Lara Gonçalves ainda era bebé quando começou a assistir “Pokémon”, a série adaptada a partir dos jogos de sucesso. Natural de Faro, no Algarve, sempre teve um contacto próximo com a cultura japonesa e, ao longo da infância e adolescência, lembra-se de assistir a diversos animes (animação japonesa).
“O primeiro foi ‘Pokémon’ e via todos os dias de manhã”, começa por contar à NiT a criadora de conteúdos de 30 anos. “Tinha, inclusive, cassetes da série e imensos bonecos. Era viciada no Pikachu”, recorda. Mais tarde, começou também a ver “Sailor Moon” e “Fancy Lala”.
Ao longo do tempo, o interesse pelo mundos dos animes foi mais longe, inspirando Lara a pesquisar mais sobre a cultura japonesa, até surgir a oportunidade de se mudar oficialmente para Tóquio. Em junho, depois de vários meses a organizar tudo, apanhou um voo, com um visto de estudante, e sem data de regresso.
“Conhecer o Japão foi sempre um sonho, desde criança. Queria viver aqui e aprender a língua”, sublinha. “O interesse nasceu com o anime, como a maior parte das pessoas e depois aprofundei-me mais na cultura. Adorava ver vídeos de pessoas que viviam cá, os tours das casas, entre outros.”
O que não esperava era que a sua conta de Instagram se tornasse viral — em poucos meses, conseguiu conquistar mais de 30 mil seguidores. Desde então, tem partilhado a rotina no novo país, desde as idas à escola, ao supermercado, às festas, restaurantes, entre outras atividades, já que mesmo os pormenores mais simples despertam a curiosidade dos seguidores por ser uma realidade muito diferentes de Portugal.
Ainda no nosso País, no início de 2024, começou a estudar japonês, ao mesmo tempo que trabalhava remotamente para uma empresa internacional na área de pós-produção fotográfica. Meses depois, porém, o professor mudou-se para o Japão e na mesma altura sentiu que nada a prendia a Portugal.
“Foi uma decisão tomada de um dia para o outro, porque era agora ou nunca”, refere. Em outubro de 2024, começou a pesquisar escolas de japonês em Tóquio e tratou de toda a papelada para conseguir o visto de estudante, válido até 2027. No final de junho deste ano, mudou-se oficialmente para a capital japonesa.
View this post on Instagram
Todo o processo para conseguir o visto e tratar da burocracia da viagem foi feito com o apoio da Go! Go! Nihon, uma empresa que apoia estudantes que pretendem mudar-se para o Japão. Para a viagem, levou o essencial: os documentos, uma mala e o gato.
O facto de ter viajado com um animal de estimação tornou o processo mais complicado, mas deixá-lo para trás não foi uma opção. Um dos principais problemas, por exemplo, foi encontrar um apartamento que o aceitasse — dado que os alojamentos propostos pela empresa eram sempre partilhados ou em casa de famílias locais, que não aceitavam animais.
Só no final de julho, um mês depois de chegada ao Japão, é que conseguiu encontrar um apartamento para viver com o companheiro de quatro patas, a cerca de 35 minutos a pé da escola onde está a estudar. Num vídeo partilhado no Instagram, que reuniu mais de 76 mil visualizações, contou todo o processo.
Todos os dias, Lara tem aulas de japonês durante quatro horas. No tempo restante, trabalha em part-time num café, e remotamente continua a dedicar-se à pós-produção fotográfica. Nos últimos meses tem também se tem dedicado ao digital, tendo conquistado inesperadamente milhares de seguidores no Instagram.
“O que mais senti desde que me mudei para cá é que a minha vida começou a ser muito rápida”, explica. “Venho de uma cidade muito pequena, onde só trabalhava e ia para o ginásio. A minha vida era aborrecida comparada à que tenho agora.” A portuguesa, que vivia em Olhão antes de se mudar, explica que a parte mais desafiante foi conseguir equilibrar o trabalho, os estudos e a vida social. Além disso, teve de acostumar-se aos hábitos do país.
“Já tinha consciência das regras que havia aqui e concordo com todas, acho que deviam existir no nosso País”, explica. “Nos transportes e nos elevadores, por exemplo, não se pode fazer barulho. A única coisa que acho pouco conveniente é o facto de não haver baldes de lixo na rua, mas isso também faz com que as pessoas reciclem mais em casa e não deitem lixo em todo o lado.”
Outra dificuldade que sentiu foi também na comunicação, dado que muitos japoneses não percebem ou falam inglês. “Há uma barreira muito grande porque ainda não falo japonês suficiente para ter uma conversa”, explica, acrescentando que, apesar da dificuldade, os japoneses são “muito simpáticos” e estão sempre dispostos a ajudar.
Quanto à alimentação, Lara explica que o mais tradicional nos restaurantes que frequenta são pratos de ramen, katsu (carne de porco panada) e caril japonês. Já no supermercado, aproveita para comprar produtos tradicionais, como kimchi, mas também tudo o que estava habituada a comer em Portugal, como carne vermelha, frango, vegetais, cereais, entre outros.
Nos últimos meses, tem aproveitado o tempo livre para conhecer outras regiões, como Kyoto e Yokohama. “Definitivamente o que mais gostei de conhecer até agora foi Kyoto”, confessa. “Já tinha a expectativa de que devia ser uma das melhores experiências por ser tão tradicional. Não tem muita confusão como Tóquio, é muito mais calmo e tem mais natureza.”
Ainda este ano, Lara tem planos de partilhar o primeiro vídeo no novo canal do YouTube sobre a vida no Japão. Pode já começar a segui-la através deste link.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Lara no Japão.

LET'S ROCK







