Ainda não eram 10 horas e o calor em Punta Cana, na República Dominicana, já era insuportável. O destino? O primeiro resort a ser inaugurado na costa nordeste do país caribenho: o Club Med Michès Playa Esmeralda. Hora e meia de caminho, feita de carro, numa viagem que passou a correr, animada pelo relato do motorista, visivelmente orgulhoso da terra Natal.
Pelo caminho, uma revelação: na noite anterior dormi a poucos metros de Julio Iglesias, vizinho do lado do Club Med Punta Cana. O desgosto de não me ter cruzado com o cantor espanhol passou assim que avistei o lugar idílico onde iria pernoitar nos próximos dias.
As primeiras impressões foram o suficiente para perceber que estava, de facto, num resort exclusivo. Afinal, foi o primeiro da marca premium Exclusive Collection do Club Med a abrir nas Américas, no início de 2020, ainda antes de o mundo parar devido à pandemia. E por premium, querem dizer que feitas as contas, é uma unidade com mais espaço, menos hóspedes e que alberga suites maiores e com mais serviços. Exclusivo também porque foi o primeiro resort a abrir na região, que só começou a ser mais explorada pelo turismo nos últimos anos. Com o aeroporto mais próximo a mais de uma hora de distância, as cadeias hoteleiras preferiram focar-se em hotéis na zona de Punta Cana, no extremo leste do país.
O boom do turismo na República Dominicana começou precisamente em Punta Cana, que se tornou rapidamente um destino de referência nas Caraíbas. Aos poucos, outros lugares menos movimentados, com uma paisagem praticamente intocada e selvagem, também começaram a crescer neste setor. É o caso de Michès, considerada ainda uma das joias secretas do país caribenho — mas poderá perfeitamente competir com Punta Cana nos próximos anos.
Com cerca de 20 mil habitantes, o município pertence à província de El Seibo e é a simplicidade dos moradores, que se dedicam sobretudo à pesca e agricultura, que lhe conferem um encanto especial. Com paisagens naturais como a (ainda) intocada praia da Esmeralda e outras atividades de aventura, como a Montaña Redonda, de onde se avista a região a 329 metros sobre o nível do mar. A prova de que ainda é uma região em crescimento é que, para chegar ao topo desta montanha, o veículo tem de atravessar um turbulento caminho de terra, com alguns buracos pelo meio, que pode enjoar os mais sensíveis. Eu que o diga.
No caminho até ao resort, as estradas principais já estavam em melhores condições e as casas feitas com chapas construídas pelos próprios habitantes, decoradas com murais de arte, destacavam-se no meio das palmeiras e coqueiros, assim como os muitos vendedores de frutas. É impossível não reparar no contraste que se vive para lá dos limites dos resorts. Não é segredo nenhum que a República Dominicana, descoberta por Cristóvão Colombo em 1492, é tudo menos uma economia rica.
Sentem-se ainda as dores da lenta recuperação de uma ditadura que durou 31 anos, entre 1930 a 1961. O regime de Rafael Trujillo ficou conhecido como uma das ditaduras mais brutais da América. Só no final dos anos 80, já em democracia, é que o setor do turismo começou a crescer, mas os turistas não apagam a realidade da República Dominicana, longe de ser apenas um destino de praias paradisíacas ou resorts luxuosos. Clemente, um dos guias locais que me acompanhou numa das excursões, referiu, com orgulho, que o país estava a mudar, com escolas gratuitas para todos, mas a discrepância entre ricos e pobres continua a ser enorme: 70 por cento da população é pobre. “A riqueza está no coração”, terminou, com um sorriso.
De volta ao resort, a expectativa era grande. Da unidade de luxo, que prima pelo seu lado ecológico, dizem que é “a porta de entrada no paraíso” — e não é difícil perceber porquê. A receção ficava no meio de um extenso corredor cheio de cadeiras e candeeiros de várias cores, que contrastavam com o castanho do teto, construído para imitar os típicos telhados de colmo da região. Ao fundo do corredor, ligeiramente escuro, avistava-se logo a piscina principal, com o azul quase a encadear os olhos e a convidar a mergulhos. Mas isso teria que esperar.
A propriedade tem uns impressionantes 38 hectares. É tão grande que cheguei a perder-me lá dentro. Longe das multidões e rodeado por exuberantes florestas tropicais e praias de areia branca, encontram-se então as quatro áreas principais que compõem o resort com 347 quartos, todas elas diferentes umas das outras.
Calhou em sorte a zona mais bonita e selvagem de todas: a Emerald Jungle, um oásis de tranquilidade só para adultos, onde é preciso olhar duas vezes para encontrar os edifícios (com quatro quartos cada), escondidos no meio da vegetação.
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O quarto, com 45 metros quadrados, era bastante espaçoso, com uma combinação de imagens da selva, padrões tropicais, detalhes verde esmeralda e mobiliário de madeira, como a mesa e um banco no meio do espaço. O terraço também era bastante agradável, com vista para “a selva”, onde o único som que se ouvia eram as folhas da árvore. Todo o quarto era uma verdadeira ode à natureza.
Ainda na zona da Emerald Jungle, bem perto dos 48 quartos, ficava a incrível piscina com azulejos verdes, com bancos dentro de água e um lago com peixes à volta. O pequeno bar do espaço servia várias cocktails e era, realmente, o local de eleição para quem queria passar umas tardes sossegadas, já que toda a zona é exclusiva para adultos.
As restantes unidades de alojamento estavam espalhados pelo Archipelago, um santuário à beira-mar com 18 suites, todas com piscina privativa e chuveiro externo, a Caribbean Paradise, o “coração do resort” com 111 quartos num ambiente caribenho, e a Explorer Cove. Nesta última existem 158 alojamentos familiares, alguns deles com piscina privativa e cabanas de praia.
A poucos metros da zona principal do resort, fica a grande protagonista do Club Med Michès: a praia Esmeralda, com aquele azul cristalino que vemos nas fotografias e rodeada por palmeiras, que tornavam o cenário ainda mais mágico, principalmente ao pôr do sol. Eram quilómetros de areal só para os hóspedes, que podiam utilizar as espreguiçadeiras à vontade.
Quanto mais me afastava da zona principal do resort, mais percebia que esta era uma praia ainda bastante selvagem, sem grandes elementos artificiais. As palmeiras e os coqueiros, alguns deles caídos ou tortos, pareciam querer entrar na água, o que tornava o cenário ainda mais mágico.
Não faltam atividades para todos os gostos
Quer seja uma viagem de família, com os amigos ou uma escapadinha romântica, o resort está preparado para receber qualquer tipo de público, mas é bem provável que os mais novos se divirtam ainda mais do que os adultos. Há atividades, literalmente, a toda a hora, seja na piscina principal, no Kids Club ou até mesmo no parque aquático exclusivo só para eles — não são só os adultos a terem este tipo de privilégios.
Para quem gosta de se manter em forma, este Exclusive Collection também é um paraíso, com todo o tipo de ofertas desportivas. Além do ginásio, há campos de ténis, de padel, de pickleball e até uma zona para experimentar tiro ao arco. As aulas de ioga e pilates (uma das que me atrevi a experimentar) são dadas no topo de uma estrutura de madeira, chamada palapa, escondida entre as árvores e com uma vista panorâmica. Mesmo ao lado, os hóspedes têm um percurso circular de dois quilómetros onde podem correr, ou simplesmente passear.
Já no que diz respeito às atividades aquáticas, o espaço oferece uma série de opções, como o kitesurf, caiaque e stand up paddle, Estas, contudo, têm um valor extra, a rondar os 30€.
Um dos grandes destaques — e uma das marcas do Club Med — é a presença da arte circense. Todos os hóspedes, dos mais novos aos mais velhos, podem aprender a fazer acrobacias aéreas no trapézio. Não me atrevi a experimentar, até porque não sou a maior fã de alturas, mas pude ver algumas das performances no espetáculo circense que acontece na zona central do resort todas as quintas-feiras.
Aliás, cada dia da semana tinha uma temática diferente, o que tornava a dinâmica do resort muito mais interessante. Às sextas-feiras, por exemplo, todos deviam ir jantar com roupa floral, enquanto que no dia anterior, o dress code era elegante.
Contudo, a grande noite acontecia na quarta-feira, com a festa de branco a animar o resort até à meia-noite. Com balões brancos nas mãos e um DJ a puxar pelo público, parecia que estava num festival de verão.
A festa, na verdade, começava pela hora de jantar, quando um grupo com um saxofonista enchia de música as três salas do restaurante principal: o Cayoco. Era ali que serviam os pequenos-almoços, almoços e jantares buffet, com pratos que variavam a cada dia. As pizzas, as massas e as frutas estavam sempre presentes, mas, em certos dias, também havia grelhados, sushi ou ramen. Ainda assim, senti que havia falta de pratos típicos do país.
Mesmo por baixo do restaurante principal ficava o Cayoco Bar, o coração do resort, com um telhado em forma de um barco virado ao contrário. Era ali que aconteciam os espetáculos noturnos, por volta das 21h30. Outra opção para pequenos-almoços tardios ou jantares à carta é o Coco Plum Beach Lounge, mesmo em frente à praia e com um vibe mais caribenha. Para os fãs de Starbucks, existia ainda um pequeno café com bolos e frapuccinos de caramelo, perfeito para um snack a meio da tarde.
Nos dias em que o sol brilhava, havia de facto muito para fazer no resort, mas num país tropical como este, a chuva é quase inevitável, mesmo na estação mais seca, e aí tudo complica. No último dia da estadia, quase como se estivesse a adivinhar o meu estado de espírito, o céu encheu-se de nuvens e as gotas de água não paravam de cair com força.
A maior parte das atividades são ao ar livre, pelo que não há muito para fazer em dias de chuva. Aproveitei o mau tempo para dar uma volta na loja do Club Med e comprar umas lembranças antes de me meter novamente num avião, durante nove horas, para regressar a casa.
Para ficar hospedado no primeiro resort a abrir no norte da República Dominicana, as reservas podem ser feitas diretamente no site. Os preços, com tudo incluído, começam nos 450€ por noite, dependendo da tipologia que escolher.
Como lá chegar
O aeroporto mais próximo é o de Punta Cana. Se partir de Lisboa, encontra bilhetes de ida e volta desde 619€. O resort fica a cerca de uma hora de distância de carro.
Carregue na galeria para conhecer melhor o Club Med Michès Playa Esmeralda.








