Viagens

Expectativa Vs. Realidade. Afinal, estes destinos não são tão idílicos como parecem

Quem nunca apanhou uma desilusão, que se manifeste. As fotografias conseguem ser (mesmo) muito enganadoras.
Nem tudo é o que parece.

Num mundo em que as redes sociais são invadidas por fotografias de paisagens cheias de filtros, tudo parece belo e idílico. A realidade, contudo, raramente é igual ao que vemos nas imagens — e pode mesmo ser uma verdadeira desilusão.

Não é que a paisagem não corresponda à realidade, só não esperávamos encontrar uma longa fila de turistas para conseguir vê-las de perto — e tirar umas fotos para o Instagram, claro. A experiência acaba por perder a piada e toda a magia inicial.

Noutras situações, em contrapartida, a desilusão surge porque aquele monumento que tanto sonhávamos ver afinal não era tão imponente como tínhamos imaginado. Alguns deles são tão pequenos que, se não soubéssemos que ali estavam, provavelmente nem daríamos por isso.

As fotografias (e agora a inteligência artificial também) acabam por distorcer ligeiramente a realidade e é preciso estar preparado para isso. Filtros, edição de imagem, um enquadramento num ângulo mais fechado são alguns dos truques que podem induzir uma pessoa em erro. Eis alguns exemplos de destinos turísticos famosos que, na realidade, podem não ser tão perfeitos — e aqui não há filtros que o salvem.

Muralha da China

Considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo, a Muralha da China, também conhecida como a Grande Muralha, tem 21.196 quilómetros e quase sete metros de altura. Construída durante cerca de dois milénios (começou em 220 a.C e terminou no século XV), é hoje a atração turística mais popular do país asiático, com quase 11 milhões de turistas a visitá-la anualmente.

Apesar da sua extensão, nem todos os quilómetros podem ser percorridos. Os turistas estão limitados aos troços destinados a visitas e, em certas épocas do ano, é tudo menos um passeio tranquilo, como muitos podem pensar. O casal português do blogue “Viajar entre Viagens”, por exemplo, visitou a Muralha da China em 2019 e admite que foi “de certa forma, uma desilusão”. “Visitámos um curto troço da muralha em Badaling, de tal forma apinhado de turistas que era difícil tirar fotos”, escreveram na altura.

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O templo Pura Lempuyang, na Indonésia

Todos os anos, milhares de turistas deslocam-se até ao templo Pura Lempuyang para recriar aquelas fotografias famosas nas redes sociais, onde fazem pose entre duas estruturas de pedra com o seu reflexo espelhado na água. Podia ser tudo muito bonito, mas o cenário não passa de uma fraude — na realidade, não existe.

Ao contrário do que se vê na Internet, não existe nenhum poço ou lago no templo hindu. As fotografias impressionantes são, na verdade, criadas com a ajuda de um espelho. O famoso espelho d’água do templo Pura Lempuyang é apenas uma ilusão, um truque fotográfico. Isto porque o efeito da paisagem refletida só é possível com o tal espelho, que está posicionado junto à lente da câmara fotográfica na altura de disparar. 

São os próprios balineses que, com um espelho, passam o dia ao sol para tirar as fotografias que depois vemos nas redes sociais. Os turistas, que por vezes esperam mais do que uma hora para o grande momento, podem fazer cerca de três ou quatro poses diferentes antes que os “fotógrafos” peçam ao grupo para avançar. No final, embora não exista nenhum valor definido, esperam receber uma gorjeta.

O Pura Lempuyang faz parte de um conjunto de templos de Bali localizados no alto do Monte Lempuyang e é um dos mais antigos da cidade. Fica a 1.175 metros acima do mar e, para chegar às “Portas do Paraíso”, ainda tem de caminhar durante uns 10 a 15 minutos por escadas e uma rua bastante íngreme.

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O quadro da Mona Lisa, em Paris

Quem já visitou o Museu do Louvre, em Paris, sabe bem do que estamos a falar. O quadro pintado por Leonardo Da Vinci em 1503 é uma das obras de arte mais famosas do mundo, mas também já foi considerada a mais decepcionante de sempre —  e não é difícil perceber porquê.

Ao contrário de outros quadros que se encontram no museu, de grandes dimensões e onde é possível apreciar a pintura calmamente, o mesmo não acontece com a Mona Lisa. O pesadelo começa assim que chegar à sala, onde quase nem consegue entrar devido à enchente de turistas. 

A pintura, que não é assim tão grande como muitos imaginam, está protegida por um painel de vidro à prova de bala, mas para conseguir vê-la de perto terá de ficar no meio da multidão até chegar mesmo à frente. E mesmo aí é difícil apreciar o quadro, já que vai levar alguns empurrões pelo meio para sair de lá.

A obra exposta no Museu do Louvre também costuma surpreender os seus visitantes por ser tão pequena — tem apenas 77 por 53 centímetros. O youtuber brasileiro Felipe Neto, que visitou o Louvre em 2021, partilhou a experiência com os seguidores: “Se vocês têm esse sonho, repensem. Foi uma das piores experiências em termos de frustração que tive na minha vida. E fui em Pais na época baixa”, contou.

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Fontana di Trevi, em Roma

A icónica Fontana di Trevi é mais um clássico que está na bucket list de todos aqueles que visitam a capital italiana. Os turistas sonham em tirar uma fotografia com a estrutura como pano de fundo e atirar aquela moeda típica para a água, mas a realidade pode ser bem diferente.

A não ser que visite o local de madrugada (entre as duas e as seis da manhã, talvez), a probabilidade de conseguir tirar uma fotografia sem pessoas à volta é praticamente nula. De manhã à noite, vai encontrar a fonte sempre tão cheia que só vai querer fugir dali o mais rapidamente possível.

Com 20 metros de largura por 26 metros de altura, há também muitos turistas que ficam desiludidos por pensar que seria muito maior.

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Torre de Pisa, Itália

A história é a mesma: a multidão de turistas. Tirar uma foto a fingir que se está a segurar a torre tornou-se numa espécie de tradição entre os visitantes. O problema é o que está por trás da pose — todos os dias passam por ali centenas de pessoas que fingem segurar a Torre de Pisa — e o resultado está à vista.

É provavelmente o acidente mais famoso da história. Após a construção dos três primeiros pisos, a torre começou a inclinar-se para sudeste. O arquiteto Bonanno Pisano não desistiu, e tentou resolver o problema construindo cinco andares um pouco mais altos de lado. Não resultou: a torre afundou-se ainda mais.

Construída no século XXI, o projeto terminou na segunda metade do século XIV — torto, claro. Todos os anos a Torre de Pisa ficava inclinada mais um bocadinho. Atualmente, a torre é uma das principais atrações em Itália. 

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Passear de Gôndola em Veneza

Não é possível calcular quantas pessoas andam de gôndola todos os anos na cidade, mas a experiência é obrigatória para os turistas — é como vir a Portugal e não experimentar um pastel de nata. Infelizmente por vezes a procura é tanta que um passeio de gôndola se torna tão aborrecido como atravessar a Segunda Circular em hora de ponta.

A cidade tem 177 canais, sendo o Grande Canal de Veneza o maior e o mais importante da cidade — tem quatro quilómetros. 

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Ilhas Phi Phi, na Tailândia

A Tailândia é conhecida pelas suas ilhas com praias de areia branca e água límpida. Basta fazer uma pesquisa rápida no Google para ser invadido por milhares de fotografias de cenários paradisíacos. Umas das mais conhecidas são as ilhas Phi Phi, que ficaram conhecidas como o paraíso na terra no filme “A Praia”.

De facto, a praia Maya Bay, a que apareceu no filme, é realmente idílica, mas recebeu tantos turistas nos últimos anos que, agora, tem de vedar o acesso aos visitantes para o ecossistema consiga recuperar dos danos causados. Ainda assim, há multidões por todo o lado da ilha, já para não falar da quantidade de lixo que se amontoa na areia, com os corais, sacos de plásticos e garrafas de água a estragar uma paisagem que podia ser tão bela como imaginávamos.

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A estátua do Manneken Pis, em Bruxelas

Se não formos à procura dela, provavelmente nem a vemos, de tão pequena que é. Criado em 1388, o Manneken Pis é um dos símbolos mais famosos de Bruxelas. A estátua de bronze representa um menino a urinar na pia de uma fonte.

Ninguém pode exigir que a escultura de uma criança seja enorme, mas esta é realmente pequena: tem apenas 50 centímetros de altura. Ainda assim, continua a atrair uma legião de pessoas todos os dias, que querem ver o menino de perto. 

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