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Esta mulher foi a primeira a escalar o El Capitan em menos de 24 horas

Depois de uma tentativa que a levou ao hospital em 2019, voltou e conseguiu cumprir o tão desejado objetivo.
Dá medo só de olhar

Para a maioria de nós, subir uma rua íngreme já custa e ter que ir pelas escadas quando o elevador está avariado parece tortura. No entanto, há aquelas pessoas que mais parecem super-heróis, e que conseguem feitos impensáveis, como é o caso de Emily Harrington.

A desportista americana de 34 anos alcançou um dos seus maiores objetivos a 4 de novembro: escalar livremente o Golden Gate do El Capitan, a famosa formação rochosa do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, nos EUA, em menos de 24 horas. Na verdade, alcançou o topo dos 909 metros de escalada em apenas 21h13, tornando-se na primeira mulher a conseguir este recorde. Isto ganha ainda mais força se dissermos que foi apenas a quarta pessoa a consegui-lo, apenas atrás de Tommy Caldwell, Brad Gobright e Alex Honnold.

A subida do El Capitan é perigosa e requer a escaladores experientes entre quatro a seis dias para chegar ao topo, com cerca de 40 paragens ou secções pelo meio. Esta não foi a primeira vez que Emily chegou ao topo, embora anteriormente tenha ficado muito longe deste objetivo das 24 horas. Em 2019, na sua tentativa de bater o recorde, acabou por sofrer um grande acidente e teve que ser hospitalizada.

Contudo, nem vale a pena pensar que desta vez foi tudo mais fácil para a americana. Emily Harrington escorregou no 13.º patamar e ficou com uma ferida aberta a sangrar na testa, mas nem isso a afastou do seu objetivo.

“O El Capitan é uma das maiores, mais difíceis e icónicas paredes do mundo e está profundamente enraizada na cultura da escalada. Eu cresci a saber disso e das incríveis conquistas de escalada que aconteceram ali. Suponho que isso esteve sempre no fundo da minha mente. Eu fiz a escalada livre da rota Golden Gate em 2015 em seis dias e decidi que tentar escalá-la em menos de 24 horas seria uma grande demonstração de progresso da minha escalada”, relatou ao “Lonely Planet”.

Neste tipo de modalidade, a escalada livre, os desportistas sobem apenas com uma corda presa ao corpo para segurança, mas não têm qualquer tipo de ajuda física. Ainda assim, há um outro escalador nas suas costas que vai apertando e afrouxando a corda conforme as necessidades. No caso de Emily essa pessoa foi Alex Honnold. Foi precisamente na sua escalada do El Capitan que se baseou o filme de 2018 “Free Solo”, que ganhou o Óscar de Melhor Documentário. Curiosamente, o filme da Netflix “The Dawn Wall”, de 2017, mostra exatamente a aventura que viveram Tommy Caldwell e Kevin Jorgeson para escalar essa mesma rocha pela primeira vez. Demoraram 19 dias para consegui-lo, no entanto, abriram o caminho para os colegas que se seguiram.

Mais do que desafios pessoais e desportivos, estas grandes escaladas também representam para os montanhistas a oportunidade de se testarem a si próprios e à sua capacidade de resiliência.

“Penso que, principalmente, aprendi a falhar. Como lidar com a incerteza, a luta e a possibilidade muito real de que estava a trabalhar para algo que talvez nunca acontecesse. Tive que lidar com isso. Sempre fui uma perfecionista e muito dura comigo mesma. A partir do momento em que aprendi a ter um pouco mais de compaixão por mim, que nada iria ser sempre perfeito, dei a mim mesma o espaço para realmente esforçar-me, ser criativa e eventualmente ter sucesso”, explicou.

Desde miúda que Emily Harrington se destaca na escalada, tendo integrado a seleção nacional dos EUA em competições nacionais e internacionais. Depois de abandonar a competição, dedicou-se a tentar ser a primeira mulher a alcançar diversos objetivos no mundo da escalada livre. Entre as suas maiores subidas contam-se o Evereste e algumas das maiores paredes de Marrocos, Myanmar, China ou Nepal.

Em jeito de aviso e mensagem encorajadora, Emily sublinha que este é um desporto para todos e que não há uma definição de quem pode ou não fazer escalada.

“A escalada é para todos e espero que mais pessoas se inspirem a experimentá-la. O meu conselho seria para abraçarem a luta. O medo e o desconforto nunca desaparecem, apenas aprendemos a lidar melhor com isso. E esse é um presente que se leva para todos os aspetos da vida.”

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