comprimento e está situada a cerca de 26 quilómetros da região principal de Shetland. A 13 de janeiro, os habitantes juntam-se todos para celebrar a Passagem de Ano de forma intimista.

“Vamos de casa em casa beber um copo, ficar um bocado e pôr a conversa em dia”, explicou o mesmo morador. “Depois, podemos regressar a casa para jantar e, em seguida, ir a algum lado para uma festa até altas horas da madrugada.”

Uma das formas de entretimento mais comum na ilha é tocar e cantar músicas em conjunto. Outra tradição dos residentes, na sua grande maioria já idosos, é realizar tarefas e atividades que pretendem melhorar ao longo do próximo ano — como a jardinagem, a pesca ou o trabalho no campo.

No Natal, não há muitas diferenças. Pela manhã, os residentes juntam-se em casa com a família para receberem os presentes e partilhar as refeições. Antigamente, era habitual os homens irem caçar aves, que eram depois cozinhadas pelas mulheres.

A ilha começou a ser habitada há mais de 5 mil anos

A ilha em Shetland sempre esteve intrinsecamente ligada às tradições. A localidade começou a ser habitada ainda na Idade do Ferro e foi significativamente influenciada pelos vikings, que dominaram a região durante vários séculos.

Só mais tarde, na Idade Média, é que deixou de ser considerada um território norueguês e passou a integrar a Escócia. Desde então que os moradores vivem, sobretudo, dos trabalhos no campo, como agricultura, criação de ovelhas ou pesca.

Hoje em dia, a ilha mantém uma forte ligação à natureza, seguindo um modo de vida comunitário. Nesta região, toda a gente se conhece e se ajuda, desde os mais novos até aos mais velhos. Apesar de ser um núcleo fechado, ao longo do ano, a ilha é visitada regularmente por turistas ou familiares dos habitantes. 

A forma mais comum de ir até Foula é de ferry, com partidas do cais em Walls, na parte oeste da ilha principal. A embarcação opera três vezes por semana e a travessia dura duas horas e 15 minutos.

Este ferry não leva veículos, apenas passageiros, que têm de reservar os seus lugares. Os preços dos bilhetes podem variar entre os 29€ e os 40€.

Para os turistas, a opção mais tradicional é o cruzeiro de um dia da Shetland Sea Adventures, com partida de Hamnavoe, na ilha de Burra. O passeio, que custa cerca de 100€, inclui algumas horas em terra e um passeio ao redor de Foula, onde é possível admirar as impressionantes falésias a partir do nível do mar.

Existem ainda voos regulares a partir do Aeroporto de Tingwall, nos arredores de Lerwick. Neste caso, a viagem dura apenas 10 minutos. Por isso é possível visitar a ilha e regressar no próprio dia.  

Carregue na galeria para ver mais imagens desta ilha escocesa que vive sempre atrasada. 

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