Viagens

Fábio Sousa: o português que anda a conhecer o sudoeste asiático de mochila às costas

Só saiu de Portugal pela primeira vez quando "tinha 17 ou 18 anos". Porém, o seu grande objetivo sempre foi descobrir o mundo.
Partiu na viagem de uma vida.

Muitas pessoas que hoje viajam pelo mundo de forma quase profissional começaram a desenvolver esse gosto em miúdos. Contudo, a história de Fábio André Sousa é diferente. Considera que começou a viajar tarde. “A primeira vez que saí de Portugal tinha 17 ou 18 anos. Durante as férias ficava muito pela minha zona com os meus pais”, conta à NiT o natural de Caldas da Rainha, agora com 29 anos.

Já uns anos depois, quando estava na casa dos 20, começou a fazer viagens de carrinha com os amigos. “Fizemos cinco ou seis viagens assim. Todos os anos trabalhávamos para aquilo.” Juntos, passaram por vários países, como Grécia e Albânia. Na verdade, foi este segundo país o grande destaque. “É muito fora do comum dos roteiros habituais, mas tem tudo o que o turista gosta”, como preços baixos e praias incríveis. “O povo também é cinco estrelas e fomos muito bem recebidos.” Por essa altura começou a partilhas as suas aventuras no Instagram onde, atualmente, conta com cerca de 30 mil seguidores.

No entanto, o seu grande objetivo sempre foi descobrir o mundo com uma mochila às costas, mas sabia que uma viagem assim não seria barata. Na universidade estudou arqueologia, “mas não era aquilo que pretendia fazer na vida”. “Escolhi demasiado rápido na altura, quando estava nas aulas percebi que não era aquela vida que queria para o futuro, foi uma altura difícil”, confessa.

Mais tarde começou a trabalhar como promotor na Samsung, o que foi, para ele, uma escapatória. Além disso, era a maneira ideal de ganhar o dinheiro que precisava para viajar. Agora sabe que, profissionalmente, quer fazer algo relacionado com o turismo, após descobrir a sua grande paixão.

Em outubro pode finalmente concretizar o sonho de partir à descoberta do globo. No início tinha dúvidas se iria para a América do Sul ou Central, mas acabou por ir para o Sudoeste Asiático, porque ali “tudo é mais barato”. Estava entusiasmado, mas também nervoso. Afinal, estaria a sair da sua zona de conforto. “Estou cada vez mais satisfeito por o ter feito”, aponta.

O seu roteiro é, pelo que descreve, diferente dos mais habituais. “Gosto de procurar zonas menos conhecidas e faladas”, revela. Já passou por Singapura, Malásia, Indonésia e Tailândia. “Indonésia foi o que mais me marcou até agora. Tem turismo em Bali mas no resto do país não.” Ali, passou por Lombok, uma ilha com um povo acolhedor e com costumes muito diferentes dos nossos.

Atualmente está em Banquecoque, uma experiência com “muitas confusão”. “Não é muito o meu estilo porque não sou tanto de cidades. Em algumas zonas são muito turísticas, mas noutras já se consegue sentir a cultura real das pessoas. Mas também há muitos habitantes a dormir na rua, o que é triste”, confessa.

Como não podia faltar, o roteiro já contou com muitos momentos marcantes, mas destaca uma história. Estava na Indonésia, mais especificamente nas ilhas Gili. “Tivemos de passar por lama até chegar ao barco”, começa por contar. Foi com um guia muito barato e, ao fim do dia, estava numa zona rural, onde não existem táxis. Tentaram arranjar alguém que os levasse de volta para o porto mas os preços que ofereciam eram exorbitantes.

Fábio sugeriu pedir boleia, mas a sua namorada não parecia muito convencida. Ele, contudo, não estava preocupado, porque é algo que costumava fazer quando era miúdo e queria ir pra a praia com os amigos. “Uma carrinha parou e levou-nos”, diz. Para ele, aquela atitude reflete muito bem a simpatia do povo da Indonésia.

Também foi naquele país que aconteceu o momento mais assustador da viagem. Estavam na cidade de Jacarta quando sentiram o hotel a abanar como nunca tinham sentido. Do quarto ouviram gritos de pânico e a principal preocupação de ambos era a possibilidade de haver um tsunami, algo que, felizmente, não aconteceu. “Estávamos a 60 quilómetros da zona de maior impacto. Mas a zona ao lado da nossa foi muito afetada e morreram pessoas”, recorda.

São várias as histórias que ficam na memória mas, no meio de alguns meses em viagem, também surgem alguns destinos que não correspondem às expectativas. No caso de Fábio esse destino foi a Malásia. Só lá esteve uma semana mas percebeu que não “é o mais atraente” no Sudoeste Asiático. “As pessoas são rudes e com nariz empinado, não falam connosco da melhor forma”. Isto aplica-se principalmente às cidades, porque nas aldeias já existe uma maior simpatia.

O próximo destino será o Camboja, onde passará o Natal e a Passagem de Ano. “Espero que seja na praia, sei que vai ser totalmente diferente”, diz com entusiasmo. Regressará à União Europeia a 7 de fevereiro, porque já tem voo marcado para a Grécia. Isto não significa, contudo, que a viagem acabe ali. “Existem muitos países e cidades na Europa que não conheço bem, como Macedónia e Kosovo. “não sei se vou querer ir para Portugal ou não. Se sentir que já chega, regresso”, conclui.

Carregue na galeria e conheça melhor esta viagem (e outras) de Fábio Sousa.

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