Viagens

Este dois madeirenses apaixonaram-se numa viagem — e já conhecem 15 países

Tudo aconteceu por acaso, durante uma viagem a Valência. Foi ali que começaram a namorar, em 2018.
Esta fotografia foi tirada num dos sítios favoritos do casal.

O amor surge quando menos se espera. Esta frase feita aplica-se perfeitamente a Mara Rodrigues e Virgílio Jesus, de 24 e 27 anos, respetivamente. Conheceram-se graças a algo que ambos gostam de fazer e que os une até hoje: viajar. Os dois são madeirenses mas conheceram-se em Lisboa, no Aeroporto Humberto Delgado em 2018, quando estavam prestes a embarcar naquela que seria a primeira aventura além fronteiras que fariam juntos. 

“Fomos para Valência porque nos inscrevemos num programa de estágios europeus, o Eurodisseia — e o mais curioso é que somos ambos madeirenses, mas nunca nos havíamos cruzado na nossa ilha. A Mara tinha acabado a licenciatura em Gestão na Universidade da Madeira, e o Virgílio trabalhava na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, onde tinha terminado o Mestrado em Cinema e Televisão na Universidade Nova”, conta o casal à NiT.

Naquela altura, estavam ambos à procura de uma nova oportunidade a nível pessoal e profissional, queriam experimentar outros mundos e conhecer novas pessoas. Queriam fugir à regra de terminar os estudos, começar a trabalhar logo a seguir e evitar cair na rotina.

Três anos depois, Espanha ainda é um destino importante para o casal. Foi em Madrid que, em dezembro de 2018, começaram a namorar. O pedido foi feito por Virgílio que se ajoelhou diante da Plaza de Cibeles. É seguro dizer que esse Natal foi o mais mágico das suas vidas.

No entanto, a estadia na capital espanhola não teve apenas coisas boas, e conseguem destacar duas histórias tão dececionantes que acabaram por ficar marcadas na memória. “Na primeira viagem juntos até Madrid em 2018, o Virgílio perdeu o seu cartão de cidadão e não o recuperou. Infelizmente, no Consulado Português lá não aceitavam pedidos de renovação de cartões de cidadão dos portugueses que estivessem a viver em Valência. Tivemos que ir à pressa até Barcelona”.

“O nosso primeiro contacto com a capital da Catalunha foi estranho e frio. Tivemos uma grande deceção com o atendimento atípico nesse Consulado. Barcelona é a cidade do surrealismo e surreal foi também essa viagem forçada pelas circunstâncias. O cartão nem sequer foi entregue durante essa estadia. Viajou numa carta até à Madeira e foi reencaminhado pela mãe do Virgílio à nossa morada de Valência.” Conseguem, porém, fazer piadas com a situação: “Tivéssemos nós viajado tantas vezes como esse cartão num tão curto espaço de tempo.”

E qual foi a pior experiência que tiveram em viagem? A resposta de ambos leva-os de volta a Madrid, mas não devido ao cartão de cidadão. Dessa vez, pelo motivo que todos nós passámos a conhecer: a pandemia. “É uma metrópole de pólos opostos, onde tivemos experiências singulares em termos do nosso romance e onde, devido ao contexto pandémico, estávamos limitados a 25 metros quadrados. Começámos a sentir falta daquilo que mais gostamos. Não tínhamos o mar e não conseguíamos olhar facilmente para a linha azul do horizonte (como acontecia noutras cidades como Valência). Antes da pandemia, a Madrid via numa constante correria, num frenesim semelhante ao de uma bomba-relógio prestes a explodir. Nesse momento, não era fácil obter o equilíbrio que estávamos à procura e que agora valorizamos imenso”, revelam.

A pandemia causada pela Covid-19 afetou a vida de muitos viajantes, devido a todas as restrições. Mara Rodrigues e Virgílio Jesus não foram exceção — durante três meses, ficaram confinados a um pequeno apartamento. Mas havia esperança, que surgia na forma de uma janela no teto. “O nosso apartamento era minúsculo, mas tínhamos uma gigantesca clarabóia, que nos ligava ao exterior e nos tranquilizava. Éramos brindados com a luz do sol e da lua, com o som da chuva e canto dos pássaros, com os aplausos aos profissionais de saúde e com as notas da canção ‘Fai Rumore’, de Diodato, que se transformou num grito de esperança e liberdade durante o confinamento”, lembra Mara.

Tal como muitas outras pessoas, aproveitaram o tempo extra que passavam em casa para criarem novos projetos. Foi assim que surgiu o blogue “La Vida Es Mara”, onde o tema principal são as viagens, com um toque extra de cinematografia, que surge graças ao mestrado de Virgílio Jesus.

Antes e depois dos confinamentos, já tiveram a oportunidade de visitar 15 países: Inglaterra, País de Gales, Escócia, Países Baixos, Itália, Espanha, Dinamarca, Bélgica, Suíça, França, Turquia, Croácia, Grécia, Canadá e Costa Rica. O casal salienta este último destino.

“Aí conectámo-nos profundamente com a natureza, estivemos rodeados de um manto verde indescritível. A experiência foi ainda mais marcante por vermos os animais livres no seu habitat natural — macacos, répteis, várias espécies de pássaros e de borboletas absolutamente fascinantes, entre outros. Não é todos os dias que podemos desfrutar de paisagens de cortar a respiração e de viver tão belas emoções que nos tocam a alma”, recordam-se.

Além da Costa Rica, destacam ainda Itália. “Continuamos fascinados com a grandiosidade do Lago di Como, na Itália, que visitámos há bem pouco tempo. Neste local, tão perto dos Alpes italianos, as montanhas parecem ter sido desenhadas pelos deuses. Tivemos a possibilidade de visitar várias vilas de ferry e aproveitar aquele sentido do dolce fare niente italiano [expressão italiana que significa despreocupação e tranquilidade]. Cada vila do Lago di Como tem uma história, tonalidades pitorescas diversas e as pessoas são tão amáveis e acolhedoras que nos sentimos num conto de fadas, onde tudo é perfeito. A própria língua italiana fascina-nos, tem um toque poético que nos arrebata a cada minuto que a ouvimos.”

De volta a Portugal, destacam a ilha da Madeira, visto que foi lá que ambos cresceram. Mas as razões não se prendem apenas com um sentimento de nostalgia. Para o casal, é um lugar “recheado de grandes belezas naturais, com muitas potencialidades turísticas, onde respiramos o ar puro entre o mar e a serra.” E acrescentam: “Podemos mergulhar no Oceano Atlântico, observar golfinhos e baleias e no mesmo dia, visitar montanhas para ficarmos mais próximos do céu e maravilhar-nos com a vista acima das nuvens. É uma verdadeira força da natureza.” No território nacional continental destacam a Basílica de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e o cabo de São Vicente, em Sagres.

Viajar não é, regra geral, barato. O dois portugueses conhecem bem a importância do orçamento na hora de planear uma aventura e deixam-nos algumas dicas para viajarmos com pouco dinheiro. “A primeira e mais importante dica é fazer reserva dos voos e do alojamento com alguma antecedência. A segunda é cortar em pequenas coisas no dia a dia, como em vez de jantar fora, jantar em casa ou fazer piqueniques. A terceira é reduzir as compras por impulso e comprar só o necessário; e, às vezes, damos uma segunda vida às peças que já não nos fazem falta, colocando-as à venda. Estas são algumas das coisas que praticamos para preparar as nossas viagens”, contam.

O planeamento minucioso dos sítios a visitar é também bastante importante. Recomendam a compra de bilhetes online para os museus e parques de atividades, onde com alguma sorte, podemos encontrar descontos.

Mara e Virgílio não pensam parar de viajar e já sabem qual é próximo destino. Quer dizer, ele sabe. “Vai ser uma surpresa de aniversário para a Mara, ela só vai saber quando chegarmos ao aeroporto”. Sem estragar a surpresa, revelam que é um local europeu de sonho, onde passarão os próximos meses.

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