Viagens

A Ilha Terceira é o destino perfeito para desconfinar — é absolutamente deslumbrante

Uma repórter da NiT passou quatro dias numa das ilhas do arquipélago dos Açores. Ainda não recuperou desta experiência.
Fotografia de VistAzores.

Verde. Mais verde. E um bocadinho mais de Verde. A Ilha Terceira pode ser resumida numa só palavra, uma cor, e todos os tons que ela abrange. Do verde fluorescente do musgo, que as câmaras fotográficas têm dificuldade em captar, ao verde dos pastos salpicados de manchas brancas e pretas das vacas, ao verde da floresta densa que nos leva a cascatas secretas.

A ilha do arquipélago dos Açores, que alberga a cidade que foi capital de Portugal por duas vezes, é o destino ideal para uma verdadeira conexão com a natureza. Numa altura em que a pandemia nos empurrou para dentro de casa, respirar o ar puro, sentir o vento no rosto e adormecer ao som do mar é sinónimo de uma escapadinha perfeita.

E foi isso mesmo que a NiT fez, entre os dias 22 e 25 de abril. Com um grau de risco de contágio pelo novo coronavírus classificado como “Muito Baixo”, a Ilha Terceira apresenta-se com um destino super seguro. É obrigatório apresentar um teste negativo à Covid-19, com um máximo de 72 horas, aquando do check-in no aeroporto e o governo regional comparticipa o valor na sua totalidade. Para isso, basta fazer referência quando marcar o teste num dos laboratórios aderentes, e apresentar o bilhete de ida, antes da zaragatoa.

Fotografia de VistAzores.

O que pode fazer por estes pastos

Tudo se resume a passear. Aconselhamos a alugar um carro ou a contratar mesmo um guia. A empresa TuriAzores, por exemplo, tem vários passeios, de algumas horas, um ou mais dias. Miguel Mendonça, um dos guias e o proprietário, é de São Miguel, mas vive na Terceira há uma década. A paixão pela ilha, que é agora o seu lar, é sentida pela forma envolvente como conta a história do lugar, os pontos que escolhe para mostrar e os caminhos secretos que é certificado para nos levar (e que não podem ser visitados de outra forma).

É o caso de uma pequena, e belíssima, cascata do Trilho das Cascatas à qual chegamos entre ramos, galhos, musgo e terra que nos tenta engolir as sapatilhas. Tudo é verde e vibrante, e assim o é durante todo o ano. Com níveis de humidade que muito raramente descem dos 80 por cento, a ilha é uma primavera misturada com tons de inverno durante 365 dias.

O branco dos jarros, o lilás das hortênsias e o verde dos prados contrasta com o negro de uma região formada por cinco vulcões, numa ilha com um rácio de duas vacas por cada habitante. E são precisamente esses animais que nos ensinam a ter calma e a esquecer a vida agitada das grandes cidades do continente. Ali não há pressa. Nem pode haver. São inúmeras as vezes que o carro para e aguarda. As vacas dividem as estradas connosco mas têm sempre prioridade. E nenhuma pressa.

Se quiser conhecer melhor a fauna e flora da ilha, e ver de perto várias espécies endémicas da região, como as bonitas flores dos arbustos folhados, ou o cedro do mato, vá até ao Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara, aberto todos os dias, entre as 10 e as 18 horas.

Fotografia de VistAzores.

Dali, pode seguir para o Algar do Carvão, um dos ponto mais espetaculares da viagem (aberto só da parte da tarde). O incrível fenómeno natural trata-se de uma chaminé vulcânica, com uma enorme cratera, que termina 90 metros abaixo numa pequena lagoa de águas límpidas. Depois de passar a bilheteira, o acesso faz-se por um túnel que termina no monumento natural, onde umas escadas nos levam até à lagoa e às paredes repletas de estalactites de salitre. Uma experiência memorável.

Saindo do Algar, visite as Furnas do Enxofre. Um espaço ao ar livre e gratuito, onde é possível ver (e cheirar) as pequenas nuvens de enxofre libertadas pela terra. Ainda na natureza, não perca a Lagoa das Patas (apesar de ter sido construída artificialmente), a lagoa do cerro (se estiver com um guia), a vigia da baleia, as várias piscinas naturais ou a Praia da Vitória, a Serra do Cume (para as melhores fotografias) e o Monte Brasil.

É precisamente ali que se encontra um dos trilhos mais bonitos (e fáceis) da ilha. Bem perto da cidade de Angra do Heroísmo, é possível avistar as ilhas de São Jorge e do Pico (quando o clima o permite). Percorra os seus 7,4 quilómetros de passeio e aproveite para fazer um piquenique, com vista para a cidade classificada como Património Mundial da UNESCO.

Quando regressar à cidade, deixe o carro e perca-se pelas ruas de casas coloridas e pintadas de fresco. Aproveite para passar pelo lindo Jardim Municipal e para visitar o Museu de Angra do Heroísmo — muito completo e que dá conta de toda a história da ilha. Se gosta de museus, não perca ainda o do Vinho, o Museu Casa dos Botes Baleeiros para aprender tudo sobre a antiga pesca da baleia, ou a Azularte, para ver de perto a arte de criar azulejos.

Fotografia de VistAzores.

Coma isto, esqueça aquilo

Se é fã de queijo, não deixe de visitar a fábrica do Queijo Vaquinha e optar por uma degustação no bar do espaço. No final, leve um queijo para casa, ou até vários para oferecer. Este queijo da Ilha Terceira não se encontra à venda no continente.

Se está a visitar várias ilhas e não tem muitos dias na Terceira, não pode perder o restaurante Ti Choa. Prove a famosa alcatra de carne, mas também a morcela, o torresmo com bolinhos de milho, e o doce de vinagre para a sobremesa — aqui o objetivo é tentar adivinhar qual o ingrediente que se assemelha a arroz (podemos garantir que não é arroz e que, provavelmente, não vai adivinhar).

No Restaurante Rocha prove a telha de polvo, uma reminiscência dos cozinhados antigos, feitos dentro de telhas no alambique. A Tasca das Tias, no centro de Angra, é também uma boa opção. Um espaço moderno, repleto de fotografias das senhoras mais velhas da cidade, as “tias” que organizam as festas de São João.

Se quiser experimentar uma fusão entre a cozinha tradicional e moderna, então escolha o restaurante q.b., também na cidade — aconselhamos o bife de novilho com camarão e o corado com linguini negro. Para uma refeição mais rápida, e na Praia da Vitória, opte pelo Restaurante R3.

A NiTtravel tem um pacote especial para a Ilha Terceira

Existem voos diretos de Lisboa para a Ilha Terceira. Pode também voar até São Miguel e fazer escala. Para o mês de maio, encontra voos diretos a partir dos 83€, ida e volta. Também da cidade do Porto, tem voos diretos para o aeroporto das Lajes. Em maio, de dia 7 a dia 10, por exemplo, consegue um voo de ida e volta por 68€.

Porém, a melhor sugestão do mercado talvez seja mesmo este pacote da NiTtravel. Pode passar cinco dias na Ilha Terceira (com voo, hotel e pequeno almoço) por apenas 230€.

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