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Este paradisíaco (e barato) país mediterrânico é o próximo grande destino de verão

Tem praias de água cristalina, muito calor, bom marisco e um povo hospitaleiro. Está na altura de descobrir a Albânia.

É um nome que passa muitas vezes despercebido, mas a localização no mapa não engana. Banhado pelo Adriático e entalado entre Grécia e Montenegro — e a apenas 80 quilómetros do mar da costa italiana de Puglia —, junta o que de melhor têm estas regiões, do clima à comida, com uma enorme vantagem: os preços são muito, muito mais competitivos.

Na última década, o destino europeu tem conquistado um lugar na lista dos viajantes mais ousados. Aos poucos, tem recebido outro tipo de turistas, sobretudo pelas suas praias paradisíacas e preços baixos. Não é por acaso que o seu grande cartão de visita é a costa, também apelidada de Riviera Albanesa.

Com temperaturas médias de 30ºC no verão, apresenta o tipo de clima mediterrânico que tornam tão apetecíveis os países vizinhos e as suas ilhas. Claro que, depois de uma ditadura de várias décadas, a chegada da democracia no início dos anos 90 é, ainda, um processo em curso.

A qualidade (e quantidade) dos alojamentos tem melhorado para acompanhar a procura crescente. De acordo com o “The Guardian”, por exemplo, o site de marcação de voos SkyScanner registou nos últimos meses um aumento na procura de 48 por cento, quando comparado com 2019. Uma tendência comum a famílias britânicas mas também de toda a Europa.

Mais facilidades? A distância. O aeroporto principal da capital Tirana está a apenas três horas de distância de um avião que parta de Lisboa.

A vizinha Croácia, já um estado-membro da União Europeia — a Albânia faz, desde 2014, parte dos estados em processo de admissão —, percorreu este mesmo caminho. País com um passado recente atribulado, marcado pela guerra que desmembrou a Jugoslávia, mas detentor de um património natural e cultural riquíssimo, transformou-se rapidamente num dos mais procurados destinos de praia do continente.

Ao que tudo indica, a Albânia pode mesmo seguir-lhe as pisadas. A nível de preços, a diferença é incontestável. Se os voos para um e outro país, partindo de Portugal, não revelam uma grande diferença — variam entre os 300 e 400 euros, sempre com escala obrigatória —, o caso muda de figura no que toca ao valor do alojamento.

Foquemo-nos apenas nos hotéis de cinco estrelas junto à praia. A oferta o longo da costa albanesa tem um custo médio de cerca de mil euros para uma estadia de uma semana para duas pessoas, já para este mês de agosto. Umas férias semelhantes na vizinha Croácia, também num dos muitos cinco estrelas da costa, custará em média pelo menos o dobro.

É precisamente essa a diferença revelada pelo site especializado no custo de viagens, o Budget Your Trip. Para umas férias de luxo para um casal, o valor por semana na Albânia é de aproximadamente 1.340 euros. Bastante simpático quando comparado com os 2.510 da Croácia, os 4.300 da Grécia ou os mais de 4.600 de Itália.

Segundo dados da Booking, os valores de alojamento na Albânia são consideravelmente mais baixos, na mesma época e com estadia em cinco estrelas do que, por exemplo, no Algarve. É, portanto, uma opção a ter em conta, sobretudo pelo potencial de descoberta, não só das praias, mas de toda a cultura albanesa.

Quando o tema é um país relativamente desconhecido, o tema da segurança surge inevitavelmente na equação e a Albânia tem ainda uma reputação de perigosidade por debelar mas que, de acordo com a estatística e a maioria dos governos, é infundada. O único alerta deixado é para quem visita a região próxima da fronteira com o Kosovo, palco do violento conflito entre 1998 e 1999. Apesar de o país ter sido declarado livre de minas terrestres em 2009, não é aconselhado que os turistas se aventurem nas zonas montanhosas da fronteira.

Por outro lado, o povo albanês é descrito como extremamente simpático e hospitaleiro. Compreende-se o porquê ao conhecer melhor as incríveis paisagens.

O lado paradisíaco da Albânia

Esqueçamos por um momento os destinos urbanos e do interior. Porque estamos no verão e já ninguém pensa noutra coisa que não numa praia quente com água límpida, façamos os 130 quilómetros de Tirana até ao início da joia albanesa, a sua própria Riviera — ou, se preferir, viaje a à ilha grega de Corfu, de onde pode partir para a Albânia numa curta viagem de ferry.

Pela frente tem outros 120 quilómetros de costa de areia dourada, penhascos e água quente e cristalina. O que não vai encontrar por lá? Gigantescas filas de turistas a ocuparem todos os passeios ou a ocuparem todos os lugares dos pequenos restaurantes recheados de bom e barato marisco e peixe.

Esta zona dourada começa em Vlore, mais a norte e conduz até os destinos mais procurados de Saranda e Ksamil, mais a sul. Conte com muitas pequenas praias, muitas delas com poucos ou nenhuns visitantes, sobretudo se passar por lá nas épocas já quentes mas ainda menos turísticas, como no final de maio ou em finais de setembro.

Pode mergulhar à vontade no Olho Azul

Além das praias, tem sempre à mão os locais assinalados pela UNESCO, como é o caso das ruínas arqueológicas de Butring, a 20 quilómetros de Saranda — uma zona que chegou a ser ocupada por gregos, romanos e bizantinos. Ou, por exemplo, os centros históricos de Berat e Gjirokastra, exemplos perfeitos do período otomano.

Vai também poder visitar locais como a antiga cidade de Orikumi, que data da sua criação a 600 anos A.C., ou as montanhas Cikas.

Uma das praias mais conhecidas é a de Ksamil, no sul, literalmente a três quilómetros de mar da ilha grega de Corfu. Apelidada de Joia do Jónico, é até de mais fácil acesso para quem aterre diretamente no aeroporto da ilha grega. De areias douradas águas límpidas, a praia pertence à vila com o mesmo nome, inserida no Parque Nacional de Butrint e que tem não mais do que dez mil habitantes.

Não faltam hotéis com preços simpáticos e, se quiser, pode até ficar alojado no Hotel Ronaldo — não será um dos do nosso Cristiano, mas ninguém se importará com isso.

Mais a norte está Sarande, uma cidade mais populosa já com 20 mil habitantes, que oferece destino de praia e de cidade, entre outros museus e relíquias de um passado recheado de história. A poucos quilómetros está um daqueles tesouros naturais para guardar na memória — e na página de Instagram —, o Olho Azul, um lago natural de cor cristalina.

A cerca de 40 minutos de viagem para o interior, escondida na floresta com o mesmo nome, está uma fonte natural que nasce de um buraco com cerca de 50 metros de profundidade.

Para os que preferem paraísos isolados, o destino só pode ser Gjipe, uma das praias mais bem escondidas do continente e que obriga a uma caminhada de 30 minutos pela floresta. O destino vale bem a pena o esforço.

A isolada praia de Gjipe

Outra praia em destaque, por ser uma das mais longas do país, é a de Dhermi, junto à vila com o mesmo nome. Novamente a norte, mais isolada, está também a praia de Drymades, rodeada de oliveiras.

Como chegar lá

Caso queira partir já em agosto, saiba que as viagens a partir de Lisboa e Porto obrigam a uma escala obrigatória. O destino será o aeroporto de Corfu, uma espécie de atalho grego no caminho até à Riviera Albanesa, com viagens cujos preços começam nos 427 euros.

Chegado a Corfu, há ferrys diários para Ksamil, com preços a rondar os 15 euros, numa viagem que não dura mais do que 30 minutos.

Caso prefira optar pela rota mais longa e conhecer a outra Albânia pelo caminho, pode viajar para a capital, Tirana, com voos cujos preços começam nos 469 euros. Depois, terá que viajar de autocarro ou alugar um carro para percorrer os 162 quilómetros até ao início da Riviera Albanesa, que o levará por mais 120 até chegar à fronteira sul, em Ksamil.

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