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Viagens

Há um bilião de partículas de microplásticos só nos céus de Madrid

Estudo revela que este problema está a afetar cada vez mais áreas em todo o mundo e até mesmo aquelas onde não há habitantes.
Contaminação na cidade chega a ser dez vezes maior do que em zonas rurais

Já sabemos que o plástico é um sério problema ambiental e também para a saúde e que tem vindo a agravar-se nos últimos anos. Ainda assim, há estudos que revelam que a dimensão da questão pode ser mais grave do que poderia pensar-se.

Se por um lado há análises que mostram que a quantidade de microplásticos existentes nos Pirinéus é semelhante à de Paris ou de cidades industriais chinesas, por outro há um estudo recente que coloca o perigo ainda mais em evidência. É que aqui ao lado, nos céus de Madrid, há concentrações de microplásticos de mais de um bilião de partículas, diz um estudo feito por investigadores da Universidade de Alcalá, do Centro de Astrobiologia (INTA-CSIC) e da Universidade Autónoma de Madrid.

Até agora só tinha sido possível analisar a presença de microplásticos a pouca distância do chão, mas este estudo usou recolhas feitas em aviões da Força Aérea espanhola que sobrevoavam o céu da capital para a análise, como explica o “Traveler”. Desta foi possível detetar que em Madrid há uma concentração de 13,9 microplásticos por metro quadrado, o que é uma quantidade dez vezes superior à detetada em zonas rurais.

Um dos dados mais curiosos revelados por este estudo talvez seja o trajeto que os microplásticos podem fazer pelo ar. É que embora muitas das partículas se depositem nas primeiras 24 horas e não muito longe do lugar onde foram emitidas, há um número considerável que pode recorrer centenas de quilómetros antes de depositar-se.

Isto quer dizer que em apenas um dia as partículas emitidas em Madrid podem chegar ao Golfo da Biscaia ou mesmo a Inglaterra, Bélgica e norte de França, a mais de mil quilómetros de onde foram detetadas em primeiro lugar. Este transporte acontece até para zonas onde não há atividade humana, como acontece na Antártida, por exemplo.

“Os dados disponíveis indicam taxas de depósito atmosféricos de várias centenas de microplásticos por metro quadrado ao dia, incluindo em ambientes alpinos relativamente afastados de grandes núcleos populacionais. Estes dados sugerem que os microplásticos podem alcançar alturas consideráveis e ser transportados grandes distâncias pelos ventos”, dizem os investigadores.

Se é verdade que os microplásticos estão espalhados por todo o lado, incluindo a água que bebemos ou os alimentos que ingerimos, e que é muito difícil evitá-los, pelo menos no curto prazo, também há formas de tentar evitar que sejam produzidos ainda em maior escala. Até porque, embora o seu efeito a longo prazo nos seres humanos ainda não esteja totalmente estudado, já há dados que dizem que as minhocas, por exemplo, emagreceram 3% num mês.

Para tentar reduzir ao máximo a produção de microplásticos, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aconselha alguns pequenos gestos como trocar a escova de dentes por uma versão em bambu biodegradável, evitar os plásticos descartáveis, usar garrafas de água reutilizáveis que não sejam de plástico, evitar ao máximo a utilização de produtos de beleza e de limpeza com químicos, reutilizar sacos de compras, optar por roupa de tecidos naturais ou evitar tudo o que tenha plásticos.

Embora sejam pequenos gestos no dia a dia, estes podem vir a ter um grande impacto no ambiente e na saúde no futuro.

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