Viagens

Galinhas no autocarro e paisagens únicas. A Wind Family já regressou do périplo pela Ásia

Inês e João Saldanha Pisco e os quatro filhos regressaram a casa. Em novembro querem partir novamente, talvez pela última vez.
Pretendem partir novamente em novembro.

Há dois anos, Inês e João Saldanha Pisco, respetivamente com 39 e 46, largaram tudo e partiram à descoberta do mundo, juntamente com os quatro filhos: Alice (12), Manel (10), Francisco (7) e Teresa (4). Agora estão de regresso a Portugal, após o que mãe descreve como “segunda temporada de viagens”.

Desta vez, deixaram o barco atracado no Panamá e viajaram com as mochilas às costas pelo continente asiático. “Apeteceu-nos fazer algo diferente”, conta Inês. Estiveram por lá nove meses, mas graças a tudo o que viveram, sentem que foram 15 anos. Um exemplo: deslocaram-se em todos os tipos de meio de transporte de tuk tuks, a carros, aviões, comboios e autocarros. “Só faltava andarmos de helicóptero”, brinca.

Tiveram de “mudar o chip”, porque viajar de mochila às costas é completamente diferente de velejar. “O barco era quase como uma autocaravana. À noite voltávamos para o mesmo local”, recorda. Já na Ásia saltitavam de hotel em hotel. Como sempre, os miúdos colaboraram, e as birras foram raras. Na verdade, é esse um dos destaques da experiência. “A união familiar é o maior ganho, porque é para sempre. Tenho dois anos de viagens pelo mundo para contar aos meus netos e relembrar com os miúdos à mesa. Ninguém me tira isto.”

Começaram no Sri Lanka, onde passaram dois meses. Ficaram completamente rendidos e passaram metade desse tempo a conhecer o país de norte a sul. Acabaram por ficar mais do que o previsto porque o Manel fez um amigo lá. “Os laços que criam é que são importantes, porque ficam para a vida inteira.” Depois seguiram para a Malásia, onde destacam as ilhas que conheceram. Seguiu-se Singapura, que “foi totalmente diferente”, descreve. “É um país muito tecnológico e avançado.”

O Cambodja foi uma surpresa — é muito cultural e um verdadeiro paraíso. Durante a passagem por lá visitaram alguns dos spots onde foram gravadas cenas do filme “Lara Croft: Tomb Raider”, protagonizado por Angelina Jolie. Daí partiram de avião para o Vietname, onde ficaram completamente obcecados pela adrenalina. “É um frenesim o dia inteiro. Passam o dia e noite em festa. Nem dá para perceber como trabalham porque as pessoas estão sempre na rua”, brinca Inês.

O Laos foi outra agradável surpresa. Não é um destino de que se ouça falar regularmente, mas a verdade é que tem algumas das mais belas paisagens do mundo. “Ficámos assoberbados com tanta beleza. Dá vontade de ir para ali com uma garrafa de vinho e escrever um livro”. Além disso, atividades não faltam — e são muito baratas. Inês conta que é possível alugar um todo o terreno durante duas horas por apenas 12€. Um dos seus episódios favoritos desta temporada aconteceu precisamente no Laos. “Tínhamos de subir cerca de 500 degraus e só queria desistir, mas eles não me deixaram. Motivaram-me e continuei a subir. Quando chegámos lá acima abraçámo-nos todos”, recorda carinhosamente.

A viagem continuou na Tailândia, um destino que Inês e João já conheciam, mas que gostaram de revisitar. Embora seja um país mais turístico, tem paisagens deslumbrantes. Umas semanas depois voltaram para a Malásia, de onde partiram para o Dubai, país que também destacam pela tecnologia avançada que os rodeava. “É muito fictício. Querem ser os melhores e isso vê-se em todo o lado.”

De regresso a Portugal, aproveitam para estar com a restante família e com os amigos. Olhando para trás, para quem eram há nove meses, antes desta aventura, Inês nota várias diferenças. “Estamos todos muito amadurecidos e crescidos. Parece que estou mais uma calma diferente em relação à vida, e penso que nunca mais vou viver com pressas”, confessa. Depois desta temporada aa Ásia, entrar num autocarro completamente lotado já não é uma preocupação — quando lá estava chegou a viajar com uma galinha ao lado. “Em vez de lutar contra isso temos apenas de aceitar”, aconselha.

Revela que a próxima viagem pode ser a última, porque os miúdos começam a chegar à adolescência e é altura de assentarem e de terem uma vida mais normal. Atualmente têm aulas em casa, através da Internet, mas no futuro vão entrar no ensino regular. “Agora desenrascam-se mais facilmente, são mais tolerantes e têm uma resistência fora do comum.” Também já falam outras línguas, nomeadamente o espanhol e o inglês. “Até a Teresa, com quatro anos, já sabe coisas que os irmãos não sabiam quando tinham a idade dela”, conta a mãe. “Os miúdos são como esponjas”, realça.

Sobre o próximo capítulo da história Wind Family, ainda não faz grande revelações. Apenas sabemos que deverão partir em novembro. Uma coisa, porém, está garantida à partida: vão-se “deixar levar ao sabor do vento”, sem fazerem grandes planos. Afinal, é isso que os define enquanto viajantes. “Vamos e quando nos apetecer voltar, regressamos.”

Carregue na galeria e descubra alguns dos locais por onde passou a “segunda temporada de viagens” de uma das famílias mais acarinhadas de Portugal.

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