Viagens

Entre 7€ e 335€: estudo mostra gigante diferença de preço de testes Covid em aeroportos

Agência de classificação de transporte aéreo Skytrax comparou os custos e encontrou em alguns casos valores exorbitantes.
Uma nova realidade.

É um novo mundo, ao qual temos de nos habituar. Mesmo num cenário de vacinas em massa, de passaportes de imunidade, de retoma gradual do setor das viagens (e de todos os outros), é possível que durante muito tempo seja requerido que faça um teste à Covid-19 sempre que vai entrar num avião — ou após desembarcar.

Em alguns casos, pode levá-lo já feito, desde que com uma antecedência máxima de 72 horas, mas noutros a tendência é para pedir a realização de testes in loco: no local, como parte agora integrante e necessária de um normal processo de check-in e de partida para um novo país ou, em situações menos comuns, à chegada para quem não traga consigo qualquer teste ou comprovativo.

O problema é que isto custa; e quem paga é normalmente o cliente, ou viajante. Se há locais que oferecem os testes feitos de antemão — a Madeira e os Açores são dois exemplos — muitos destinos e aeroportos cobram mesmo, e alguns chegam a pedir valores considerados verdadeiramente exorbitantes.

Segundo um novo estudo da agência internacional de classificação de transporte aéreo baseada do Reino Unido, a Skytrax, ter um teste à Covid-19 negativo tornou-se um requisito quase universal para qualquer tipo de viagem internacional em 2021, pelo que a especialista em viagens decidiu realizar uma pesquisa comparativa.

Resultado: encontrou uma diferença de preços de 394 dólares, ou cerca de 328€, entre os custos mais altos e mais baixos para testes PCR padrão em vários aeroportos em todo o mundo.

Embora muitos aeroportos não ofereçam nenhum teste PCR no local, ressalva a agência, o estudo cobriu as taxas publicadas de 77 aeroportos que fornecem serviços de teste para passageiros que partem; e cobriu aeroportos na Europa, África, Ásia, América do Norte e América do Sul. Portugal não aparece abrangido no estudo, mas já lá chegaremos.

O estudo faz uma ressalva prévia: que em alguns países a taxa de teste é fixada pelo governo nacional e pode ser subsidiada. Da mesma forma, existe uma política variada de tributação de testes — no Reino Unido, por exemplo, 20 por cento da taxa cobrada é o imposto de valor agregado do governo.

Quanto às conclusões, o Aeroporto Internacional de Kansai, no Japão, tem o preço mais alto com uma taxa de processamento padrão de 404 dólares, cerca de 335€; o menor custo é para clientes domésticos que partem do Aeroporto de Bombaim, na Índia, e podem ter acesso a um teste de PCR por apenas oito dólares, pouco menos de sete euros.

O estudo analisou os preços de uma gama de serviços envolvendo tempos de processamento regulares e também acelerados e concluiu que os tempos de resposta laboratorial padrão ocorreram em média dentro de um período de 24 a 72 horas, com alguns serviços premium mais rápidos sendo capazes de fornecer resultados em apenas uma hora.

A pesquisa registou os serviços disponíveis de preços mais altos e mais baixos disponíveis de provedores de teste de aeroporto, não tendo sido considerados os serviços VIP. De acordo com a Skytrax, um número menor de aeroportos oferece Testes Rápidos de Antigénios e, da seleção disponível destes, a variação dos custos oscila entre os 205 euros e um euro e meio; respetivamente entre Helsínquia e, novamente, Bombaim.

A empresa dá explicações: no extremo mais alto dos custos de teste de PCR, disse a Skytrax, “a maioria dos aeroportos está em mercados desenvolvidos, onde fatores como infraestrutura, equipas e custos de laboratório são altos; e alguns provedores de teste também relatam dificuldade em alcançar as economias de escala necessárias devido às restrições impostas às viagens internacionais, onde os testes são geralmente necessários”.

De acordo com a agência, há claramente, em resumo, uma falta de coesão entre aeroportos e destinos, quer em relação ao tipo de testes disponíveis ou realizados, como em relação aos valores cobrados, como também face a tempos de espera, o que pode ser um impedimento para viagens em grande escala para muitos.

E em Portugal?

O principal aeroporto português, o de Lisboa, não aparece referenciado no estudo. Isto pode acontecer porque, como explica a agência, a pesquisa da Skytrax registou “os serviços disponíveis com preços mais altos e mais baixos de provedores de teste em aeroportos. Alguns aeroportos oferecem testes de uma variedade de clínicas e, para o propósito desta investigação, não incluímos nenhum serviço do tipo VIP”. 

Em Portugal, de facto, os testes são feitos por clínicas. Uma pesquisa rápida pela página da ANA— Aeroportos de Portugal mostra uma página bastante completa de perguntas e respostas sobre as viagens e os testes.

O Humberto Delgado, em Lisboa.

Aqui, pode perceber-se que, para testes feitos nas partidas, os passageiros deverão apresentar um RT-PCR e/ou testes antigénios (rápidos) com resultado negativo antes do voo, incluindo passageiros em trânsito, de acordo com as normas em vigor no país de destino. Assim, todos os passageiros deverão consultar atempadamente a respetiva companhia aérea ou agente de viagens, bem como entidades oficiais e websites como o IATA Travel Centre.

Quem não trouxer o teste feito, pode fazê-lo nos laboratórios Synlab existentes no aeroporto, sendo que os valores de testes Covid nestes laboratórios oscila normalmente entre os 35 e os 100€. O espaço Synlab no aeroporto realiza Testes PCR e o teste rápido antigénio e para os PCR, o tempo de resposta estimado é de 14-18 horas, que pode ser mais curto ou mais longo conforme a situação epidemiológica do País.

Na página desta empresa, acrescenta-se que os testes PCR são realizados em voos devidamente assinalados, no corredor das chegadas, a todos os viajantes que chegam a território nacional sem teste negativo; e os testes rápidos de antigénio são normalmente realizados em voos devidamente assinalados e nas quatro horas anteriores ao embarque, no estacionamento do piso -1, a todos os clientes que vão viajar para países que exigem apresentação deste teste à chegada. Os testes PCR e rápidos de antigénio podem também ser realizados na unidade SYNLAB instalada nas Partidas, todos os dias das 6 às 22 horas.

Ainda de acordo com a ANA, para quem entra em Portugal sem teste negativo o valor dos testes realizados, excecionalmente, nos aeroportos nacionais, à chegada, é de 100€, acrescidos de coima adicional, com pagamento imediato no local.

Recorde-se que hoje em dia, com a chegada de testes rápidos aos supermercados e farmácias, quem está de partida consegue também levar um teste rápido feito, por preços em conta.

Além disso, os passageiros da TAP podem também desde abril aceder a um serviço de testes no aeroporto de Lisboa “com descontos vantajosos e exclusivos face ao mercado”, segundo a companhia aérea. Em comunicado, a transportadora anunciou recentemente que a iniciativa resulta de uma parceria com a UCS, Unidade de Cuidados de Saúde do Grupo TAP.

Mediante a exigência do país de destino, a UCS realiza Teste Rápido de Antigénio com um custo para o passageiro de 21 euros, Teste PCR por 85 euros e Teste PCR mais Teste Rápido de Antigénio por 106 euros.

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