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Esta plataforma gratuita quer prever o apocalipse. O truque é seguir jatos privados

O site envia uma notificação aos utilizadores quando há uma grande movimentação de aviões privados a deixarem os centros urbanos.

Crescemos a ver, em filmes e séries, que os multilionários são sempre os primeiros a prever um apocalipse. Em “Paradise”, a série de sucesso da Disney+, por exemplo, acompanhamos uma comunidade composta por líderes poderosos que passam a viver numa cidade construída dentro de uma montanha, depois de fugirem dos centros urbanos num avião privado horas antes do fim do mundo.

A verdade, porém, é que a realidade não está muito longe da ficção — pelo menos é o que pensa Kyle McDonald, um norte-americano de 41 anos. O programador criou uma plataforma gratuita onde é possível acompanhar as trajetórias de jatos privados com um objetivo: prever o apocalipse. 

Batizada de Sistema de Alerta Precoce para o Apocalipse, a plataforma é totalmente gratuita. O programador acredita que, antes de um apocalipse, os jatos privados irão “imediatamente levantar voo e abandonar os centros urbanos” em direção a bunkers ou casas seguras.

O objetivo do site é monitorizar este indicador em tempo real e enviar notificações aos utilizadores, através do email ou de mensagens de texto, com a escala da emergência, que pode variar entre um e cinco. 

Para selecionar as aeronaves, McDonald criou um filtro que procura registos cujo fabricante, modelo ou tipo corresponda a famílias comuns de jatos executivos, como Citation, Gulfstream, Falcon, Global, Challenger, Learjet, Phenom, Praetor, HondaJet, Hawker, Beechjet, Eclipse e Vision Jet. Estão excluídas as aeronaves marcadas como militares e aviões comerciais ou regionais.

A plataforma não revela quais são os proprietários dos jatos, nem quantas pessoas estão a bordo — todos os dados que disponibiliza são públicos. “O meu objectivo geral é dar às pessoas essa mentalidade hacker, para conseguirem olhar para o que está a acontecer à nossa volta e não ver apenas ruído, mas identificar alguns desses padrões”, disse autor ao jornal “The Washington Post.”

A ideia de criar a ferramenta surgiu recentemente, com a atual guerra entre os Estados Unidos e o Irão. O programador começou a sentir-se ansioso com a possibilidade de um acontecimento nuclear e decidiu criar a plataforma como forma de resposta.

“Quero que as pessoas se riam. Espero que olhem para isto e sintam o humor da nossa situação — estamos presos numa batalha entre os ultra-ricos e a classe trabalhadora”, sublinhou. 

Anteriormente, o norte-americano já se tinha destacado nesta área da vigilância. Foi o responsável por criar a “IceSpy”, uma plataforma que ajudava a identificar os agentes do serviço de emigração ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement); e a MyEpstein, que revela quais dos seus contactos aparecem nos ficheiros Epstein

“Interessa-me criar esta cultura de responsabilização e incutir uma sensação geral de que não se pode simplesmente fazer tudo o que se quer só porque se tem poder”, frisou. “Também quero encorajar toda a gente a sentir que talvez haja algumas coisas que possamos fazer.”

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