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Estátua de Pedro Álvares Cabral no Brasil incendiada

Grupo que reivindicou ação diz que foi para “destruir tudo que ele simboliza ainda nos dias atuais”.
Ação foi reivindicada.

Uma estátua do navegador Pedro Álvares Cabral foi incendiada no Rio de Janeiro, no Brasil, na madrugada de terça-feira, 24 de agosto. Grupo que reivindicou a ação revela que foi um ato contra o simbolismo ainda atual do navegador mas também contra legislação polémica que está em debate no Brasil.

Além de incendiada, a estátua foi também grafitada, segundo a imprensa local. Junto à estátua um cartaz dizia ““Marco Temporal é genocídio. Projeto de Lei 490 não”. O Coletivo Uruçu Mirim reivindicou a autoria do incêndio.

No Twitter, a conta Marco Temporal Não publicou imagens das chamas e assumiu a participação. “Queimamos a estátua de Cabral para destruir tudo que ele simboliza ainda nos dias atuais, em protesto contra o Marco Temporal e o genocídio indígena continuado”.

Pedro Álvares Cabral é o navegador português natural de Belmonte a quem é atribuída a descoberta do Brasil, em 1500. Historiadores ainda mantém em aberto a possibilidade de Portugal já saber na altura de existência de terra naquele lado do mundo mas foi Pedro Álvares Cabral o primeiro europeu a liderar uma expedição ao território que haveria de ser o Brasil.

Os Descobrimentos acabaram por contribuir para o mercado de escravos nos séculos, razão pela qual o papel do navegador português é ainda alvo de críticas por uma parte da sociedade brasileira. Mas o protesto foi também motivado por uma polémica mais atual.

A expressão “Marco Temporal” refere-se a um debate que tem causado polémica no Brasil. Em causa está legislação que visa limitar os territórios ligados aos povos indígenas brasileiros. Trata-se de uma polémica tese que defende que os povos indígenas só podem reivindicar terras onde já viviam quando entrou em vigor a atual Constituição do país, em 1988.

Em vários países, diferentes movimentos têm alertado para o papel histórico na escravatura e a forma como influenciará o racismo enquanto questão sistémica. O derrube ou retirada de estátuas de figuras que há séculos participaram no mercado de escravos, tem sido uma das reivindicações mais visíveis.

A mesma conta do Twitter que partilhou imagens descreveu o gesto deste modo: “mais um monumento escravocrata e genocida foi incendiado.”

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