Viagens

Ilha do Sal: o paraíso de Cabo Verde tem apenas três casos e aposta no turismo

Os casos são poucos, as unidades hoteleiras e médicas têm vindo a ser preparadas e se tudo correr bem vão recomeçar os voos.
Santa Maria, Sal.

Se a ideia de cachupas, mornas, praias de água transparente, funaná, lagosta e um povo caloroso não nos fizerem aguentar com outro espírito as semanas e meses mais difíceis que se avizinham, provavelmente nada o fará.

Até porque ir, ou voltar, à ilha do Sal já não é aparentemente uma miragem assim tão grande. Segundo revelou esta segunda-feira, 2 de novembro, o primeiro-ministro de Cabo Verde, a ilha mais turística do país tem apenas três casos ativos de Covid-19 identificados atualmente, e constitui a grande aposta na retoma do turismo pelo arquipélago, já com voos organizados a partir de 15 de dezembro.

O anúncio de Ulisses Correia e Silva, divulgado pela Agência Lusa, surge depois de o governo local ter prorrogado, no domingo, o estado de calamidade até ao final de 14 de novembro para várias ilhas, o que não aconteceu para o Sal. A mais turística das ilhas do arquipélago fica de fora devido aos “números baixos” da pandemia: três casos ativos dos 739 em todo o país.

Tal como as restantes, a ilha do Sal passou a estado de contingência, com várias medidas restritivas levantadas, apesar de o primeiro-ministro admitir que os sinais internacionais, sobretudo com os vários confinamentos já decretados na Europa, são “preocupantes”. “Esta gestão da pandemia é quase uma gestão de navegação à vista. A situação pode-se alterar de um dia para o outro”, disse o governante, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita a várias escolas da cidade da Praia.

“Mas há sempre uma janela de oportunidade. Nós temos estado a trabalhar diretamente com os principais operadores turísticos, já há lançamento de oferta para a vinda a Cabo Verde, de voos organizados, e esperamos que se concretize. Tudo deverá acontecer a partir de 15 de dezembro”, destacou.

Com a prorrogação do estado de calamidade nas duas ilhas mais afetadas atualmente pela pandemia, Santiago e Fogo, e com o estado de contingência para todas as restantes, passou a ser obrigatória a realização de testes rápidos de despiste à Covid-19 para todos os passageiros das ligações interilhas com destino ao Sal e à Boa Vista, as duas principais ilhas turísticas de Cabo Verde.

Ulisses Correia e Silva insistiu no apelo à população para que “continue a manter as medidas de proteção”, como a higienização, uso de máscara de proteção e o distanciamento social. “Independentemente do estado em que estivermos, é necessário que todos façam, particularmente na ilha do Sal, porque nós estamos a preparar a ilha para o retorno ao turismo e é fundamental que cada um seja o guardião da proteção, quer dizer guardião também do emprego, do rendimento, da atividade económica. Porque sem um bom controlo da pandemia teremos dificuldade em fazer a retoma económica”, frisou.

Cabo Verde suspendeu as ligações internacionais a 18 de março e apenas em 12 de outubro voltou a autorizar voos regulares comerciais de passageiros, mas ainda sem o regresso da oferta turística dos grandes operadores, que promoviam o destino de sol e praia do arquipélago.

Para esta retoma do turismo, que garante 25 por cento do Produto Interno Bruto do país e teve um recorde de 819 mil turistas em 2019, o governo afirmou anteriormente que Cabo Verde está “em condições e preparado”, após a conclusão da auditoria ao setor da saúde e da certificação de 500 estabelecimentos turísticos.

Segundo informação anterior do executivo, foi concluída “com sucesso” a primeira fase da implementação das diretrizes Posi-Check, para instalações médicas regionais, tendo sido certificados e aprovados os centros e unidades de cuidados intensivos de Covid-19 no Hotel Sabura e no Hospital Ramiro Figueira, ambos na ilha do Sal.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT