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Inhotim, o museu na natureza que é uma maravilha por descobrir no interior do Brasil

Destacado pelo Turismo do Brasil como um dos destinos mais incríveis no interior, pode ser motivo de visita para lá das praias.

É um dos mais recentes “destinos acessíveis para descobrir o interior” do país, eleitos pelo Turismo do Brasil. Colocando tudo nestes termos, parece estar-se a subestimar a imponência e singularidade do Instituto Inhotim. A mais de 400 quilómetros da costa mais próxima, não é uma etapa adicional no roteiro turístico e veraneante da maioria dos turistas. Não é, mas devia ser.

Nova Iorque, Berlim, Paris, Londres, Florença. Todas as grandes cidades têm em sua casa um super-museu que impressiona pela arquitetura, dimensão das obras, pelas suas coleções recheadas de raridades assinadas por mestres. Pois bem, o Inhotim tem a seu favor o facto de ser um dos maiores (e mais belos) museus a céu aberto de todo o mundo.

O museu de arte contemporânea no estado de Minas Gerais encontra-se num enorme espaço verde de 140 hectares que inclui não só as galerias e um parque de esculturas, mas também um jardim botânico. Tem, no entanto, apenas 15 anos de vida apesar de, na sua singularidade, unir algumas das maiores obras de arte do mundo, lado a lado com verdadeiras raridades botânicas.

Nos jardins, é possível encontrar mais de 700 obras de 60 artistas. Uma delas é a icónica Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, do artista brasileiro Hélio Oiticica. Uma série de paredes pintadas com coberturas de metal e vidro, construídas após a sua morte e inspiradas nos seus textos, plantas e maquetes. É uma das obras mais fotografadas e visitadas do museu, uma espécie de praça pública abstrata e colorida.

O instituto é o sonho do empresário Bernardo de Mello Paz, dono da propriedade que, nos anos 80, decidiu transformar o espaço num museu ao ar livre. Foi o primeiro passo antes da oficialização do Instituto Inhotim, em 2002, que serviria de organização sem fins lucrativos, para comprar, gerir e curar a arte contemporânea, bem como ajudar a promover a educação para a arte.

Só em 2016 é que abriu ao público em geral, apesar de ter funcionado durante vários anos apenas com visitas agendadas e guiadas. Em 2018 atingiu a marca redonda dos três milhões de visitantes desde a abertura, atraídos por obras icónicas como a Viewing Machine de Olafur Eliasson ou o Jardim de Narciso de Yayoi Kusama.

Nem todas as obras estão expostas ao ar livre. Existem também galerias interiores para visitar, entre exposições de pintura, desenho, fotografia e vídeo. Existem, ao todo, 22 pavilhões: 18 para as coleções permanentes e quatro para as exposições temporárias.

Lá fora, ao lado das obras de mão humana, estão as naturais que compõem o jardim botânico, oficializado pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos desde 2010. Esta coleção inclui espécies de 181 famílias, mais de quatro mil espécies e, provavelmente, aquela que é a maior variedade de palmeiras no mundo: 1.400 espécies reunidas nos jardins do Inhotim.

Apesar das mais recentes dificuldades — em 2019, o instituto viu diminuir drasticamente o número de visitantes depois da tragédia do rebentamento da barragem de Brumadinho — e de se ter ponderado encerrar o museu, o pior não chegou a acontecer.

Para os que hesitam entre um mergulho nas praias de água quente e uma viagem até ao interior do Brasil, pode ser conveniente saber que há pelo menos duas instalações de arte que lhe permitem apaziguar o calor, isto é, nadar em água fresca. Por isso, sim, leve um fato de banho — o Inhotim fornece as toalhas e até um balneário.

Uma delas é a piscina coberta no pavilhão Cosmococa, da autoria de Hélio Oiticica e Neville D’Almeida. A outra fica ao ar livre e foi criada por Jorge Macchi.

Mesmo para quem tem algum andamento, ver o Inhotim num só dia pode ser complicado. Recomenda-se que, caso queira percorrer cada recanto do jardim, agende uma visita de dois dias. É proibido levar comida mas existem três restaurantes no local — e um deles é um all you can eat.

Como chegar lá

A rota mais rápida e fácil leva-o até Belo Horizonte, sendo que não existem viagens aéreas diretas de Portugal. Pode aproveitar os voos de Lisboa com uma escala, com preços que rondam os 680€.

O Inhotim fica nos arredores da pequena cidade de Brumadinho, a 60 quilómetros de Belo Horizonte, uma viagem de pouco mais de uma hora de carro. Se optar por ficar em Belo Horizonte, muitos dos melhores hotéis disponibilizam transfers diretos para o Instituto.

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