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Índia e Paquistão atravessam onda de calor extremo com temperaturas a rondar os 50ºC

Os dois países têm atingido números recorde no que diz respeito à subida acentuada das temperaturas.
Autoridades recomendam cuidados.

Há algumas semanas que a Índia sofre com uma onda de calor extremo, que tem dado origem a dificuldades no abastecimento de bens essenciais como água e energia. Segundo a agência “Reuters”, citada pelo “Público”, seis distritos de Bengala Ocidental registam, pelo menos, cinco graus Celsius acima do normal.

O aumento da utilização de sistemas de refrigeração ou ar condicionado, provocado pelas elevadas temperaturas, não só tem contribuído para cortes de energia, como obrigado as autoridades a racionar o fornecimento ao setor industrial em determinadas zonas do país.

“O Verão em Calcutá é quente e húmido, com temperaturas a chegar aos 40 graus com humidade em torno de 80%. Este ano é assim também. Normalmente tínhamos os nor’westers [como são chamadas as chuvas localizadas, fortes e com trovoadas], o que suprimia a onda de calor. Mas este ano não houve nor’westers e isto está a causar grande desconforto. Suamos excessivamente, o que pode causar desidratação”, explicou Ramachandran Natarajan, engenheiro numa unidade fabril, à publicação portuguesa.

Na tentativa de minimizar reduzir ao máximo eventuais consequências negativas deste cenário, particularmente preocupante pela mudança nos padrões de precipitação em Calcutá, as autoridades anteciparam as férias escolares para a próxima semana. 

“Estamos a receber muitos pacientes que sofreram insolação ou outros problemas relacionados ao calor”, disse Mona Desai, ex-presidente da Associação Médica de Ahmedabad, no estado indiano de Gujarat. A especialista adiantou que 60 a 70 por cento dos pacientes está em idade escolar. Vómitos, diarreia, cólica abdominal e fraqueza estão entre as queixas mais frequentes.

Vários estados impuseram às fábricas um racionamento de energia numa tentativa de gerir os picos de consumos criados pela utilização de aparelhos de ar condicionado e ventiladores. À “Reuters”, o Ministério da Energia indicou que o consume energético já chegou a valores recordes e deve aumentar até 8 por cento em maio.

O pouco carvão, indispensável para a produção de energia, que se encontra nas centrais de energia, bem como a falta de comboios para o transportar para as centrais, tornam todo o cenário ainda mais preocupante.

Paquistão também é alvo de onda de calor

De acordo com o “G1”, o Paquistão está a registar as temperaturas mais altas em 61 anos — chegou aos 67ºC —, o que deixa um bilhão de pessoas em risco por impactos relacionados ao calor na região.

“O sul da Ásia, particularmente a Índia e o Paquistão, enfrentam o que foi uma onda de calor recorde. Começou no início de abril e continua a deixar as pessoas ofegantes em qualquer sombra que encontrem”, disse Sherry Rehman, ministra federal para Mudanças Climáticas do Paquistão, em comunicado. Rehman, pediu aos governos que tomem medidas de precaução para lidar com a onda de calor.

A ministra destacou ainda que esta era a primeira vez, em décadas, que o inverno se transformava em verão sem passar pela primavera.

Entre os principais riscos do fenómeno estão inundações, uma vez que as geleiras nas cordilheiras do Himalaia, Hindu Kush e Karkoram derreteram rapidamente, criando milhares de lagos glaciais no norte do do País. Sete milhões de pessoas estão vulneráveis.

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