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A incrível luta pelo título de arranha-céus mais alto do mundo que nem a pandemia trava

No Médio Oriente, o céu é a próxima fronteira — e nem a covid-19 ou os milhões os impedem de tentar conquistar o título.

Nos anos da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética competiram ferozmente pela chegada do homem à Lua. Cinquenta anos depois, a nova fronteira é menos ambiciosa, mas não menos disputada — e tudo acontece nas terras áridas do Médio Oriente. Pisca os olhos e, de repente, há um novo edifício mais alto do mundo.

Desde 1998 que o epicentro desta tendência viajou dos Estados Unidos para a Ásia e Médio Oriente. Em 1998, as Petronas Towers em Kuala Lumpur destronaram a Sears Tower, em Chicago.

O Taipei 101 tomou-lhe o lugar com um aumento impressionante de 12,68 por cento em altura, para atingir os 509 metros. E em 2010, o Dubai colocou-se neste mapa com um recorde absoluto agora detido pelos 828 metros do Burj Khalifa. Isso está preste a mudar e a corrida, essa parece que está apenas a começar.

Apenas três anos depois a inauguração do edifício no Dubai, os vizinhos sauditas lançaram as primeiras fundações da Jeddah Tower, na cidade com o mesmo nome. O objetivo: ultrapassar a barreira dos mil metros de altura, embora não tenha sido dado um número exato. Iniciado em 2013, a torre foi projetada pelo mesmo arquiteto que desenhou o Burj Khalifa, Adrian Smith.

A empresa de construção encarregue da obra titânica carrega um nome conhecido, a Saudi Binladin Group, fundada por Mohammed bin Awad bin Laden, pai de Osama Bin Laden — cuja família ainda se mantém no comando.

Em 2014, a obra que deveria durar 63 meses começou a despontar á superfície. Em 2018, chegaram as primeiras imagens e os primeiros detalhes do super-edifício. Com um custo estimado de 985 milhões de euros, a inauguração estava prevista para 2020. Claramente, isso não aconteceu. Para esse desfecho contribuíram alguns percalços que foram surgindo ao longo do caminho.

Uma delas foi a purga levada a cabo pelo líder Mohammed bin Salman, que deu início a um processo de detenção de supostos agentes políticos, empresariais e políticos, acusados de corrupção — uma motivação considerada suspeita e que poderá estar ligada a uma jogada de poder do príncipe saudita.

Independentemente da intenção, dois dos principais investidores do projeto foram acusados de corrupção, o que complicou os avanços não só do arranha-céus como da gigantesca Cidade Económica que o irá rodear. Vamos a números: 243 mil metros quadrados de área, cerca de 252 pisos e o deck de observação mais alto do mundo, que se suspende do edifício aos 664 metros. A Jeddah Tower tera um hotel Four Seasons de cinco estrelas e 97 apartamentos com serviço, mais sete duplex.

Os atrasos obrigaram ao reinício dos trabalhos em 2020, o que deverá atrasar a conclusão. E se os sauditas não acelerarem, correm o risco de inaugurar o segundo edifício mais alto do mundo. É que no vizinho Dubai, já se traçaram os planos para um novo ataque aos céus.

Em 2016 foram lançadas as primeiras pedras daquela que deveria ser a grande estrela do Dubai durante a Exposição Mundial de 2020. A pandemia atrapalhou os planos e o evento foi adiado por um ano — e também a conclusão do The Tower no Dubai Creek Harbor. A meta são os 928 metros, o que o eleva quase cem metros acima do vizinho e atual edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa. Sem certezas sobre a conclusão ou altura final do concorrente saudita, esta é uma luta renhida pelo posto de número um no ranking.

A empresa encarregue da construção é a mesma, mas o projeto de arquitetura ficou a cargo de Santiago Calatrava, o autor da estação do Oriente, em Lisboa. A jóia da coroa do arranha-céus é o seu observatório com vista de 360 graus e jardins verticais.

Os trabalhos foram interrompidos em abril por causa da pandemia e em dezembro a decisão manteve-se inalterada por tempo indefinido.

Com um custo estimado de 950 milhões de euros, o edifício tem uma particularidade: mais de 50 por cento da área de cada piso não é útil, o que significa que a nível de classificação, é mais uma “torre” do que um “edifício”. E esta tecnicalidade será um entrave no momento de entrar para o ranking. Contudo, é apenas um detalhe burocrático. A verdade é que o vencedor será sempre o que mais perto estiver do céu.

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