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Incêndios, acidentes e Covid. 2021 foi um ano de loucos nos parques da Disney

Diz-se que são um espaço mágico onde adultos e crianças podem viver num mundo fantástico. Não foi bem isso que aconteceu este ano.
Era uma vez a magia da Disney...

É um local mágico de diversão para miúdos e adultos. Mas nem sempre a experiência é assim tão mágica quanto anunciam os panfletos. No meio de uma pandemia global e após vários meses de encerramento, os parques da Disney por todo o mundo voltaram à rotina, embora nem tudo tenha regressado à normalidade. 2021 foi um ano recheado de imprevistos, controvérsias e, convenhamos, momentos pouco mágicos.

As atribulações começaram logo no início do ano, quando a reabertura exigiu que fossem implementadas medidas de segurança e higiene para travar potenciais surtos de Covid-19. Só que muitos dos visitantes não se mostraram propriamente agradados com as novas regras.

Na Disney World de Orlando, na Florida, ditavam as regras que os visitantes deveriam manter a distância social e usar máscara. Uma exigência que provocou confrontos diários com visitantes que teimavam em não cumprir com nenhum dos protocolos.

De acordo com vários trabalhadores anónimos da Disney, foram relatados ao “Orlando Sentinel” casos diários de discussões mais acesas com visitantes que não hesitaram em vociferar e até cuspir na direção dos colaboradores. Uma situação que levou muitos dos funcionários ao limite. Uma dessas empregadas chegou a afirmar que “já teria pedido a demissão” não fosse a ajuda dos colegas.

Entretanto, a Disney World relaxou muitas das medidas aplicadas no início do ano, sendo que o uso de máscara não é obrigatório e nem são feitas sequer medições de temperatura à entrada.

Do outro lado do oceano, na Disneyland de Paris, um dos hotéis do complexo foi totalmente transformado num enorme centro de vacinação. Em abril, o resort começou a distribuir vacinas, uma forma mais simpática de vacinar a população, que podia proteger-se enquanto aproveitava a vista das janelas. O parque estava então encerrado, sendo que reabriu apenas em junho.

Mais longe, na Disneyland de Shanghai, a Covid-19 também dificultou as operações. Em outubro, mais de 30 mil pessoas foram forçadas a ficar presas temporariamente no parque, depois de um teste positivo der alertado as autoridades.

Visitantes e funcionários só puderam regressar a casa depois de serem devidamente testados, com o parque a ser imediatamente encerrado e todas as saídas e entradas controladas pela polícia.
Esperar-se-ia que, à margem da pandemia, todas as outras rotinas do parque assumissem a normalidade. Não foi o caso.

O fim do ano na Disney World ficou marcado por um incêndio

Jason Jeter, funcionário dos parques da Disney, tornou-se também numa estrela do TikTok, onde publicava diariamente experiências boas e más no interior dos resorts. Caminhava por locais vedados ao público e bebia água das fontes espalhadas pelo parque.

O comportamento levou, segundo o próprio, ao despedimento e a uma ordem de interdição. Jeter acabou por ser barrado à entrada. “O pior aconteceu. Assim que saí do carro, a polícia aproximou-se e ameaçou que eu estaria a invadir propriedade privada, já que fui proibido de frequentas as instalações”, disse.

Nos Hollywood Studios da Disney, em Los Angeles, o pior podia ter acontecido em abril, quando dois teleféricos colidiram, colocando em perigo os visitantes. Era apenas o segundo incidente do género na história do parque. Infelizmente, dois meses depois, aconteceu novo desastre a envolver dois teleféricos.

O ano não poderia encerrar sem novo desastre, desta vez na Disney World de Orlando, onde um incêndio a 15 de dezembro levou a que a principal rua do Reino Mágico fosse invadida por camiões dos bombeiros. As chamas deflagraram a pouca distância do Castelo da Cinderela, um dos marcos mais icónicos do parque. Felizmente, apenas um funcionário teve que receber tratamento para ferimentos leves.

Desastres à parte, 2021 parece ter afetado até o espírito mágico e benevolente da Disney. Foi isso que atestou Tricia Proefrock, mãe de um rapaz de 13 anos que sofre de um síndrome que provoca uma epilepsia grave e que o impede de andar, falar e ver.

Numa das visitas ao parque, depararam-se com uma enchente que ocupou os lugares para deficientes. Sem alternativa, Proefrock teve que estacionar o carro nos lugares comuns e ocupar duas vagas com o seu carro.

No regresso ao veículo, deparou-se com um aviso no pára-brisas, provavelmente deixado por outro visitante do parque. “Isto não é uma multa, mas se estivesse dentro dos meus poderes, passaria duas multas. Porque com a sua tentativa de estacionamento ridícula e irrefletida, ocupou espaço suficiente para um grupo de 20 mulas, dois elefantes, uma cabra e um lote de pigmeus vindos de África”, podia ler-se na nota deixada no carro.

“Despeço-me com o desejo de que a transmissão do carro rebente na auto-estrada às 4:30 da madrugada. E que as pulgas de mil camelos infestem os seus sovacos.”

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