Viagens

A família portuguesa que está a dar a volta ao mundo em 37 dias (pela terceira vez)

Tudo começou com um sonho de criança do pai Pedro Crespo. Agora, partilham as aventuras em família com o mundo.
A Family Around The World.

Rita Mota e Pedro Crespo são a prova de que nunca é demasiado tarde para correr atrás dos nossos sonhos. Seja a dois, com as duas filhas ou até mesmo com um casal amigo. Tanto faz. O blogue e a página do Instagram Family Around The World permite-lhes mostrarem aos seguidores as aventuras que fazem em família. Aliás, neste preciso momento, estão a realizar a terceira volta ao mundo, após quatro anos de poupança, planeamento e muitas reuniões. 

“Viajar está no nosso ADN”. É com esta frase que a Family Around The World se apresenta ao mundo, mas cada um dos membros tem uma história particular. A mãe, Rita Mota, tem 44 anos e nasceu em São Miguel. Criada numa família grande — cresceu entre dois rapazes — viajou pela primeira vez quando tinha 12 anos, precisamente na altura em que os Mota se mudaram para Lisboa.

Licenciada em Psicologia, aproveitou a pandemia para dar um novo rumo à sua vida profissional. “A Rita foi uma daquelas pessoas que aproveitaram a pandemia para tomar decisões e para perceber que o mundo corporativo pode ser muito cruel. Com o apoio da família fez um percurso para tentar perceber o que gosta ou não de fazer. Agora está a trabalhar no digital, algo que adora”, começa por contar à NiT o marido Pedro Crespo. 

O pai da família tem 49 anos e, apesar de ter nascido e sido criado em Lisboa, não esconde a forte ligação ao Alentejo. Licenciado em Informática e Gestão de Empresas, trabalha atualmente em Recursos Humanos. Quando lhe perguntaram, em miúdo, o que queria ser quando fosse grande, a resposta era automática: ser pai. 

O sonho realizou-se quando nasceu a primeira filha do casal, Mariana Crespo, hoje com 19 anos, que não podia ser mais parecida com o pai: também adora conversar. Em criança, começava sempre as conversas por “Sabia que…?” e terminava com aquelas curiosidades incríveis que lia nas revistas “National Geographic”.

É uma verdadeira artista, que adora desenhar e pintar e também foi acrobata, uma experiência que partilhou com a irmã mais nova, Beatriz Crespo, o membro mais novo da família e que já tem 17 anos. Assim como a mãe, nasceu nos Açores. A primeira viagem que fez foi até Lisboa, quando tinha apenas um ano. Adora tudo o que tenha a ver com desporto, desde skate, bicicleta, surf e patins. Mas ainda tem tempo para se dedicar à música, outra das suas paixões.

​A primeira volta ao mundo em 2013

“Em 2012 tivemos um fim de semana a dois em Santarém e a certa altura disse à Rita que tinha o sonho de dar a volta ao mundo e que era uma pena porque já tínhamos duas filhas e era cada vez mais complicado”, relembra o pai da família. Uma frase que à partida seria apenas da boca para fora, mas foi muito mais do que isso.

 “Nunca é tarde. Por que não vamos dar a volta ao mundo?”, respondeu a mulher E assim foi. Começaram a pesquisar e a ver aquilo que podiam efetivamente fazer com o dinheiro que tinham e, organizadas as coisas, partiram para a primeira volta ao mundo em 2013, apenas os dois.

 

“Nós não tínhamos noção de como fazer uma coisa destas com duas miúdas pequenas e decidimos ir só os dois, até porque não sabíamos como iam reagir a uma viagem tão longa”, explica o casal. Com a companhia um do outro, embarcaram para uma aventura diferente de tudo o que tinham vivido até então e mal sabiam eles que seria a primeira de muitas. 

“Fazíamos parte daquele grupo que pensava que isto tudo era muito cansativo, mas a partir do momento em que começámos a experienciar este tipo de viagens, é difícil não viciar”, acrescentam. Nesta primeira viagem de 30 dias pelo mundo, passaram por Londres, Singapura, Bali, Cairns, Sidney, Honolulu, Los Angeles, Las Vegas e Chicago.

A segunda aventura pelo mundo

Assim que chegaram e foram ao encontro das filhas, após um mês separados, a pergunta não demorou a chegar: “Mãe, pai, quando é que podemos ir com vocês?” Por isso, aquilo que seria apenas uma vez sem exemplo, tornou-se quase uma tradição familiar. Já com experiência no currículo, começaram a planear a segunda viagem pelo mundo, desta vez na companhia das filhas. 

“Surgiu de forma espontânea, não tínhamos ideia de voltar, nem sequer sabíamos se íamos gostar deste tipo de viagem, mas depois percebemos que não é desesperante de todo e foi uma surpresa para os dois”. 

Durante cinco anos, “com um sentimento de compromisso enorme”, tiveram tempo para juntar dinheiro e preparar o itinerário, que consideram ser a parte mais divertida de organizar a viagem. “Agarramos no mapa-mundo e começamos a fazer bolinhas nos países que gostávamos de ir. Depois, fazemos riscos e começamos a fazer o melhor percurso”, explicam. 

Escolhidas as cidades, começam a ver o custo dos bilhetes e o custo de vida média em cada país. “Fazemos as contas, colocamos uma percentagem para compras, para imprevistos, para lazer, para os alojamentos e tudo isso nos dá uma perspetiva do que temos de pôr de lado”.

Cinco anos depois da primeira volta ao mundo da Rita e do Pedro, voltaram a repetir a experiência em 2018, com as filhas, na altura com 15 e 12 anos. Ao longo de 33 dias, conheceram Istambul, Kuala Lumpur, Langkawi, Tóquio, Honolulu, San Diego, Cusco, Machu Picchu, Buenos Aires, Cataratas do Iguaçu e Rio de Janeiro.

“O grande desafio era conseguir surpreendê-las todos os dias. O tempo para elas era diferente, ainda não tinham terminado uma atividade e já estavam a pensar na próxima”, revelam. Outra surpresa incrível nesta segunda viagem foi perceberem a consciência financeira que as filhas ganharam durante aquele período.

Como em tudo na vida, nem tudo foi maravilhoso. Apesar de nenhuma experiência ter sido realmente má, chegaram a apanhar um pequeno susto ao subir o histórico Machu Picchu, no Peru.

“Na minha tentativa de ser um jovem de 29 anos decidi marcar uma subida ao Machu Picchu por um caminho muito difícil, pelo meio das montanhas, mas íamos fazer de forma diferente, de bicicleta e slide para poupar horas de caminhada”, conta o pai da família. Ao chegarem lá, descobriram que as bicicletas estavam proibidas por ser um caminho muito perigoso e foi-lhes sugerido um novo percurso que, à primeira vista, parecia ser uma boa ideia. À medida que começaram a subir e descer montanhas, a ideia já não pareceu assim tão genial. 

“A minha filha mais velha começou a sentir-se muito mal por causa da altitude e aquilo esteve quase a transformar-se numa não subida ao Machu Picchu”, recorda. Por sorte, conseguiram apanhar um autocarro que os levou quase até até lá acima e, assim que chegaram ao topo, todos os medos desapareceram e “foi muito recompensador”.

Os quatro em família.

A terceira volta ao mundo em 37 dias

Depois dos pais, foi a vez das filhas se apaixonarem por este género de viagem, a andar de um lado para o outro, a conhecer novas culturas e a aprender novas línguas. Quanto mais viajam, mais países querem conhecer. É uma lista interminável e é precisamente por esse motivo que não se ficaram só por duas viagens pelo mundo.  

Quatro anos depois, os quatro voltaram a juntar-se para esta aventura de 37 dias pelos vários continentes, desta vez também com a companhia de um casal amigo. “Em conversa num jantar com um casal amigo, que já fez várias viagens connosco, sugerimos irem connosco, mas disseram que não tinham dinheiro. Em cerca de cinco minutos dissemos quando iria custar a viagem e no fim decidiram vir connosco”.

Para se prepararem ainda melhor para esta terceira viagem, o casal lançou este ano o podcast “Já Foste”, onde convidam pessoas famosas de várias áreas para falarem sobre os locais do novo itinerário. Já receberam a apresentadora de televisão Iva Domingues, que falou sobre Bangkok, ou a fadista Katia Guerreiro, que deu a conhecer melhor Santiago do Chile.

Com mais do que tempo para se organizarem, partiram de Lisboa no dia 16 de julho. O regresso à capital está previsto para 21 de agosto. Até lá, vão conhecer Dambulla, Galle, Bangkok, Koh Samui, Seoul, Hanoi, Singapura, Auckland, Santiago e Nova Iorque.

A maior dificuldade de viajar pelo mundo, segundo a família, é sem dúvida andar de um lado para o outro com a bagagem. Com a experiência, foram aperfeiçoando técnicas para as deixar mais leves. Nesta viagem decidiram levar apenas uma mochila de 40 litros. Além disso, a nova aventura tem uma componente solidária: em cada destino vão doar alguma da roupa que levam com eles. 

Por norma, passam entre três a quatro noites em cada destino e costumam pernoitar em hotéis ou apartamentos. Nesta viagem, por exemplo, vão ter uma experiência diferente do habitual. Na Nova Zelândia, vão ficar na casa de pessoas que conheceram através do desporto e que os convidaram a ficar lá em casa. 

Com ambas as filhas mais crescidas, as despesas acabam por ser ligeiramente maiores, tendo em conta que já pagam tudo como adultos e não a metade do preço, como aconteceu em 2018. Ainda assim, o preço por pessoa tem diminuído ao longo das viagens. 

A primeira volta ao mundo foi a mais cara, até porque só iam os dois e, na altura, nem sequer pensaram na possibilidade de existir uma próxima. Aproveitaram a viagem com tudo a que tinham direito. O valor total ficou à volta de 7500€ por pessoa.

Já em 2018, a primeira aventura com as miúdas, custou cerca de 6200€ por pessoa. A estimativa para este ano é que não ultrapasse os 5000€ por semana, até porque incluíram mais destinos da Ásia que acabam por ficar mais em conta. 

De seguida, carregue na galeria para ver algumas fotos desta incrível família que dá voltas ao mundo em (mais do que) 30 dias. 

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